• Ricardo Bonacorci

Filmes: Taxi Teerã - A nova produção de Jafar Panahi


Para quem não conhece o cineasta iraniano Jafar Panahi, ele ficou internacionalmente conhecido por dois motivos. O primeiro foi pela premiação dos seus filmes nos principais festivais de cinema. O “Balão Branco” (Badkonake Sefid: 1995) recebeu o Câmera de Ouro do Festival de Cannes, o “Espelho” (Ayneh: 1997) ganhou o Leopardo de Ouro do Festival de Locarno, o “Círculo” (Dayereh: 2000) foi premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza e “Ouro Carmim” (Talaye Sorkh: 2003) recebeu o prêmio do júri no Festival de Cannes. Ou seja, Panahi se tornou um dos cineastas mais respeitados do seu país.

O outro motivo foi a censura imposta pelo governo iraniano ao seu trabalho, que gerou indignação da comunidade internacional e dos profissionais do meio cinematográfico. Após criticar a teocracia imposta no Irã e apoiar em 2009 os movimentos por mudanças, Jafar Panahi passou a ser perseguidos pelas autoridades locais. Após um período passado na prisão, o cineasta teve sua obra censurada e foi proibido de voltar a filmar em seu país. Em prisão domiciliar, Panahi filmou, em 2011, “Isto Não é um Filme” (In Film Nist: 2011), quando retratou sua vida passada inteiramente dentro de casa, criticando indiretamente a proibição de não poder colocar os pés fora de casa.

Agora chega ao Brasil a mais nova produção de Panahi, “Taxi Teerã” (Taxi: 2015). Se em “Isto Não é um Filme” o cineasta passava o tempo inteiro no interior da sua residência, desta vez o palco é o interior de um táxi. Circulando pela capital da nação, Panahi pega vários passageiros que retratam o dia a dia do seu país: o homem que afirma levar a vida roubando as pessoas, a moça que é contra a pena de morte, as idosas que acreditam no misticismo local, a sobrinha que deseja se tornar cineasta, o vendedor de filmes piratas e uma infinidade de tipos engraçados.

Apesar de parecer um documentário, nota-se que o filme é ficcional. A interpretação dos atores e seus textos críticos são difíceis de serem encontrados em uma filmagem de cidadãos espontaneamente. Mesmo assim, é bem interessante os assuntos debatidos nas cenas. Fala-se muito de política, de costumes, de liberdade de expressão e do papel do cinema na sociedade. Apesar de estar quase o tempo inteiro em cena, Panahi consegue ficar em segundo plano, dando destaque para os demais atores expressarem seus papéis.

Para quem está acostumado com filmes mais ágeis e sem tantos diálogos profundos (típicos do cinema iraniano) pode estranhar o ritmo da narrativa e achar o longa-metragem meio cansativo. Ouvi algumas pessoas roncando durante a sessão de cinema em que estive. Mesmo assim, eu gosto deste tipo de filme. A ação, neste caso, está nos diálogos e na mensagem das palavras.

É muito legal ver as diferenças de costumes entre os povos. O que mais choca no filme, por exemplo, é que várias pessoas diferentes podem pegar o mesmo táxi simultaneamente. “Como assim?!”, muitos podem se perguntar. Sim, no Irã, principalmente em Teerã, o táxi é um misto de transporte particular e público. Enquanto um passageiro está sendo levado para um lugar, outros podem aproveitar o trajeto para chegar onde desejam. É muito engraçado isso. Outro aspecto que chama atenção é a tranquilidade em que os taxistas param os carros no meio da rua, sem se preocupar com os demais motoristas.

“Taxi Teerã” é um belo filme. Ao mesmo tempo que retrata o seu país com objetividade, ele também promove um debate interessante sobre o papel do cineasta e do cinema na sociedade. O ponto alto do longa-metragem é o diálogo de Jafar Panahi com sua sobrinha. Sensacional! Com uma inocência típica da infância, a menina esculacha o governo e dá uma aula sobre cinema. O final do filme também é interessante e um tanto surpreendente.

Gostei de “Taxi Teerã”. Para quem não fica entediado facilmente, eu recomendo.

Veja o trailer de “Taxi Teerã”:

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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