A Editora Pomelo é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Dança & Expressão é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
Eduardo Villela é Eduardo Villela é book advisor e parceiro do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
BonaBelle Design & Organização é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
A Epifania Conteúdo Inteligente é parceira do Bonas Histórias, blog de literatura, cultura e entretenimento
Keli Quitutes

A literatura de Isabel Allende possui três fases distintas. Na primeira delas, que se estendeu por toda a década de 1980, a escritora chilena produziu romances históricos ambientados na América do Sul. Seus primeiros livros ficcionais, “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), “De Amor e de Sombra” (Bertrand Brasil) e “Eva Luna” (Bertrand Brasil), por exemplo, foram protagonizados invariavelmente por figuras femininas de personalidade forte, possuíam elementos de realismo fantástico e seus enredos eram afetados substancialmente pelas influências do cenário externo (a camada mais frágil da população estava suscetível a perseguições, violências, injustiças sociais e desmandos políticos de militares e/ou de caudilhos que se perpetuavam no poder).

Na segunda etapa de sua produção ficcional, iniciada com a chegada dos anos 1990, Allende passou a ambientar seus romances nos Estados Unidos, país onde foi morar em 1988. Para ser mais exato em minha análise, a chilena escolheu como nov...

Li, nesta semana, “Meu País Inventado” (Bertrand Brasil), o quarto livro de Isabel Allende do Desafio Literário de outubro. Esta obra é classificada formalmente como as memórias da escritora chilena. Lendo essas linhas, um fã mais atento (e crítico) poderá reclamar: mais uma autobiografia de Allende, né?! O comentário ácido faz, à princípio, todo o sentido. “Paula” (Bertrand Brasil), publicado oito anos antes, tinha essa mesma característica/função. Naquela primeira narrativa biográfica, a autora, uma das principais figuras da literatura contemporânea em língua espanhola, descrevia de maneira sublime sua trajetória pessoal, familiar e profissional. Não à toa, “Paula” é um dos títulos mais famosos e emocionantes de Isabel Allende até hoje.

Então, “Meu País Inventado” é um livro sem muitas novidades para quem já leu a obra de memórias anterior, certo? Errado! Confesso que eu tinha a expectativa, no início desta leitura, de me deparar com um texto repetitivo e com um conteúdo sem...

Em dezembro de 1991, Isabel Allende já era uma das principais escritoras sul-americanas. Seus quatro primeiros romances, “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), de 1982, “De Amor e de Sombra” (Bertrand Brasil), de 1984, “Eva Luna” (Bertrand Brasil), de 1987, e “O Plano Infinito” (Bertrand Brasil), de 1991, tinham sido lançados com êxito em vários países da Europa, da América do Norte e da América do Sul. Morando nos Estados Unidos desde 1988 com o segundo marido, um advogado norte-americano, a autora chilena levava uma vida, enfim, tranquila. A situação parecia ter entrado nos eixos depois de tempos de intermináveis complicações.

Vale lembrar que o inferno astral de Isabel começou justamente com a decretação do golpe militar no Chile, em setembro de 1973. Sobrinha de Salvador Allende e jornalista combativa, ela foi perseguida pelo governo de Augusto Pinochet. Não foram poucas as ameaças de morte que recebeu. Assustada, Isabel Allende teve de se exilar com a família por 13 an...

Li, nesta semana, “Eva Luna” (Bertrand Brasil), o terceiro romance de Isabel Allende. Após o sucesso meteórico de “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), sua primeira narrativa longa e também seu primeiro best-seller internacional (livro este analisado na segunda-feira, dia 5, no Bonas Histórias), a escritora chilena passou a investir na produção de romances históricos ambientados no conturbado cenário político-social da América do Sul. Com pitadas generosas de realismo fantástico, personagens encantadoras, humor inteligente, cenas inesquecíveis, críticas sociais pesadas, sátiras políticas divertidíssimas e dramas sentimentais contundentes, Allende criou um receituário narrativo original e de enorme repercussão comercial na década de 1980. “Eva Luna”, o segundo dos seis livros da autora que serão comentados no Desafio Literário de outubro, é peça fundamental para compreendermos este início arrebatador da carreira literária de Isabel Allende, um dos mais populares nomes da f...

