• Paulo Sousa

Contos: Histórias de Macambúzios - 10 - A Cidade um Pouco Mais Vertical


Os três homens conversavam calmamente, fumando, e sem preocupações com o tema ilegal em questão. O tenente-coronel Sampaio já estivera na casa algumas vezes, seja para os rendimentos de Mano Metido, seja para seu velório. Entretanto, achava que a casa ficara muito melhor e mais bonita cobrindo a parede branquíssima com cédulas de identidade de vários países diferentes.

“Elas são de 216 países diferentes, incluindo Mônaco e Palestina”, salientava sempre o orgulhoso colecionador de identidades, Júlio Rancoroso.

Os homens não estavam com pressa, é bem verdade que a calmaria reinava em Macambúzios. Podia-se até ouvir o cantar de pássaros, ou mesmo crianças jogando futebol em alguma ladeira. Mas Júlio aprendera a ser profissional, e em um determinado momento, voltou ao assunto, que se dispersou entre algumas digressões.

“Pois então, o Mano Metido tinha colocado esse cara, mas para mim foda-se”, disse. “Não tenho o rabo preso com ninguém, e se ele fez por merecer, que a sentença seja dada. Mas, por favor, não venha complicar muito as coisas.”

“Eu também não me importo. Você deve ser um ótimo ladrão para conseguir tanto dinheiro assim”, secundou tenente-coronel Sampaio, espantando com o volume de propina recebido.

“Obrigado, amanhã mesmo vou executar aquele professor experimental de merda”, bradou despreocupado o terceiro homem à roda, um homem de espírito livre chamado Laércio. “Nunca mais Epifânio vai fazer suas experiências. Afinal, aqui se faz, aqui se paga!”

Enquanto isso, não muito distante dali, um menino ria um pouco. Ainda sentia muita falta de seu eterno mestre, mas tentava criar laços com o novo professor da Escola Municipal Sr. Ernesto Macambúzio, cuja sede era a casa do querido e sonhador homônimo. Por enquanto, só tinha um aluno, mas mesmo assim o professor via no convite recebido uma segunda chance para seu experimento. Dessa vez, educando crianças de uma forma inovadora, baseada em geometria, história, política, oratória, filosofia e religiões comparadas.

“Professor, o senhor tem falado muito sobre história. Alguma vez a história se repetiu?”, pergunta Zica, cujo espírito curioso e incisivo se mantivera ao luto.

“Aprenda uma coisa, a história sempre se repete. É como um pêndulo, e no fundo, sempre trata das mesmas obviedades”, respondeu Epifânio, satisfeito e anotando todo o diálogo em um relatório confidencial.

Agradecimentos

Obviamente, agradeço em primeiro lugar aos meus pais, que me deram oportunidades de estudar e ampliar minha leitura do mundo de uma forma livre.

Falar de meus amigos também é outra obviedade. Alguns leram Histórias de Macambúzios ainda antes de ser lançado, e fizeram críticas positivas e cheias de elogios. Como se pode ver, eu tenho amigos muito fiéis. Citá-los nominalmente seria uma tarefa árdua, pois essa página não comportaria os nomes daqueles que me inspiraram e me deram apoio moral, e seria também injusto com os que porventura ficassem de fora por falhas naturais da memória.

Entretanto, da miríade de grandes amigos, cito Ricardo Bonacorci, pelos comentários literários e grande ajuda na divulgação deste livro, tarefas essenciais para minha incursão como escritor.

É como eu sempre digo, amigos são para essas coisas.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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