• Ricardo Bonacorci

Filmes: Janela Indiscreta - A janela mais famosa da história do cinema


No feriado de 9 de julho, assisti ao clássico "Janela Indiscreta" (Rear Window: 1954), uma das mais celebradas produções de Alfred Hitchcock. Eu já havia visto este filme há mais de quinze anos e me lembrava de muitas de suas cenas marcantes.

Com James Stewart e Grace Kelly como protagonistas, o longa-metragem foi indicado ao Oscar de 1955 em quatro categorias: melhor diretor, melhor roteiro, melhor fotografia e melhor som. Assim como aconteceu com algumas produções de Hitchcock, "Janela Indiscreta" ficou inacessível ao público por algumas décadas, pois seus direitos autorais foram cedidos à filha do diretor como herança. O problema foi resolvido na década de 1980, permitindo que ele voltasse a ser exibido.

"Janela Indiscreta" começa com o fotógrafo L. B. Jeffries (James Stewart) em uma cadeira de rodas em seu apartamento no Greenwich Village, em Nova York. Com o pé engessado, ele não pode fazer nada. Como passatempo, resta ficar olhando seus vizinhos pela janela. Apesar dos protestos da namorada Lisa (Grace Kelly) e da massagista Stella (Thelma Ritter), Jeffries persiste com o novo hábito. Ele arranja até um binóculo para melhorar a visão das residências ao redor da sua.

O tédio daquela rotina monótona transforma-se bruscamente quando o fotógrafo acredita ter presenciado, em uma madrugada chuvosa, um assassinato. No apartamento em frente, o marido parece ter matado a esposa doente e se livrado do corpo dela. Neste instante, começa efetivamente o filme. Sem poder sair de casa, Jeffries mobiliza a namorada e os amigos para investigarem o episódio. Enquanto conta com a colaboração dos outros para descobrir o que aconteceu, o homem que não sai da janela precisa convencer a todos do que realmente viu. Nem mesmo ele tem certeza absoluta de ter visto alguém ser assassinado.

O grande mérito de "Janela Indiscreta" está em transformar uma história simples e aparentemente banal em uma excelente trama de mistério. As cenas são filmadas em um único ambiente: o apartamento do protagonista. Ele não sai dali durante todo o longa-metragem, participando de todas as tomadas. A princípio, pode parecer impossível conferir ação ao filme com esta característica, mas a genialidade de Hitchcock e o ótimo roteiro conseguem prender a atenção do público durante toda produção.

O suspense é provocado, em parte, pela arquitetura do prédio de Jeffries e de seus vizinhos. Boa parcela dos US$ 2 milhões investidos no longa-metragem foi destinada à produção da cidade cenográfica. Apesar do quarteirão onde a história acontece ter sido inspirado em uma localidade real de Nova York, tudo ali é fictício.

Outro importante ponto para a criação e manutenção do clima de tensão durante quase todo o filme é a trilha sonora. Franz Waxman, responsável por esta parte do filme, utilizou músicas antigas suas para produzir a canção que instiga a história.

Além disso, o mistério se houve ou não um assassinato sai da tela e atinge também o expectador. Assim como as personagens, não sabemos o que é verdade e o que é imaginação. Desta maneira, também criamos nossas próprias teorias do que aconteceu e passamos a investigar os fatos por nossa conta.

É verdade que o primeiro quarto do filme é lento e um pouco cansativo. A falta de ação pode incomodar quem é mais agitado e quem exige sempre sequências sucessivas de ação. Contudo, à medida que a história vai se desenrolando, a trama vai se tornando cada vez melhor, até desembocar em um final eletrizante.

O bom humor está presente do início ao fim. Destaque para os diálogos provocantes entre as personagens. Parece que o protagonista quer irritar quem está a sua volta e todos querem irritá-lo. A ironia sutil ajuda a manter um clima agradável no meio de todo o suspense.

É muito legal ver James Stewart e Grace Kelly juntos. Este foi um dos poucos filmes feitos pela Princesa de Mônaco. A carreira de Grace Kelly foi curta, porém intensa. Em apenas seis anos como atriz, ela fez onze longas-metragens (quase dois por ano) e conquistou um Oscar - melhor atriz principal, em 1955, com "Amar é Sofrer" (The Country Girl: 1954).

A fotografia do filme também é muito boa, principalmente com o colorido feito pela Technicolor. A visão da janela do apartamento do protagonista é a chave para todo o enredo.

"Janela Indiscreta" é um ótimo filme e merece ser visto e revisto pelos cinéfilos. Trata-se de uma das grandes obras-primas produzidas por Alfred Hitchcock. Veja, a seguir, uma apresentação do filme:

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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