• Ricardo Bonacorci

Livros: O Amor nos Tempos do Cólera - Gabriel García Márquez após o Nobel


Neste final de semana, li “O Amor nos Tempos do Cólera” (Record), a vigésima publicação de Gabriel García Márquez. Este é o quinto livro do escritor colombiano que analisamos, neste mês, no Desafio Literário. A importância desta obra para a carreira de Gabo é que ela foi o primeiro romance publicado pelo autor após o recebimento do Nobel de Literatura, em 1982. Lançado em 1985, “O Amor nos Tempos do Cólera”, produzido no auge da maturidade pessoal e artística de seu autor, é apontado por muita gente (eu me incluo neste grupo) como o mais importante trabalho literário de García Márquez depois de “Cem Anos de Solidão” (Record), sua incontestável obra-prima. Não por acaso, este livro encerra a fase dourada da carreira de um dos principais autores do século XX. Apesar de publicar mais de uma dezena de livros posteriormente, nenhum teve tanto destaque.


“O Amor nos Tempos do Cólera” começou a ser escrito em 1984, quando García Márquez foi morar em Cartagena das Índias. A estada ao norte da Colômbia tinha a finalidade de servir como um ano sabático, algo merecido para alguém que fora laureado há pouco com a maior honraria da literatura mundial. Entretanto, a beleza da cultura local, uma cidade de arquitetura colonial e com um passado admirável, encantou Gabriel García Márquez ao ponto de levá-lo a querer escrever uma história ambientada ali. Assim, surgia o romance histórico ambientado em Cartagena.


Uma vez definido o ambiente de sua nova narrativa, o escritor precisava de uma trama forte que justificasse sua existência. E para isso, ele foi buscar na casa dos pais um conflito amoroso e verídico que poderia servir de inspiração deste romance. No século XIX, o jovem poeta Gabriel Elígio García, que mais tarde seria o pai do escritor, se apaixonou por Luíza Santiago Márquez, filha de um poderoso coronel. O Coronel Nicolas Márquez não deixou que a filha namorasse com o sujeitinho com quem não se simpatizara logo de cara. Vendo que Luiza parecia interessada no desqualificado pretendente, o pai mandou a jovem para uma longa viagem pelo interior do país. Empenhado em não perder o contato com a amada, Gabriel montou, com a ajuda de amigos telegrafistas, uma intrincada rede de comunicação que alcançava Luiza onde ela estivesse. Assim, os dois podiam conversar tranquilamente enquanto a moça estivesse ausente.

Essa história real dos pais de Gabriel García Márquez serviu de mote para a produção ficcional. A partir daí, o escritor colombiano romanceou livremente o conflito amoroso (acrescentando pitadas de desencontros e intrigas afetivas) de suas personagens (Florentino Ariza e Fermina Daza) por Cartagena das Índias entre o final do século XIX e o início do século XX. Na construção desta trama, Gabo utilizou-se também de episódios reais que ocorreram na cidade: epidemia de cólera no final do século XIX e o naufrágio de um barco espanhol carregado de joias preciosas na costa do município.


Há doze anos, a história de “O Amor nos Tempos do Cólera” era adaptada para a telona e estreava nos cinemas. O longa-metragem homônimo (Love in the Time of Cholera: 2007) foi dirigido pelo norte-americano Mike Newell, de “O Sorriso de Mona Lisa” (Mona Lisa Smile: 2002) e “Donnie Brasco” (1997), e foi estrelado por Javier Barden, Giovanna Mezzogiorno e Catalina Sandino Moreno. Orçado em US$ 45 milhões, os produtores do filme levaram três anos para convencer Gabriel García Márquez a vender os direitos de adaptação do seu livro. Gravado em Cartagena, na Colômbia, a produção cinematográfica teve em sua trilha sonora três músicas de Shakira, outra colombiana famosa internacionalmente.


Em seu enredo literário, “O Amor nos Tempos do Cólera” apresenta Juvenal Urbino de la Calle. Aos 81 anos, o médico possui uma rotina metódica e tranquila. Professor da Escola de Medicina de sua cidade e grande mecenas cultural, o doutor é chamado normalmente para atender casos de pacientes desenganados. Rico e famoso, Juvenal é casado há muitas décadas com Fermina Daza, uma senhora de 72 anos. O casal de idosos tem dois filhos já adultos e leva seu matrimônio em banho-maria. Nota-se que ali não há amor genuíno. O casamento de Juvenal e Fermina é mais uma conveniência social e pessoal para ambos. Os cônjuges parecem ter se acostumado um com o outro ao longo dos anos e ter aprendido com o tempo a respeitar o espaço alheio, o que evita novas brigas e conflitos desnecessários.


