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Keli Quitutes

Rubem Fonseca ficou famoso na segunda metade do século XX por ter sido o introdutor no Brasil e o principal adepto no cenário nacional da Literatura Brutalista (RODRIGUES, 2017), um dos subgêneros do Romance Policial. Segundo a Teoria Literária, o Brutalismo também é chamado de Neorrealismo Violento (BOSI, 1975), de Romance Noir ou de Romance Negro (TODOROV, 2013, p.98). Atuando como contista, romancista, novelista, ensaísta e roteirista, Fonseca publicou 32 livros, sendo 19 coletâneas de contos, 8 romances, 4 novelas e 1 ensaio. Falecido em abril deste ano, no comecinho da pandemia do novo coronavírus no Brasil, o escritor que nascera em Minas Gerais e vivera desde a infância no Rio de Janeiro foi vítima de um infarto fulminante. Ou seja, sua morte não tem nada a ver com a COVID-19, como chegou a ser ventilado na época. Rubem Fonseca é um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Sua influência pode ser sentida até hoje. Não é difícil descobrir várias de s...

Li, nesta semana, "José" (Nova Fronteira), a novela autobiográfica de Rubem Fonseca. A obra é apresentada ao leitor como uma ficção, porém é inegável seu caráter de memória. O José da história e do título do livro é o próprio Rubem Fonseca. Para quem não sabe, o nome completo do escritor é José Rubem Fonseca. Nesta narrativa em terceira pessoa, Fonseca apresenta a infância e a juventude de sua personagem. A trama segue até o protagonista completar vinte e poucos anos de vida. Nesta época, José atuava como advogado criminalista (e sua carreira de escritor ainda não tinha começado – até então, ela não passava de um sonho distante).

A pergunta que me fiz durante a leitura de "José" foi: por que o autor e sua editora posicionaram esta obra como uma novela e não como um livro de memórias? Sinceramente não sei a resposta. O próprio escritor justifica-se na segunda página da narrativa: "Ao falar de sua infância José tem que recorrer à sua memória e sabe que ela o trai, pois muita coi...

Chegamos à análise do quinto livro do Desafio Literário de Rubem Fonseca. Depois de comentarmos duas coletâneas de contos Brutalistas, "Lúcia McCartney" (Agir) e “Feliz Ano Novo” (Nova Fronteira), e dois romances policiais noir, "O Caso Morel" (Biblioteca Folha) e "A Grande Arte" (Círculo do Livro), vamos discutir hoje, no Bonas Histórias, um drama histórico do autor mineiro. O título em questão é “O Selvagem da Ópera” (Companhia das Letras), o sexto romance de Fonseca. Nas páginas desta publicação, assistimos à reconstituição semi-biográfica da trajetória pessoal e profissional de Antônio Carlos Gomes, o principal compositor brasileiro de ópera. O portfólio artístico de Gomes abrange criações como “Fosca”, “Lo Schiavo”, “Condor” e “Colombo”. Contudo, sua obra-prima é “O Guarani”, ópera ballo baseada no romance homônimo de José de Alencar. Curiosamente, este livro de Rubem Fonseca foi construído para se parecer uma cinebiografia - o narrador prepara o texto de um filme e não...

O quarto livro de Rubem Fonseca que será analisado neste Desafio Literário é "A Grande Arte" (Agir). Este romance foi apenas a segunda narrativa longa do escritor mineiro, mas teve papel importantíssimo na redefinição da trajetória de sua carreira literária. Com o sucesso de "A Grande Arte" junto aos leitores e perante a crítica, Fonseca optou por escrever mais romances em detrimento aos contos, gênero em que era reverenciado como um dos melhores escritores da história nacional. Assim, nas décadas de 1980 e 1990, temos um Rubem Fonseca mais romancista e menos contista. Inicia-se, assim, o que podemos chamar de segunda fase da literatura fonsequiana: o período romancista.  

Publicado em 1983, "A Grande Arte" foi lançado dez anos depois de "O Caso Morel" (Biblioteca Folha), a primeira narrativa longa de Rubem Fonseca. Naquela época, início dos anos 1980, a ditadura militar já não exercia um poder tão forte de censura sobre as obras artísticas produzidas no país. Além disso, desd...

