• Ricardo Bonacorci

Filmes: Passageiros - Ficção científica existencialista


Assisti, nesta quarta-feira, ao recém-lançado "Passageiros" (Passengers: 2016). Este filme do diretor norueguês Morten Tyldum, de "O Jogo da Imitação" (The Imitation Game: 2014) e "HeadHunters" (Hodejegerne: 2011), conta com os badalados Chris Pratt e Jennifer Lawrence como casal de protagonistas.

Em suas quase duas horas de duração, "Passageiros" mistura ficção científica, comédia romântica e muita ação. Esta combinação, que ainda tem a injeção de boa dose de filosofia existencialista, se mostra acertadíssima. Não tenho dúvidas que este longa-metragem é a melhor produção em cartaz, neste comecinho de ano, no circuito comercial dos cinemas brasileiros. Vale ressaltar que ainda não vi o elogiado "La La Land" (2016), que entrará em cartaz na próxima semana

A trama de "Passageiros" acontece em um futuro não determinado, quando viagens interplanetárias são corriqueiras para os seres humanos. Uma aeronave comercial sai da superpopulosa Terra e tem como destino um planeta recém-habitado que fica a cento e vinte anos de distância. Para viabilizar um deslocamento tão longo, todos os passageiros (cerca de cinco mil pessoas) e toda a tripulação (mais de duzentos indivíduos) foram alocados em cápsulas que os mantêm hibernando. Desta maneira, eles não envelhecem durante o translado interplanetário. Todos chegarão ao destino com a mesma idade que saíram da Terra. Passageiros e tripulantes serão despertados somente quando o veículo onde estão estiver próximo do novo planeta.

Sem comando humano, o sistema da nave é totalmente automatizado. Enquanto robôs inteligentes fazem os serviços de manutenção e de limpeza, os supercomputadores da aeronave cuidam dos detalhes operacionais da viagem e ficam com a responsabilidade de despertar os seres humanos no momento certo. A companhia fabricante do veículo espacial garante que seu sistema é imune às falhas. Nunca um problema ocorreu em toda a história da empresa.

Contudo, quando a viagem ainda está no começo ("só" se passaram vinte e poucos anos da partida da Terra), um dos passageiros é acordado por engano. Jim Preston (interpretado por Chris Pratt) é mecânico e desejava recomeçar a vida no novo planeta construindo e consertando coisas. Ele fica desesperado ao saber que faltam mais de noventa anos até sua chegada ao destino e que é o único ser humano acordado na nave. Jim até tenta voltar a hibernar, mas não consegue. Seu destino é passar o resto da vida na gigantesca aeronave sem companhia. Quando o veículo espacial desembarcar, provavelmente ele terá morrido de velhice.

No começo, o rapaz até tenta se divertir com as variadas opções à sua disposição (a aeronave é como um transatlântico em um cruzeiro, com centenas de atrações para seus passageiros). Porém, depois de um ano em completa solidão, Jim fica depressivo. Seu único amigo é um robô-garçom chamado Arthur (Michael Sheen), que oferece conselhos baseados em velhos clichês e em autoajuda barata.

Sem perspectivas, Jim acaba vendo uma bonita moça dormindo em uma das cápsulas de hibernação. Ele, então, investiga quem é ela. Trata-se de Aurora (Jennifer Lawrence), uma escritora nova-iorquina. Apaixonado platonicamente pela jovem, o mecânico acaba despertando-a manualmente. Sem saber que fora acordada propositadamente (acha que foi um novo erro do sistema do veículo especial), Aurora passa a viver com Jim na aeronave. Em pouco tempo, os dois se tornam um casal apaixonado, usufruindo as vantagens de uma paixão em um lugar tão pitoresco e sem a presença de ninguém.

Entretanto, a paz do casal tem seus dias contados. As falhas da aeronave começam a se tornar cada vez mais constantes e sérias, colocando a vida dos que estão acordados e dos que estão hibernando em risco.

Gostei muito deste filme. Sinceramente, esperava um longa-metragem bobinho. Acreditava que haviam colocado um casal bonitinho para agradar nossos olhos enquanto presenciávamos uma história mediana e meramente requentada de outras ficções científicas anteriores. Porém, não é isso o que recebemos do diretor Tyldum. "Passageiros" consegue realmente empolgar a plateia. Sua trama é muito bem construída e complexa, com algumas reviravoltas. Sua mensagem existencialista, apesar de pueril, é perfeita para os dias de hoje.

O principal ponto positivo desta produção é seu roteiro. Escrito há mais de dez anos por Jon Spaihts, norte-americano especializado em ficções científicas, o roteiro de "Passageiros" fora apontado como um dos melhores do cinema atual, em premiações do gênero, enquanto ainda estava no papel.

Outro aspecto que merece elogio é o dos efeitos especiais. A cena em que Jennifer Lawrence está nadando na piscina e falta gravidade é espetacular. Além disso, a constituição da aeronave e a caracterização dos sistemas computacionais de bordo são bastante verossímeis. As perspectivas em três dimensões também oferecem uma experiência interessante à plateia. Este é daquele tipo de filme para se assistir em uma sala 3D.

É impossível não falarmos da atuação do casal de protagonista. Chris Pratt e Jennifer Lawrence monopolizam quase todas as cenas do filme (afinal, este é um longa-metragem com pouquíssimas personagens). A química do casal e o carisma que cada um deles carrega para seus trabalhos fazem com que a plateia não se incomode com suas presenças excessivas na tela. Pelo contrário, o público parece adorá-los cada vez mais.

"Passageiros" tem praticamente três partes distintas. Em seu começo, prevalece o lado ficção científica da trama. Na metade do filme, o enredo se transforma é uma (boa) comédia romântica. O desfecho é recheado de cenas de ação e de suspense. É neste ponto que o longa-metragem ganha em adrenalina e emoção.

Curiosamente, ao final da sessão, saí do cinema com a sensação de déjà vu. Apesar do roteiro do filme ser bem original, tive a impressão de já tê-lo visto, em partes, em outras produções. "Alien - O Oitavo Passageiro" (Alien: 1979), "O Náufrago" (Cast Away: 2000), "Gravidade" (Gravity: 2013) e "Perdido em Marte" (The Martian: 2015) foram alguns longas-metragens que me vieram à mente. Talvez "Passageiro" seja uma mistura de todos eles com uma pitada do mito de Adão e Eva.

De qualquer forma, trata-se de uma ótima produção. Em um começo de ano tão chocho e carente de bons filmes, "Passageiros" propicia diversão na medida certa para quem deseja ir aos cinemas em janeiro. Veja o trailer do filme:

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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