A calmaria na casa dos Urbino é abalada por um acidente doméstico. Ao subir em uma árvore para resgatar seu papagaio, que fugiu da gaiola, Juvenal cai da escada e morre. A perda do marido mexe consideravelmente com Fermina Daza. Apesar de não amar o médico como deveria, ela se acostumou com o marido ao seu lado por mais de quatro décadas. Por mais defeitos que tivesse, Juvenal Urbino era um bom homem e era merecedor do respeito da sua mulher. Por isso, a viúva vai às lagrimas de maneira sincera.

Para surpresa de Fermina, durante o velório do marido, ela é abordada por Florentino Ariza, um senhor de 76 anos que preside a Companhia Fluvial do Caribe, empresa responsável pelo transporte aquático na região. Florentino foi prestar as condolências à viúva e aproveitou para se declarar para ela. Segundo suas palavras, ele estava esperando há 51 anos, 9 meses e 4 dias para dizer que a amava. Agora que a amada não tinha mais um marido, ele podia revelar seu segredo tão bem guardado sem problema. Entretanto, o comportamento afoito de Florentino não é bem interpretado por Firmina. Ela rechaça o visitante indecoroso do velório, querendo se ater aos trâmites fúnebres. Mesmo com a expulsão dele, ela não consegue mais se concentrar. As palavras de Florentino despertam lembranças do passado, quando os dois eram adolescentes e tiveram um namorico.


Florentino Ariza conheceu Fermina Daza quando ele tinha dezessete anos e ela apenas treze. Na época, ele era um simples funcionário da empresa de telégrafos, enquanto ela estava na escola. Depois de muito postergar um contato mais direto com a menina por quem se apaixonara, Florentino começou a manter secretamente uma correspondência de cartas com ela. Seu lado poético (ele adorava poesia e as produzia intensamente), suas habilidades musicais (seu amor pela garota o fez compor canções românticas) e seu romantismo (muitas vezes exagerado) conquistaram Fermina, que também se apaixonou pelo moço que a cortejava de maneira tão idílica. O namoro avançou sem nunca sair da clandestinidade e sem que os namorados pudessem trocar muitas palavras entre si (a troca de cartas se mantinha como o único canal de comunicação entre eles).


A rotina enamorada dos protagonistas sofreu um contratempo quando o pai de Fermina, Lorenzo Daza, descobriu as cartas da filha com o funcionário da Companhia de Telégrafos. Indignado com a pobreza do pretendente de Fermina, Lorenzo tratou de por fim àquela relação, proibindo-a terminantemente. Como não foi bem-sucedido na empreitada, resolveu viajar com a filha pelo interior do país por mais de um ano. Assim, esperava interromper de uma vez por todas o amor dos jovens pombinhos. Contudo, como funcionário dos Telégrafos, Florentino Daza conseguiu manter uma intensa correspondência com a namorada pelo longo período de ausência dela. Ao invés do relacionamento deles caducar, ele se intensificou. Os adolescentes ficaram noivos, sem que Lorenzo Daza soubesse (o noivado era secreto).

O amor platônico de Fermina não resistiu à realidade concreta da vida. Ao regressar, a moça ficou desapontada ao ver seu noivo depois de muito tempo. Florentino era um rapaz feio, triste e atarracado. Pode-se dizer que foi decepção à primeira vista (ou teria sido à segunda vista?). Ela terminou o quanto antes o relacionamento entre eles, para desespero e incompreensão de Florentino. Por mais que Fermina tenha se esquecido rapidamente do primeiro namorado, o rapaz nunca se esqueceu do seu primeiro amor. Na cabeça dele, era questão de tempo para reconquistá-la.


Tempos depois, Lorenzo Daza ficou encantado com a perspectiva da filha se casar com um jovem médico que acabara de chegar de Paris. Juvenal Urbino de la Calle era o genro que ele sempre sonhou em ter. Por isso, confabulou para que a filha passasse a ver com bons olhos as investidas do rico e famoso rapaz. Depois de muito resistir, Firmina acabou se casando com Juvenal. Com o coração despedaçado, Florentino prometeu jamais se casar com outra pessoa, esperando pacientemente a próxima oportunidade para ficar com a mulher da sua vida.


