• Ricardo Bonacorci

Livros: O Castelo Branco - O terceiro romance de Orhan Pamuk

Publicada em 1985, esta narrativa ambientada no século XVII rendeu os primeiros prêmios internacionais ao autor turco e foi seu primeiro sucesso no exterior.

O Castelo Branco é o romance de Orhan Pamuk

Na semana passada, analisamos “A Casa do Silêncio” (Companhia das Letras), o primeiro romance de sucesso de Orhan Pamuk em seu país(e a segunda publicação do autor). Vale a pena lembrar que nesse bimestre o principal escritor turco da atualidade está sendo estudado em profundidade no Desafio Literário. A ideia é comentarmos, no Bonas Histórias, oito dos principais títulos de Pamuk. Assim, no post de hoje, vamos tratar exclusivamente de “O Castelo Branco” (Companhia das Letras), o segundo livro da nossa lista de leitura de abril e maio de 2021 e o primeiro sucesso internacional do autor. Li esta obra no último final de semana e fiquei realmente encantado com seu texto e sua proposta.


Terceira narrativa ficcional de Orhan Pamuk, “O Castelo Branco” foi publicado, em 1985, na Turquia e se tornou um grande sucesso no exterior à medida que foi sendo traduzido para outros idiomas. A versão francesa é do final da década de 1980 e a inglesa é do comecinho dos anos 1990 (edição britânica é de 1990 e a edição norte-americana é de 1991). A primeira versão em português desse romance é de 2000 e foi desenvolvida pela lisboeta Editorial Presença. O título da obra em Portugal é “A Cidadela Branca”.


No Brasil, o lançamento da edição nacional de “O Castelo Branco” é de 2007. O tradutor encarregado dessa empreitada foi Sergio Flaksman, carioca responsável pela tradução de grandes nomes da literatura em língua inglesa (Philip Roth, J. M. Coetzee, Mark Twain e William Shakespeare), francesa (Albert Camus, Émile Zola e Molière) e italiana (Pirandello e Umberto Eco). Além de “O Castelo Branco”, Flaksman traduziu para o português outros títulos marcantes de Pamuk como “Istambul – Memória e Cidade” (Companhia das Letras) e “O Livro Negro” (Companhia das Letras).

Orhan Pamuk

Neste romance histórico, Orhan Pamuk utiliza-se de um dos protagonistas do seu livro anterior, “A Casa do Silêncio”, para construir uma trama envolvente e sensível ambientada no Império Turco-otomano do século XVII. A personagem em questão é Faruk Darvinoglu, o historiador glutão e beberrão que visitou a avó materna em Forte Paraíso e que fazia pesquisas no arquivo histórico da subprefeitura de Gebze. O resultado prático deste trabalho de Pamuk é um dos textos ficcionais mais impactantes da literatura turca contemporânea.


Além disso, se pensarmos nos tempos de pandemia de SARS-CoV-2, essa publicação de Orhan Pamuk traz lições interessantíssimas para os leitores de hoje. Nas páginas dessa obra, assistimos à atuação de um governante imaturo e indeciso. Ele desqualifica as opiniões das autoridades científicas e dá razão muitas vezes aos idiotas que o cercam. Obviamente, essa parte do romance suscitará lembranças recentes e macabras nos brasileiros...


“O Castelo Branco” conquistou, na Inglaterra, o Prêmio Independent de Ficção Estrangeira de 1990 – no ano seguinte, à título de curiosidade, Milan Kundera conquistaria esse mesmo prêmio com “A Imortalidade” (Companhia das Letras) e, em 1993, José Saramago seria agraciado pela publicação de “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (Companhia das Letras). Até aquele momento, o comecinho dos anos 1990, essa foi a principal honraria recebida por Pamuk, que nos anos seguintes iria colecionar uma série de estatuetas e medalhas literárias em âmbito mundial até culminar com a conquista do Prêmio Nobel de Literatura de 2006.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

Não é errado dizer que “O Castelo Branco” abriu as portas do mercado editorial internacional para a literatura de Orhan Pamuk. Esse romance recebeu vários elogios da crítica europeia e norte-americana e alçou o nome do turco ao primeiro escalão dos autores contemporâneos de sucesso. Para completar, essa publicação representou uma mudança substancial no estilo narrativo de Pamuk. O escritor abandonou definitivamente o Naturalismo dos dois títulos iniciais, “O Senhor Cevdet e Seus Filhos” (em uma tradução livre pois essa obra, “Cevdet Bey ve Oğulları”, ainda não foi editada em português), de 1982, e “A Casa do Silêncio”, de 1983, e imprimiu propostas mais modernas em suas novas produções. A partir daí estava pautado o caminho de uma trajetória ficcional sólida e bem-sucedida da literatura internacional.


