• Ricardo Bonacorci

Livros: Carreira Sustentável - Profissionais com Inteligência Mercadológica


Um conceito interessante que li no livro de José Augusto Minarelli chamado "Carreira Sustentável" (Editora Gente) é o da Inteligência Mercadológico. Inteligência Mercadológica, para o autor, é a habilidade do indivíduo de perceber e de atender às necessidades e aos desejos do mercado consumidor extraindo vantagens financeiras deste processo. A partir da identificação das vontades das pessoas e das empresas é possível desenvolver serviços profissionais que resolvam os problemas dos outros. Assim, aproveitam-se as oportunidades de negócios existentes para gerar faturamento. Em outras palavras, Inteligência Mercadológica é quando a pessoa tem consciência dos "verdadeiros" conceitos de Marketing e os utiliza no dia a dia para fechar mais negócios.

Um profissional com este tipo de habilidade consegue se destacar no mercado de trabalho por promover trocas satisfatórias com seus clientes. Ele está mais integrado aos demais agentes do mercado e consegue trafegar com mais facilidade nas diferentes relações comerciais estabelecidas neste ambiente. Ele percebe oportunidades, promove soluções e acompanha atentamente a evolução da demanda. Também fica com sua marca (seu nome) em evidência, criando uma fama e uma reputação positiva para si. O esforço para promover-se e para comunicar seus produtos é digno de nota. Todo local, todo encontro, todo interlocutor e todo instante são ideais para se realizar a divulgação da sua marca e dos serviços prestados.

Esta pessoa se faz conhecida e lembrada pelos clientes. Ela sabe vender ideias e produtos, se destacando como um bom vendedor dos seus próprios serviços profissionais. De tão segura de si e ciente da importância da prestação dos seus serviços, ela não tem vergonha de oferecer sua mão de obra para o mercado. E sabe cobrar adequadamente pelo que é ofertado. Além disso, este profissional fica de olho, o tempo inteiro, nos fatores que lhe garantem sua permanência e sua boa posição no mercado. Mede constantemente a satisfação dos clientes e se esforça para agradar cada vez mais sua clientela.

A capacidade de utilizar os conceitos mercadológicos é considerada um tipo de inteligência pessoal segundo uma extensão, aqui proposta, das múltiplas inteligências desenvolvidas por Daniel Goleman. Daniel Goleman é um psicólogo formado pela Universidade de Harvard que desenvolveu, na década de 1980, o conceito da Inteligência Emocional. De acordo com esta teoria, as pessoas possuem vários tipos de inteligência (inteligências múltiplas) e cada um deles proporciona uma determina habilidade para o indivíduo. Esta concepção veio atualizar a proposta anterior de que a inteligência de uma pessoa era medida exclusivamente pelo raciocínio lógico e pelas habilidades matemáticas e espaciais.

O professor Howard Gardner complementou a teoria de Goleman, estabelecendo os sete centros (ou tipos) de inteligência: Linguística (capacidade de ler, escrever e de se comunicar através de palavras), Lógica ou Matemática (capacidade de fazer contas e de raciocinar), Musical (capacidade de perceber o ritmo, o som e a melodia), Visual ou Espacial (controle da noção de espaço, volume e perspectiva), Sinestésica (domínio sobre os sentidos do próprio corpo), Interpessoal (estabelecer e manter relacionamentos entre as pessoas) e Intrapessoal (capacidade de conhecer a si mesmo, suas emoções e pensamentos).

Assim, o conhecimento de uma pessoa e sua capacidade intelectual não estão limitados ao raciocínio lógico e as habilidades matemáticas e espaciais (calculados pelo famoso teste de Q.I. - Quociente de Inteligência). A Inteligência do ser humano está dividida em várias categorias distintas, sendo bem variada.

Pelé, por exemplo, o melhor jogador de futebol de todos os tempos, tinha grande Inteligência Visual/Espacial. Ele tinha total controle dos seus movimentos e conseguia ter a exata noção de espaço, de volume e de perspectiva do campo de jogo. Ele fazia gols, driblava e dava passes geniais com grande facilidade. O que ele fazia naturalmente dentro das quatro linhas, os demais jogadores tinham (e têm) muita dificuldade para realizar. Entretanto, Édson Arantes do Nascimento não tinha (tem) habilidade musical. Cantar nunca foi a sua grande virtude. Quem teve grande Inteligência Musical foi Mozart, compositor que conseguiu criar e tocar músicas de forma primorosa. Com apenas cinco anos de idade, o austríaco já compunha e se apresentava para as principais realezas europeias do século XVIII, encantando a todos com suas melodias e o seu talento precoce. Porém, Wolfgand Amadeus Mozart não tinha uma capacidade interpessoal muito desenvolvida. Ele tinha sérias dificuldades para se relacionar com as pessoas a sua volta.