“O Amor nos Tempos do Cólera” é a segunda obra mais parruda de Gabriel García Márquez que vamos analisar neste mês no Bonas Histórias. Este romance possui 6 capítulos e 432 páginas (contra 448 páginas de “Cem Anos de Solidão”, a mais extensa deste Desafio Literário). Digo que se trata de muitas páginas pois o comparo com “Relato de Um Náufrago” (Record), “Ninguém Escreve ao Coronel” (Record) e “Crônica de Uma Morte Anunciada” (Record). Essas três novelas têm juntas apenas 400 páginas. Ou seja, você demora mais para ler “O Amor nos Tempos do Cólera” do que outros três clássicos de García Márquez. Não à toa, a literatura do colombiano ficou caracterizada mais pelas obras enxutas do que pelos tijolões. Portanto, “Cem Anos de Solidão” e “O Amor nos Tempos do Cólera”, apesar de serem seus melhores livros, são exceções quanto ao volume grande de páginas.

Quando digo que “O Amor nos Tempos do Cólera” é um livrão, estou me referindo também ao sentido qualitativo e não apenas na perspectiva quantitativa. Apesar de não gostar normalmente de tramas românticas melosas, esta obra consegue empolgar até mesmo os leitores mais reticentes (como eu). Mesmo tendo um pouco do romantismo que chamo de meloso (afinal, o sujeito ficou meio século esperando a mulher amada, né?), este dramalhão é embalado com muito humor (tire o cavalinho da chuva quem pensou que Florentino ficou aguardando Fermina de forma casta...), erotismo, palavrões, polêmicas, fantasias, reviravoltas e suspense. O resultado é uma mistura literária pouco usual: o relacionamento amoroso é ao mesmo tempo enaltecido como também é ridicularizado. Maravilhosa esta combinação, que dá um ar de galhofa e de sátira romântica à obra.


Além disso, assistimos a uma bela narrativa histórica, com uma constituição saborosa de uma cidade caribenha com arquitetura colonial. Apesar de não ser mencionada explicitamente, percebe-se que a história do romance se passa em Cartagena. Afinal, os municípios (tanto o ficcional quanto o real) abrigaram o maior mercado de escravos africanos das Américas, foram residências do vice-rei do Novo Reino de Granada, viram afundar em seu litoral o navio San José, que levava para a Espanha uma carga avaliada em 500 bilhões de pesos em ouro puro e em pedras preciosas, e foram polos econômicos da Colômbia no século XVIII e XIX. A narrativa também se utiliza de vários acontecimentos reais: a epidemia de cólera, as guerras civis que se proliferaram pelo país depois da independência com a Espanha e a decadência de Cartagena no início do século XX.


Sem dúvida nenhuma, depois de “Cem Anos de Solidão”, esta é a melhor obra de Gabriel García Márquez. E, não por acaso, um dos melhores títulos que li neste ano (olha aí um forte candidato para entrar na lista dos Melhores Livros do Ano de 2019 do Bonas Histórias!).


Voltando um pouco a algumas características deste livro citadas no antepenúltimo parágrafo, é preciso destacar o humor corajoso do romance. Esta é a obra mais engraçada de Gabo. O escritor zomba com tudo e de todos. Ele é implacável ao ridicularizar o romantismo, a velhice, o marasmo da rotina matrimonial, o sexo e a dinâmica do corpo humano. Nada parece escapar ao olhar ácido de alguém que não se importa em se arriscar na busca pelo humor. Na quase totalidade dos casos, García Márquez acerta (mesmo assim, ainda acho que há muitas passagens politicamente incorretas, que hoje, precisariam obrigatoriamente ser revistas).

Junto com cenas e situações cômicas, temos um texto que usa e abusa dos palavrões e da escatologia. Assim, o romance adquire ainda mais o tom de galhofa. O narrador em terceira pessoa e boa parte das personagens possuem discursos desbocados, que muitas vezes destoam do linguajar culto e elegante da narrativa (o que confere ainda mais graça ao texto). Tal característica também se aplica ao erotismo. As cenas de sexo são maravilhosamente ancoradas na realidade nua e crua da vida comum (algo nada glamouroso, convenhamos!). Isso fica mais perceptível no final da trama, quando se aborda a prática sexual entre idosos de maneira explícita e cômica (o que, por si só, é uma iniciativa ousada e pouco usual na literatura).


