• Ricardo Bonacorci

Especial: O cinema de Jorge Amado - Análise dos filmes


Quando falamos no Cinema de Jorge Amado, pode-se pensar, inicialmente, que se trata do conjunto das obras cinematográficas de um cineasta ou de um diretor da sétima arte. Esta expressão "Cinema de fulano de tal" é realmente mais comum de ser empregada para cineastas, diretores, produtores e atores que trabalharam neste tipo de produção. No caso de Jorge Amado e do uso deste termo nesta análise crítica se deve a importância das adaptações das histórias do escritor baiano para as telas. Jorge apenas participou como roteirista em alguns destes filmes, adaptando o texto literário para a versão cinematográfica. Mesmo assim, o alcance dos seus filmes (ou melhor, dos filmes com as suas histórias) para a cultura brasileira é de uma dimensão inimaginável.

Ao todo foram dez filmes feitos baseados nas obras de Amado. Destes, oito são nacionais: "Terra Violenta" (1948), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "Tenda dos Milagres" (1977), "Gabriela" (1983), "Jubiabá" (1987), "Tieta do Agreste" (1996), "Quincas Berro D'Água" (2010) e "Capitães da Areia" (2011). E outros dois são estrangeiros: "Kiss Me Goodbye" (1982) é uma produção norte-americana baseada em "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Miracoli e Peccati di Santa Tieta D'Agreste" (1996), produção ítalo-franco-teuto-hispano-brasileiro baseado em "Tieta do Agreste".

Além do cinema, muitas destas histórias também se transformaram em minisséries e novelas televisivas no Brasil: "Gabriela" (1975), "Terras do Sem Fim" (1981), "Tenda dos Milagres" (1985), "Tieta" (1989), "Capitães da Areia" (1989), "Tereza Batista" (1992), "Tocaia Grande" (1995), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1998), "Porto dos Milagres" (2001) e "Pastores da Noite" (2002).

O Cinema de Jorge Amado tem uma importância comparável a sua literatura, principalmente no Brasil onde as pessoas têm certa dificuldade para ler livros, mas adoram ficar na frente da televisão assistindo a uma produção cinematográfica ou a uma novela. Muitas das histórias do escritor baiano se incorporaram ao imaginário coletivo da população por causa destas adaptações para a tela. Mesmo mais de trinta anos depois, muita gente se lembra de José Wilker desfilando pelado pelas ruas de Salvador de mão dada com Sônia Braga ("Dona Flor e Seus Dois Maridos") ou com ambos deitados na cama ao lado de Mauro Mendonça (também em "Dona Flor e Seus Dois Maridos"). Uma das cenas clássicas das telenovelas brasileiras é Sônia Braga, como Gabriela, no alto do telhado de sua casa, chamando a atenção dos homens que passavam lá em baixo ("Gabriela"). Detalhe curioso: esta passagem não consta na obra literária de Jorge Amado.

Assim, o cinema de Jorge Amado, principalmente aquele da década de 1970 e 1980, é muito popular e contundente. As duas fases do escritor estão contempladas nessas adaptações: a primeira, com críticas sociais, e a segunda, da moral de costumes. A grande maioria dos enredos respeitou quase que integralmente as narrativas dos livros.

E no cinema, também temos muitas das características de Jorge Amado: a sensualidade da mulata, a religiosidade africana, os debates de cunho político-econômico-social, o destaque para os personagens das classes sociais mais desfavorecidas, o culto à cultura popular (música, culinária, festas e religiosidade de origem africana), a denúncia social e o retrato da vida cotidiana da Bahia.

Os principais destaques dessas produções consideradas antigas (década de 1970 e 1980) vão para os filmes "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), segundo maior bilheteria do cinema brasileiro em toda a história, e "Gabriela" (1983) e para a novela "Tieta do Agreste" (1989), da Rede Globo, um dos maiores sucessos da emissora carioca.

Infelizmente, as produções mais recentes (as dos anos 2000 para cá) não tiverem muita repercussão, tendo seu alcance e seu impacto muito limitados.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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