Em 1975, Rubem Fonseca já era um autor consagrado no cenário nacional. Depois da publicação de quatro ótimos livros de narrativas curtas, "Os Prisioneiros" (Agir), "A Coleira do Cão" (Nova Fronteira), "Lúcia McCartney" (Agir) e "O Homem de Fevereiro ou Março" (Nova Fronteira), e um romance, "O Caso Morel" (Biblioteca Folha), o escritor mineiro resolveu radicalizar. Lançou naquele ano "Feliz Ano Novo" (Nova Fronteira), uma coletânea de contos em que potencializava a violência, as cenas de sexo, a desigualdade social e a imoralidade do país. Ou seja, foi mais Rubem Fonseca do que nunca.  

O resultado desta ousadia literária foi um novo sucesso de público e de crítica. Em poucos meses, "Feliz Ano Novo" se tornou um best-seller nas livrarias com mais de 30 mil unidades comercializadas em três edições sucessivas. Para interromper a venda de uma obra tão incômoda, a ditadura militar resolveu censurá-la. O ministro da Justiça da época, Armando Falcão, alegou que o livro de Fonseca ia...

Reli, no último final de semana, "O Caso Morel" (Biblioteca Folha), o primeiro romance de Rubem Fonseca. Considerada por muitos críticos literários como uma das melhores criações ficcionais do escritor mineiro, esta obra foi cercada de muitas expectativas na época de sua publicação. Afinal, o principal contista da literatura brasileira lançava-se em um novo gênero narrativo. Seria Rubem Fonseca tão bem-sucedido na produção das narrativas longas assim como foi nas coletâneas de contos?! Esta era a pergunta que o público leitor e o mercado editorial faziam nos primeiros anos da década de 1970. Sob esse ponto de vista, “O Caso Morel” representou um ousado passo na carreira do seu escritor.

Até então, todos os livros publicados por Rubem Fonseca tinham sido coletâneas de contos: "Os Prisioneiros" (Agir), de 1963, "A Coleira do Cão" (Nova Fronteira), de 1965, "Lúcia McCartney" (Agir), de 1967, e "O Homem de Fevereiro ou Março" (Nova Fronteira), de 1973. Curiosamente, as quatro obra...

Na segunda metade da década de 1960, Rubem Fonseca já era considerado um dos grandes escritores nacionais de sua geração. Seus dois primeiros livros de contos, "Os Prisioneiros" (Agir), de 1963, e "A Coleira do Cão" (Nova Fronteira), de 1965, revolucionaram o gênero das narrativas curtas e foram recebidos com muita empolgação pela crítica literária da época. Fonseca não era visto apenas como um novato talentoso e sim como um autor peculiar que logo de cara conseguiu imprimir um estilo forte e único na literatura brasileira.

O sucesso retumbante de público e a conquista dos principais prêmios literários do país, contudo, só chegariam com a publicação de sua terceira coletânea de contos, "Lúcia McCartney" (Agir). Com este livro, Rubem Fonseca tornou-se um best-seller nacional e entrou definitivamente para o panteão dos grandes autores contemporâneos do Brasil. Exatamente por isso, iniciamos o Desafio Literário de setembro, a principal coluna do Bonas Histórias, com a análise des...

Depois da folga de um mês, período em que analisamos apenas obras individuais (8 livros de diferentes autores), o Bonas Histórias traz, em setembro, a continuação desta temporada do Desafio Literário. Neste ano, vale a pena lembrar, já estudamos o estilo de quatro escritores: Jack Kerouac (Estados Unidos), em abril, Maria José Dupré (Brasil), em maio, Kenzaburo Oe (Japão), em junho, e Virginia Woolf (Inglaterra), em julho. Nas próximas quatro semanas, vamos mergulhar na ficção de Rubem Fonseca, um dos principais nomes da literatura brasileira na segunda metade do século XX. O quinto autor do Desafio Literário de 2020 faleceu há quase cinco meses, no Rio de Janeiro, aos 95 anos. Ou seja, as análises dos livros e a investigação do estilo literário de Fonseca não deixam de ser uma homenagem póstuma do Bonas Histórias ao legado artístico deste importante escritor nacional.  

Rubem Fonseca nasceu na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 1925. Ainda garoto se mudou com a famíl...

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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