Junto com o êxito comercial e dos elogios da crítica, “O Castelo Branco” também trouxe as primeiras polêmicas ao trabalho de Orhan Pamuk. Por causa de trechos muito parecidos a obras de outros autores, Pamuk é acusado regularmente de copiar textos de romances alheios. No caso de “O Castelo Branco”, há alguns parágrafos idênticos a um dos principais livros de Fuad Carim, escritor turco-sírio de grande destaque na metade do século XX. Os defensores de Orhan Pamuk dizem se tratar de mera intertextualidade literária, um recurso corriqueiro na ficção contemporânea. Por outro lado, os acusadores alegam se tratar de apropriação indevida, um recurso criminoso e atemporal. Indiferente à questão, Pamuk não parece muito preocupado em se explicar aos críticos.


O enredo de “O Castelo Branco” se passa no século XVII. Narrado em primeira pessoa por um erudito navegante veneziano criado em Empoli (ele não tem seu nome revelado em nenhum momento da trama), o romance inicia-se com uma viagem marítima de cunho comercial de Veneza à Nápoles. Durante o trajeto, as embarcações italianas são atacadas por uma esquadra turca. Facilmente derrotada pelos inimigos, a tripulação veneziana é feita de escrava. Ao fingir ser médico, o narrador, então com 23 anos, tem um pouco mais de sorte – ele se transforma em um escravo de luxo. Como consequência, tem algumas regalias mínimas por atender aos pacientes dos navios adversários.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

Levado a Istambul, o falso médico, que possui realmente vasto conhecimento astrológico e científico, é encarcerado em uma prisão comum, onde rapidamente aprende o idioma local. Certo dia, ele é chamado pelo paxá Sadik. A autoridade turca está interessada em suas habilidades intelectuais. Por ajudar a organizar um show de fogos de artifício na festa de casamento do filho do paxá, o narrador-protagonista é tirado da prisão e dado como escravo para Hoja, um importante astrônomo de Istambul.


Na casa de Hoja, o veneziano passa a trabalhar como assistente do turco nas pesquisas científicas, nos tratados cósmicos, nas previsões astrais, na criação de artefatos comuns e bélicos e no desenvolvimento de histórias ficcionais. É iniciada, assim, uma amizade contraditória. Ao mesmo tempo em que se parecem psicológica e fisicamente (a ponto de serem confundidos como irmãos), patrão e escravo alimentam uma inveja mútua. O turco deseja ter a inteligência e o conhecimento do estrangeiro. Por sua vez, o italiano almeja a liberdade e a influência do patrão para voltar para casa depois de tantos anos de ausência. As afinidades e as diferenças são as responsáveis pelos constantes entreveros e pela forte união dos dois homens.


De qualquer forma, os trabalhos da dupla chamam a atenção e se tornam requisitados pelas grandes autoridades do sultanato de Istambul. No início, o paxá Sadik é quem os contrata. Depois, os cientistas são chamados pelo próprio sultão para solucionar problemas administrativos, de saúde pública e de caráter militar. Entre intermináveis brigas e profunda inveja, mas com a manutenção da amizade por longos anos, patrão e escravo irão contribuir para o destino do povo e das autoridades turcas nas décadas seguintes.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

“O Castelo Branco” possui 200 páginas. Seu conteúdo está dividido em 11 capítulos e em uma pequena introdução. Levei pouco mais de seis horas para concluir essa leitura no último sábado. Comecei o romance de manhã e no finalzinho da tarde já tinha chegado à última página. De certa maneira, finalizei essa obra de Pamuk em três sentadas (parei duas vezes). Se comparado a “A Casa do Silêncio”, “O Castelo Branco” tem a metade do tamanho do livro anterior (sendo, portanto, uma leitura mais rápida).


Os quatro principais elementos que chamam nossa atenção nessa publicação de Orhan Pamuk são: (1) o mergulho na intertextualidade literária desde as primeiras páginas; (2) o texto com bastante humor (uma novidade importante no trabalho literário de Pamuk); (3) a estrutura da narrativa é mais parecida a uma novela do que a um romance; e (4) há um vasto conjunto de verossimilhanças e de inverossimilhanças nesse enredo.


Em relação à intertextualidade, a brincadeira entre os diferentes universos da ficção literária começa logo que abrimos “O Castelo Branco”. Para surpresa do leitor, o romance é dedicado a Nilgün Darvinoglu, uma das protagonistas do livro anterior de Pamuk. Aí surge a questão: o escritor pode dedicar sua obra a uma personagem ficcional, Arnaldo?! Não há regra que proíba isso, diria acertadamente o antigo juiz de futebol e comentarista esportivo. Dessa forma, logo de cara Orhan Pamuk já ganha um ponto do leitor mais exigente.