Junto com o texto engraçado e apimentado, temos um bom suspense: Florentino ficará com Fermina no final das contas?! Essa dúvida permanece até o desfecho da obra, deixando o leitor curioso até as últimas páginas. Incrível! Por falar nisso, essa questão de Florentino Ariza esperar mais de 50 anos para ficar com a mulher que ama, me lembrou bastante o conflito de “Cândido” (L&PM Pocket), obra-prima de Voltaire. De certa maneira, Florentino Ariza e Fermina Daza seriam a versão caribenha e mais moderna do casal Cândido e Cunegundes. A diferença entre as obras é que Gabriel García Márquez detalhou o que se passa com os amantes depois de muitos anos de desencontros afetivos, algo que Voltaire deixou em aberto.


Por falar em Florentino Ariza, ele é um herói romântico atípico. O que ele faz enquanto espera por Fermina Daza? A resposta é antirromântica: sexo com todas as mulheres que ele tem a oportunidade de transar. Sua preferência é pelas viúvas, consideradas mais fáceis de serem conquistadas. Se por um lado ele não se casa com ninguém (dizendo se guardar exclusivamente para Fermina), Florentino anota o nome de suas parceiras sexuais. Aí o funcionário da Companhia Fluvial do Caribe precisa de 25 cadernos para registrar a identidade das suas 622 companheiras, a maioria de relacionamentos ocasionais. Hilário! Florentino é o Renato Gaúcho colombiano!


Além das viúvas, há vários tipos de mulher na lista do Sr. Ariza: amante do seu chefe, uma passageira do navio, sua secretária, uma maluca que saiu do hospício, a amiga de sua mãe, etc. Ele não perdoa ninguém! Entre esses relacionamentos sexuais do protagonista, há alguns extremamente polêmicos. Por exemplo, temos a citação de um caso de estupro de uma empregada. Florentino deu uma casa à moça para que ela abafasse o escândalo. E há um relacionamento pedófilo. Aos 76 anos, ele vai para a cama semanalmente com América Vicuña, uma menina de 14 anos. Florentino é tutor dela. O motorista do empresário retira todo sábado a garota do colégio interno onde ela reside e a leva para a casa do idoso. E ali os dois passam o dia transando. Por uma perspectiva bem objetiva, o herói romântico do livro é pouco a pouco convertido em anti-herói, sem que isso impeça que o leitor continue torcendo por ele (por mais assustadoras e polêmicas que sejam suas atitudes).

Quem ficou encantado com os elementos fantásticos de “Cem Anos de Solidão”, “O Amor nos Tempos do Cólera” pode decepcionar um pouco. Afinal, são pouquíssimas as passagens sobrenaturais ou as cenas inexplicáveis de sua trama. A fantasia deste romance é bem sutil: papagaio que conversa com as pessoas (note que escrevi a palavra “conversa” e não o termo “repete o que lhe foi ensinado”), que aprende várias línguas e que fala o que quer e quando quer; a mulher morta que surge nas águas para alertar o comandante do navio para os perigos do rio; e a esposa que sabe exatamente o que o marido fez ao longo do dia pelo cheiro de sua roupa.


O único ponto realmente negativo de “O Amor nos Tempos do Cólera” é que o livro demora um pouco para pegar (o termo “pegar” aqui tem o sentido de “conferir emoção”). Seu primeiro capítulo tarda muito para apresentar o conflito principal (até achei, por um instante, que essa parte inicial seria desnecessária!). Nas 70 páginas iniciais acompanhamos a melancólica rotina de Juvenal Urbino. Só vamos entender que sua morte precipitará algo entre Florentino Ariza e Fermina Daza lá pela página 68 (uma eternidade, hein?). Até chegar aí, o romance se arrasta. Por isso, não perca o interesse nesta parte inicial. Se você conseguir chegar ao final do primeiro capítulo, na certa você não se desgrudará mais desse livro (a partir daí, a trama se acelera e pega fogo!).


Confesso que saí encantado da leitura de “O Amor nos Tempos do Cólera”. E para dar continuidade ao Desafio Literário de outubro, a próxima publicação de García Márquez que vamos analisar no Bonas Histórias é “Memória de Minhas Putas Tristes”. (Record). Lançado em 2004, esta novela foi a última criação ficcional do escritor colombiano. Confira o post deste livro no próximo sábado, dia 26. Na quarta-feira da semana que vem, dia 30, voltarei ao Desafio Literário para apresentar a conclusão do estudo sobre a literatura de Gabriel García Márquez. Não perca!


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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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