Comecemos a análise da literatura de Isabel Allende, a escritora chilena que será estudada em profundidade no Desafio Literário deste mês, pelo seu romance de estreia. “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil) não é apenas o primeiro romance de Allende como é sua obra mais famosa até hoje. Sucesso instantâneo de público e de crítica, este livro se tornou um best-seller em vários países. Li esta publicação no último final de semana e confesso que fiquei maravilhado com seu conteúdo. Ao lado de “Os Vestígios do Dia” (Companhia das Letras), de Kazuo Ishiguro, e “Uma Questão Pessoal” (Companhia das Letras), de Kenzaburo Oe, “A Casa dos Espíritos” é um dos melhores títulos que li neste ano (e, sem dúvida nenhuma, é também um dos romances históricos mais impactantes que conheci).   

Publicado em 1982 por uma editora de Buenos Aires, “A Casa dos Espíritos” nasceu de uma carta que Isabel Allende escreveu, no ano anterior, para seu avô, então com 99 anos e que parecia estar à beira...

Depois de analisar a literatura de Rubem Fonseca em setembro, o Desafio Literário deixa o território brasileiro, atravessa a Cordilheira dos Andes e chega ao Chile. A escritora que será estudada em outubro no Bonas Histórias é Isabel Allende, uma das vozes latino-americanas mais populares da atualidade. Traduzida para quatro dezenas de idiomas e com mais de 70 milhões de livros vendidos, Allende é a autora viva de língua espanhola mais lida no mundo. Ela é dona de best-sellers internacionais como “A Casa dos Espíritos” (Bertrand Brasil), “Eva Luna” (Bertrand Brasil) e “Paula” (Bertrand Brasil). É impossível falar da literatura contemporânea sul-americana sem citar o nome de Isabel Allende.

Nascida em Lima, no Peru, em agosto de 1942, quando seu pai, Tomás Allende, trabalhava como diplomata, Isabel tem a nacionalidade chilena. Atuando como jornalista desde os 17 anos, ela foi repórter de televisão, redatora e editora de revista em Santiago até o golpe militar de 1973. Sobrinha...

Neste final de semana, li um livro que há muito tempo estava curioso para conhecer. “Bonsai” (Cosac Naify) é a premiada novela de Alejandro Zambra, poeta, ensaísta, contista e novelista chileno. Esta obra representou a estreia do escritor no universo da prosa. Até então, Zambra só tinha lançado coletâneas poéticas, sua especialidade até aquele momento. “Bahía Inútil” (Sem edição em português), de 1998, e “Mudanza” (Também sem edição no Brasil), de 2003, foram publicados no Chile por pequenas editoras de Santiago. Ambos os livros não tiveram grande repercussão nem de crítica nem de público. Contudo, com a chegada de “Bonsai” nas livrarias do país, a história foi completamente diferente. Não é errado afirmarmos que a primeira história em prosa do jovem escritor chileno representou uma guinada de 180 graus em sua carreira literária. Ficava para trás o poeta desconhecido no Chile e surgia o prosador reverenciado pelo público e pela crítica internacional.

Publicado em 2006, “Bonsai...

Quando se fala, no Brasil, em Roberto Bolaño (sem o "s" no final do sobrenome), muita gente pensa automaticamente em Roberto Bolaños (com o "s"). Não confundamos alhos com bugalhos, por favor! O primeiro é o escritor chileno que morreu precocemente em 2003, com apenas 50 anos de idade. Bolaño é um dos autores sul-americanos mais cultuados da segunda metade do século XX. Seu estilo influenciou muitos escritores da atualidade e suas obras conquistaram muitos fãs no mundo inteiro. Por sua vez, Bolaños (repare no aparecimento do "s") é o comediante mexicano que ficou famoso na América Latina interpretando os personagens Chaves e Chapolin em programas de TV homônimos. Por mais intensos que sejam os pesares dos adoradores de Chespirito, como o mexicano é chamado nos países de língua espanhola, esse quase xará do chileno não será analisado hoje no Blog Bonas Histórias. Vamos falar aqui exclusivamente de literatura.

Estou falando de Roberto Bolano (o chileno) nesta quarta-feira porque...

O quinto livro de Pablo Neruda que me propus a conhecer neste Desafio Literário de julho foi "Confesso que Vivi" (Difel), sua obra de memórias. Li a autobiografia do poeta chileno nesse final de semana. Em cerca de 350 páginas, Neruda narra os principais episódios de sua vida, da infância até a velhice. Escrito ao longo de vários anos pelo autor, o livro foi publicado pela primeira vez em 1974, alguns meses após a morte do chileno. Ou seja, a obra consegue percorrer toda a vida do poeta, até momentos antes do seu falecimento.

