• Ricardo Bonacorci

Desafio Literário de outubro/2018: Patricia Highsmith


Em outubro, o Bonas Histórias analisará, no Desafio Literário, a literatura de Patricia Highsmith. A escritora norte-americana é especializada na produção de narrativas policiais do tipo noir. Alguns críticos e teóricos da literatura classificam também esse subgênero policial como Romance Negro ou Brutalista. Seja qual for o nome dado, Patricia Highsmith é considerada uma das principais figuras desse tipo de literatura da segunda metade do século XX. Seu portfólio artístico abrange 22 romances e 8 coletâneas de contos, além de mais de 8 mil páginas com crônicas e relatos de sua vida.

Em 1991, quatro anos antes de falecer, a escritora foi candidata ao Nobel de Literatura. A vencedora naquela oportunidade foi a sul-africana Nadine Gordimer, autora crítica do Apartheid em seu país. Apesar de não ter conquistado o Nobel, Patricia Highsmith colecionou vários e importantes prêmios internacionais ao longo de sua carreira. O jornal britânico The Times, por exemplo, elegeu-a, em 2008, como a melhor escritora de romances policiais do século XX.

Patricia Highsmith nasceu no Texas, em 1921, com o nome de batismo de Mary Patricia Plangma. Seus pais se separaram antes que ela nascesse. Ainda criança foi morar com a mãe e o padrasto em Nova York, cidade onde ambientou boa parte dos seus romances. Foi do padrasto que ela adotou o sobrenome que a tornaria famosa, Highsmith. Patricia só viria conhecer pessoalmente o pai biológico aos 12 anos de idade.

Na década de 1940, a jovem Patricia Highsmith formou-se em Cultura Inglesa, Dramaturgia e Prosa Curta e começou a trabalhar como roteirista em uma editora de histórias em quadrinhos. Nessa época, iniciou na literatura escrevendo seus primeiros contos policiais. Alguns deles chegaram a ser editados em revistas especializadas, mas a receptividade da crítica e do público foi modesta.

Seu primeiro romance foi “Pacto Sinistro” (Nova Fronteira), publicado em 1950. A estreia de Highsmith nas narrativas longas foi tão exitosa que, já no ano seguinte, essa história foi adaptada para o cinema por ninguém menos do que Alfred Hitchcock. O longa-metragem “Pacto Sinistro” (Strangers on a Train: 1951) é até hoje um dos principais trabalhos do mestre do suspense.

Homossexual, Patricia Highsmith tentou aplacar por certo tempo seu desejo por mulheres fazendo psicanálise e tentando engatar relacionamentos com homens. A empreitada, obviamente, não deu certo. Em 1952, a escritora lançou seu segundo romance, “Preço do Sal”, com o pseudônimo de Claire Morgan. Por muitas décadas, Patricia negou a autoria do livro. Em 1990, o romance mudaria de título, passando a se chamar “Carol” (L&PM Pocket). Nessa trama semiautobiográfica, duas mulheres se conhecem em uma loja de departamentos em Nova York e se apaixonam. A obra é considerada um dos marcos da literatura lésbica em língua inglesa. Em 2015, um filme com essa história foi lançado no cinema pelo diretor norte-americano Todd Haynes. O orçamento do longa-metragem foi de US$ 12 milhões.

Em 1955, foi publicado “O Talentoso Ripley” (Companhia de Bolso), quarto romance da autora. Este foi o livro de maior sucesso de Patricia Highsmith. As aventuras de Tom Ripley, um anti-herói trambiqueiro e sanguinário, viraram nas décadas seguintes uma série literária. “Ripley Subterrâneo” (Companhia das Letras), de 1970, deu sequência à narrativa do serial killer que se safava da polícia. Depois deste livro, mais três títulos abordaram a vida de Tom Ripley: “O Jogo de Ripley”, de 1974, “O Garoto que Seguiu Ripley”, de 1980, e “Ripley Debaixo D´Água”, de 1991.

As obras da série, apelidada pelos fãs de “The Ripliad”, venderam milhões de cópias no mundo inteiro. No final da década de 1990, o livro inicial da série foi adaptado para o cinema pelo britânico Anthony Minghella. O longa-metragem recebeu várias indicações para o Oscar e para o Globo de Ouro. Era mais um filme de sucesso baseado em um romance de Highsmith. Além de “Pacto Sinistro”, “Carol” e “O Talentoso Ripley”, “O Sol Sob Testemunha” e “O Amigo Americano” também ganharam as telonas.

Já no final da carreira de Highsmith, foi lançado um livro de contos chamado “O Álibi Perfeito” (Biblioteca Visão). A obra com cinco pequenas narrativas policiais escritas pela norte-americana nas décadas anteriores foi lançada em 1993. Nessa época, Patricia Highsmith já vivia há anos na Europa. Ela deixou os Estados Unidos em 1963 e passou a morar em vários países do Velho Continente. Primeiramente, viveu na Itália. Depois, se mudou para Inglaterra, França e, por fim, Suíça. Foi em uma cidade suíça que a autora morreu.

O último romance de Highsmith é “Small G” (Mandarim), de 1995. O livro chegou às livrarias um mês após o falecimento da escritora norte-americana. A curiosidade sobre “Small G” é que a obra foi lançada primeiramente na Europa e não nos Estados Unidos. A editora de Patricia na América do Norte recusou-se a publicar esse título, duvidando da qualidade de sua narrativa e de seu potencial editorial.

Para montar o perfil literário de Patricia Highsmith para este Desafio Literário, irei ler e analisar durante o mês de outubro seis livros da autora. Começarei com romance “Pacto Sinistro”, cujo post estará disponível aqui no Blog Bonas Histórias no dia 6. “Carol” será comentado no dia 10. Na sequência, teremos as discussões das duas primeiras obras da série “The Ripliad”. “O Talentoso Ripley” e “Ripley Subterrâneo” serão analisados, respectivamente, nos dias 14 e 18 de outubro. Para terminar o Desafio, ainda teremos posts sobre “O Álibi Perfeito” e “Small G”, respectivamente, nos dias 22 e 26. A análise literária de Patricia Highsmith será feita no dia 30.

Admito que estou empolgado para começar logo o Desafio Literário deste mês. Espero que os leitores do Bonas Histórias possam me acompanhar nestas leituras. Até os próximos posts, pessoal!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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