Teoria Literária: Elementos da Narrativa - 11 - Tipologia

Enfim, chegamos à análise do décimo primeiro e último componente da narrativa, a tipologia. Depois de percorremos mês a mês os dez primeiros elementos narrativos da ficção (Enredo, Personagem, Espaço Narrativo, Tempo Narrativo, Ambientação, Realidade Ficcional, Narrador, Linguagem, Discurso e Textualidade), vamos agora, no Bonas Histórias, concluir esse debate. Com a tipologia, encerramos essa segunda temporada da coluna Teoria Literária.

 

Entende-se por tipologia a categoria que a obra estudada pertence. Para classificar um romance, é necessário avaliá-lo em duas perspectivas complementares: seu gênero e sua escola literária. Esses dois componentes influenciam decisivamente as características da produção literária. Vale lembrar que livros pertencentes ao mesmo gênero e a mesma escola literária possuem muitos elementos similares, que são típicos de seu gênero e/ou de sua escola literária. Portanto, essas características não podem ser atribuídas única e exclusivamente ao estilo literário do autor. É necessária a contextualização no cenário literário desses pontos narrativos.

1. Gênero literário:

 

O gênero é a forma como o romance é classificado a partir da sua estrutura. Há vários tipos de gêneros: o romance urbano (realizado na cidade), o romance regionalista (ambientado em uma região distante dos grandes centros urbanos do país), o romance indianista (protagonizado por um indígena), o romance histórico (influenciado por um momento histórico importante e peculiar), o romance policial (originado a partir de uma trama investigativa), o romance psicológico (marcado pelo fluxo de pensamentos, imaginação ou lembranças da personagem), o romance de aventura (realizado por uma personagem que é arrancada de sua vida cotidiana e precisa enfrentar experiências extraordinárias), o romance gótico (enredos que usam a psicologia do terror e são ambientados em cenários medievais e com personagens melodramáticas), o romance de ficção científica (ambientado em um futuro distante a partir da imaginação do autor) e o romance fantástico (as tramas adquirem elementos sobrenaturais ou reconstroem a realidade ficcional a partir de pressupostos desvinculados do mundo concreto).

 

Repare que por mais que um autor queira ser original e possua um estilo literário próprio, ele não consegue fugir das características típicas do gênero de romance que escolheu trabalhar. Dessa maneira, algumas características dos romances policiais de Agatha Christie, escritora inglesa do século XX, são oriundas mais do gênero narrativo escolhido por ela do que necessariamente por aspectos do seu estilo literário. O mesmo princípio aplica-se ao trabalho de Isaac Asimov, norte-americano famoso por suas ficções científicas. Se um analista literário não compreender as particularidades da ficção científica antes de estudar Asimov, muito provavelmente ele cometerá o equívoco de atribuir ao estilo do escritor boa parte das características particulares do gênero romanesco utilizado.       

 

2. Escola literária:

 

A escola literária é a forma como o romance é classificado a partir dos conceitos elaborados pela historiografia literária. Cada momento histórico influenciou de uma maneira distinta a literatura e seus autores, moldando suas características. As principais correntes que a literatura de língua portuguesa possui são: trovadorismo, humanismo, renascimento, classicismo, quinhentismo, barroco, arcadismo, romantismo, realismo, naturalismo, parnasianismo, simbolismo, pré-modernismo, modernismo e contemporaneidade.

 

As obras incluídas em uma mesma escola literária tendem a possuir características semelhantes, que são típicas de sua época, não podendo, assim, ser remetidas como algo exclusivo aos seus autores.  A passionalidade dos romances do português Camilo Castelo Branco, autor de Amor de Perdição, publicado em 1862, e do brasileiro Joaquim Manuel de Macedo, autor de A Moreninha, lançado em 1844, deve-se mais ao movimento romântico, que ambos pertenceram, do que às características originais e exclusivas desses escritores.

 

O analista literário precisa situar o autor e as obras analisadas em sua tipologia. Para tal, deve considerar concomitantemente tanto questões do gênero romancesco quanto da escola literária. Feito isso, ele não corre o risco de fazer inferências incorretas, atribuindo algo ao estilo literário do escritor que seja, na verdade, um aspecto coletivo do gênero ou da escola literária por ele pertencente.

 

 

Bibliografia:

 

BONACORCI, Ricardo. Análise Literária dos Romances de Rubem Fonseca - Investigando a Nova Literatura Brasileira. Projeto de Iniciação Científica. Varginha: Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS-MG), 2019.

 

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