Dividido em doze capítulos, "Confesso que Vivi" segue uma ordem cronológica. Apesar de o autor deixar claro no início que contará a sua história embalado por suas lembranças, a publicação segue uma linha temporal. Após algumas partes introdutórias sobre a infância e adolescência do poeta, chegamos à fase adulta. Ela inicia-se quando Neruda deixa o interior chileno e se muda para a capital Santiago, onde vai fazer faculdade. Concluído o curso, Pablo Neruda...

No último final de semana, li "Canto Geral" (Bertrand Brasil), um dos principais livros de Pablo Neruda. O próprio autor considerava esta a principal obra de sua carreira. Escrito no final da década de 1940, o livro apresenta a história do continente americano em uma perspectiva inovadora. Os versos denunciam as injustiças históricas que os países da América Latina sofreram ao longo dos séculos. Vilões e heróis são reclassificados a partir da perspectiva do poeta.  

Publicado oficialmente no México em 1950 e clandestinamente no Chile no mesmo ano, "Canto Geral" se transformou em um clássico da literatura hispano-americana e mundial. Neruda escreveu os versos dessa obra quando fugia do Chile. Ele precisou atravessar a cordilheira dos Andes para entrar no território argentino. O poeta, nessa fase de sua vida, era perseguido pelo governo chileno. Sempre identificado com o partido comunista, ele teve seu mandato de senador da República cassado e viveu foragido quando a ditadura de...

Li, ontem à noite, a terceira obra de Pablo Neruda do Desafio Literário deste mês. “Cem Sonetos de Amor” é o principal livro da carreira do poeta chileno. Publicada originalmente em 1959, a coletânea de poemas amorosos tornou-se uma peça da cultura ocidental. Alguns dos seus versos foram musicalizados por Peter Lieberson e outros foram citados pelo protagonista no filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso” (Patch Adams: 1998) para demonstrar o amor que sentia pela mulher desejada.

“Cem Sonetos de Amor” é dedicado a Matilde Urrutia, a terceira e última esposa do Nobel de Literatura. Matilde, uma soprano chilena, conheceu o poeta quando ele morava no México e trabalhava como diplomata. Nessa fase, ele era casado com Delia. Nem mesmo o matrimônio dele impediu os dois de iniciarem um tórrido romance. A relação extraconjugal se transformou em casamento quando ambos voltaram para o Chile. O túmulo do casal está até hoje na casa de Isla Negra, morada onde viveram entre 1966 e 1973 (an...

Nesse domingo, li mais um livro de Pablo Neruda. "Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada" (Martins) foi a primeira grande obra do chileno. Publicada em 1924, ela foi escrita quando o poeta tinha apenas vinte anos de idade. Seu conteúdo está relacionado aos primeiros amores e, por consequência, as primeiras desilusões afetivas do escritor. 

Nessa publicação, Neruda relaciona o erotismo do corpo feminino aos fenômenos da natureza. O amor inocente e puro do poeta parece invocar o mundo externo em uma perfeita comunhão estética. A representação dos sentimentos das primeiras relações amorosas de Neruda surge metaforicamente encenada pela fauna e flora local.

Assim, a solidão resultante da ausência da amada é comparável ao escurecer provocado pelo crepúsculo. Os beijos e os carinhos a dois são como a produção de mel pelas abelhas. A dependência atiçada pelo amor intenso é parecida com a necessidade de ar e de alimento pelos seres vivos. A doçura das partes do corpo da mulher é...

Curiosamente, começarei a leitura das poesias de Pablo Neruda por uma de suas últimas obras. "Ainda" (José Olympio) foi publicado um pouco antes da morte do poeta ocorrida em 1973. O livro é enxuto (77 páginas) e possui apenas vinte e oito poemas. É possível lê-lo em um quarto de hora. Escrito quando o escritor chileno estava idoso e exilado na Europa, essa publicação narra as impressões saudosistas de Neruda sobre sua terra natal.

Surge, então, o Chile que o escritor conheceu em sua infância e adolescência. Acompanhando o pai que era maquinista de trem, o jovem Neruda pode conhecer de perto, nas primeiras décadas do século XX, as várias regiões de seu país: Temuco, Yumbel, Angol, Boroa, o vulcão Osorno e a baleeira de Quintay. Há também muitas citações à Araucânia, onde ele nasceu e cresceu.

Para se apreciar a leitura de "Ainda", é preciso lê-lo de maneira contínua (em uma batida só). Os poemas não são independentes, mas sim interligados entre si. Esse é o primeiro aspecto que...

Please reload

Bonas Histórias

O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

bonashistorias.com.br

Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

Bonas Histórias | blog de literatura, cultura e entretenimento | bonashistorias.com.br

Blog de literatura, cultura e entretenimento