• Ricardo Bonacorci

Peças Teatrais: Galileu Galilei - O carisma de Denise Fraga


Nesta Virada Cultural, a 12ª promovida pela Secretaria de Cultura de São Paulo, fui assistir à peça “Galileu Galilei”. A produção com direção de Cibele Forjaz, adaptada de “Leben des Galilei” de Bertolt Brecht, esteve em cartaz durante boa parte do ano passado aqui na cidade. Agora, ela voltou para uma curtíssima temporada de apenas duas semanas. No final de semana passado, ela foi apresentada no Teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro. Sexta, amanhã e domingo, o cenário será o João Caetano.

O destaque do elenco de “Galileu Galilei” é Denise Fraga, que interpreta o matemático e cientista italiano do século XVII. Afastada há alguns anos da televisão, a carismática atriz tem se dedicado prioritariamente às artes cênicas. Dos outros nove atores (seis homens e três mulheres) que compõe esse elenco, os mais conhecidos são Ary França, Vanderlei Bernardino e Lúcia Romano.

O enredo dessa história verídica se passa na primeira metade dos anos de 1600. Em Florença, o conceituado cientista Galileu Galilei faz descobertas importantíssimas sobre o sistema solar. Seus estudos e cálculos indicam que os planetas, os satélites e as estrelas não giram em volta da Terra, como se acreditava até então. Sua nova teoria aponta que o nosso planeta girava em torno do Sol.

A Igreja Católica, localizada em Roma, aceita em um primeiro momento as novas descobertas, validando o trabalho de Galileu. Contudo, quando os teólogos da instituição percebem o conflito que esse fato traria para a religião (o homem não estaria mais no centro do universo), eles voltam atrás. E exigem que o cientista faço o mesmo.

Galileu Galilei fica, então, diante de uma encruzilhada: descarta as descobertas realizadas pelos seus estudos e trabalhos de observação e fica vivo; ou reafirma o que acredita ser verdade e corre o risco de ser morto pela Inquisição. Sua decisão envolve sua família, a vida de sua filha e o relacionamento com seus amigos.

Apesar de ser uma história um tanto batida, a peça é muito interessante e dinâmica. As duas horas e meia (sem intervalo) de espetáculo passam rapidinhas. As cenas com muitos atores no palco, as várias mudanças de cenários e o avanço rápido da trama (a passagem dos anos é acelerada) tornam a produção bem cativante. É impossível desgrudar os olhos do palco.


Todos os atores estão excelentes em seus papéis. Não é preciso dizer que Denise Fraga está ótima como Galileu. A atriz global irradia carisma e interpreta magnificamente o cientista italiano da Renascença. Repare também nas atuações marcantes de Vanderlei Bernardino, Luís Mármora e Daniel Warren.

Em minha opinião, o ponto alto dessa produção está nos diálogos. O texto faz o público pensar, refletindo sobre o momento histórico e os dias de hoje. Essa ponte entre o passado e o presente se dá também pelas músicas. As canções são ótimas. A sacada de colocar canções contemporâneas na trama renascentista torna a peça mais irônica e reflexiva.

Os pontos negativos ficaram com a organização do teatro, o oportunismo de se fazer uma crítica política e algumas cenas de humor escrachado. No espetáculo dessa quinta-feira, acabaram entrando mais pessoas no teatro do que a sua capacidade. Como não furo fila, não empurro ninguém nem fico brigando por um acento, acabei ficando sem um lugar. Minha sorte é que tenho cara de pau. Não tendo onde me sentar, fui até o palco e me alojei ali do lado. Como não dei ouvidos para aqueles que quiserem me tirar dali, creio que acabei tendo uma visão privilegiada da peça. Praticamente assisti às cenas de dentro do palco. Incrível a experiência!

Em relação à crítica política, não achei pertinente a cena com o panelaço feita pelos atores nem pelo discurso engajado contra os antigos mandatários do país. Afinal, a intransigência e a censura da Igreja Católica em nada se parecessem com os mandos e desmandos do governo petista. Eu não vou a uma peça de teatro para saber a opinião política dos atores. Por isso, achei desnecessária essa interferência.

Quanto as cenas de humor escrachado, também as considerei um tanto apelativas. Apesar de considerar Ary França um excelente ator cômico, acho que alguns de seus papéis nessa peça fugiram da proposta do tema principal. Há peças em que cenas de humor pastelão são engraçadas e fazem parte do cenário. Definitivamente, não é o caso aqui.

Apesar de um deslize aqui e outro ali, achei muito boa essa peça. Quem estiver em São Paulo nesse feriadão prolongado, venha conferir os últimos dias dessa peça com conteúdo rico e dinâmica leve.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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