Quem teve vasta Inteligência Interpessoal foi o primeiro ministro inglês Winston Churchill. Ele sabia se comunicar e negociar com grande desenvoltura. Apesar das situações complexas e críticas nas quais esteve envolvido, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, ele se saía muito bem quando precisava interagir com outros indivíduos. Contudo, Winston Churchill não tinha uma Inteligência Lógico/Matemática muito desenvolvida. Quem teve esse tipo de habilidade foi Isaac Newton. O físico, que viveu entre os séculos XVII e XVIII, revolucionou a ciência com suas teorias. Sua principal obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, descreve a lei da gravitação universal e explica as "Três Leis de Newton", base para a mecânica clássica.

É possível perceber, com estes exemplos, como cada uma das personalidades relacionadas acima conseguiu se destacar no campo em que tinha habilidade natural e grande inteligência específica, apesar das limitações nos outros campos. O que Goleman e Gardner se esqueceram de incluir em sua teoria foi a Inteligência Mercadológica. Assim como um jogador de futebol precisa da Inteligência Visual/Espacial, assim como um músico precisa da Inteligência Musical, um político precisa da Inteligência Interpessoal e um físico precisa da Inteligência Lógico/Matemática, um profissional inserido no mercado de trabalho precisa da Inteligência Mercadológica para crescer e prosperar.

A Inteligência Mercadológica pode ser comparada a um software mental que o profissional carrega o tempo todo com ele. É através deste software que ele enxerga o mundo a sua volta, analisa as situações do ambiente externo, se relaciona com as pessoas e toma suas decisões. Na ausência da competência mercadológica, a pessoa acaba não conseguindo identificar a sua volta uma extensa gama de oportunidades que poderia render-lhe trabalho e remuneração. Por outro lado, quando o indivíduo possui esse componente aflorado dentro de si, ele se torna um empreendedor, transformando-se em proprietário de empresas de prestação de serviço ou de produtoras de bens de consumo. Normalmente, ele acaba contratando para trabalhar com ele as pessoas sem Inteligência Mercadológica, para atuarem em tarefas operacionais e ligadas à execução dos processos.

Existem graus variados de Inteligência Mercadológica. Há profissionais com baixo nível, outros com nível intermediário e alguns com elevado patamar de competência em Marketing. Infelizmente, a maioria das pessoas, em nossa sociedade, possui baixíssimo grau deste tipo de inteligência. Elas estão mais preocupadas em atender às suas próprias necessidades e em satisfazer aos seus próprios desejos do que se voltar para entender as vontades dos outros. Essas pessoas não veem o trabalho como um ato de servir. Não conseguem olhar para o mercado de trabalho como um local com potencial de obter negócios rentáveis e duradouros. Elas vão atrás apenas das vagas formais de emprego, se esquecendo da infinidade de trabalhos e de remunerações que existem no mercado.

A ausência ou o baixo grau de Inteligência Mercadológica não quer dizer que estes profissionais não tenham desenvolvido os outros tipos de competências apontados por Goleman e Gardner. É comum encontrarmos pessoas com elevadíssimo nível de Inteligência Linguística, Lógico/Matemática, Musical, Visual/Espacial, Sinestésica, Interpessoal ou Intrapessoal, mas com limitações no Marketing. E aí está o elemento chave que impede ou atrapalha a ascensão profissional destes indivíduos. Sem o conhecimento e o uso dos conceitos de Marketing, fica difícil a conquista de clientes e o progresso do negócio próprio, seja a venda dos serviços profissionalizantes ou a viabilização de um empreendimento comercial.

Para desenvolver a Inteligência Mercadológica, José Augusto Minarelli afirma que o profissional precisa mudar seu modelo mental. Por isso, na maioria das vezes, não é fácil efetuar esse aprendizado. O aprendizado mais complexo e difícil para o ser humano é aquele ligado aos hábitos e à concepção do mundo que o indivíduo carrega dentro de si.

Apesar disso, desenvolver a Inteligência Mercadológica vale a pena. Ela traz benefícios reais para quem a assimila e, principalmente, para quem a aplica no dia a dia: diferencia os profissionais aos olhos dos clientes, garante longevidade ao exercício da profissão ou na administração do empreendimento comercial, melhora o relacionamento com os consumidores, eleva a satisfação dos compradores e propicia uma quantidade maior de vendas e de negócios gerados. Para os profissionais experientes, a Inteligência Mercadológica representa sobrevivência e perenidade na carreira. Para os novatos, é fator que facilita o ingresso ao mercado de trabalho, tanto como empregado quanto como prestador de serviços.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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