O romancista turco aumenta ainda mais sua pontuação quando entendemos a citação à neta de Selâhattin e Fatma Darvinoglu. Na introdução de “O Castelo Branco”, descobrimos que aquele texto é uma produção de Faruk Darvinoglu, o neto mais velho de Selâhattin e Fatma e irmão de Nilgün. Usando parte do enredo de “A Casa do Silêncio”, Pamuk recorre às pesquisas feitas pelo historiador gordão e bebum em seu livro anterior para justificar a descoberta de uma trama antiga e profundamente impactante. Encantado com aquela narrativa histórica, Faruk adaptou o antigo texto de um italiano que viveu em Istambul no século XVII para o romance que o leitor tem em mãos. É esse o conteúdo dos 11 capítulos seguintes.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

É ou não é uma proposta maravilhosa de embaralhar os diferentes campos da ficção, hein?! Achei incrível esse recurso narrativo de Orhan Pamuk. De alguma maneira, esse começo de “O Castelo Branco” lembra bastante as misturas do universo ficcional promovidas por Juan Carlos Onetti. O escritor uruguaio era mestre em promover esses recortes dentro de suas histórias. Ele fez isso magnificamente nas tramas ambientadas na fictícia cidade de Santa María – palco da trilogia iniciada com o romance “A Vida Breve” (Planeta Literário). Pelo visto, Onetti não apenas influenciou os autores sul-americanos do calibre de Julio Cortázar, Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa, mas também influenciou Pamuk.


Quanto ao humor, há passagens realmente engraçadas e cômicas em “O Castelo Branco”. Essa é uma novidade interessante na produção ficcional de Orhan Pamuk. Até então, o autor turco estava criando textos totalmente sérios. Obviamente, não estou dizendo aqui que o leitor irá morrer de rir durante essa leitura. Não! O humor é sutil e inteligente, o que confere um charme e uma graça especiais à narrativa de “O Castelo Branco”.


A parte mais hilária do livro (aqui vai uma pontada de humor negro!) é quando Istambul é acometida por uma peste. Os leitores brasileiros vão se sentir, infelizmente, em casa nessas páginas. O sultão turco é um adolescente mimado, estúpido, autoritário e cercado por assessores idiotas (idiota é o termo usado pelo próprio escritor/tradutor). Enquanto os cientistas dizem ser necessário a implementação de um distanciamento social (inclusive com a decretação de uma espécie de lockdown na cidade) e a intensificação das práticas de higiene pessoal, os assessores diretos do sultão acham isso tudo uma balela. Sem acreditar na ciência, o pessoal que cerca o governante se preocupa apenas com a economia – o que será dos comerciantes se as portas de Istambul forem fechadas? Incrível assistir a esse embate e às consequências práticas das decisões intempestivas do sultão. Nunca pensei que vivenciaria efetivamente e em pleno século XXI alguns dos disparates como os descritos no livro. Sem dúvida nenhuma, há mais semelhanças entre a ficção e a realidade do que poderíamos supor.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

Em relação à estrutura de “O Castelo Branco”, seu enredo se parece mais com uma novela (complexidade mediana) do que com um romance (de maior complexidade narrativa). Faço essa observação pois o livro tem pouquíssimas personagens (basicamente quatro – o narrador, Hoja, o paxá e o sultão), um conflito simples e único (diferentemente do que ocorreu em “A Casa do Silêncio”, que apresentava múltiplos conflitos), um narrador apenas (obviamente, se excluirmos o texto em primeira pessoa de Faruk na introdução) e poucos cenários (basicamente a prisão, a casa de Hoja e os palácios do paxá e do sultão). Se não fosse a extensão de duas centenas de páginas (o que caracteriza uma narrativa longa – romance), cravaria sem medo de errar que estamos diante de uma novela.


Por falar na estrutura de “O Castelo Branco”, sua trama está dividida informalmente em oito partes: (1) a prisão do navegante veneziano; (2) o início de seu trabalho na casa de Hoja; (3) o combate à peste; (4) a obsessão da dupla de amigos em escrever histórias ficcionais; (5) a conquista de Hoja do posto de astrólogo imperial; (6) o protagonista se torna o queridinho do sultão; (7) a campanha bélica dos turcos contra os poloneses; e (8) o desfecho do romance, quando seus protagonistas já são idosos.


Contraditoriamente, há altos e baixos nessas partes. Enquanto há passagens muito monótonas (o início do veneziano na casa do patrão turco e, principalmente, a obsessão da dupla em escrever histórias ficcionais), outros trechos são eletrizantes (a prisão do navegante veneziano e o combate à peste, por exemplo). Por isso, se prepare para embarcar em um enredo que oscila muito. Sem querer defender Pamuk (mas já o defendendo), essa característica de “O Castelo Branco” é própria da vida relatada pelo narrador. Afinal, quem é que nunca enfrentou momentos de grande entusiasmo e de grande melancolia em sua trajetória pessoal e profissional, hein? Nesse caso, esses altos e baixos são perfeitamente fidedignos (o que só reforça a verossimilhança da narrativa).

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

Mesmo assim, é preciso certa paciência para encarar a lentidão de alguns capítulos. Em muitos momentos, a rotina melancólica e entediante do narrador-protagonista acaba respingando em seus relatos. A impressão é que às vezes pouca coisa (ou quase nada) acontece em cena. Nessa hora, o que posso desejar para você, bravo(a) leitor(a), é: coragem, meu/minha amigo(a). Não desanime e siga em frente!


Por falar em verossimilhança de “O Castelo Branco”, se seu ritmo narrativo oscilante contribui positivamente para a fidedignidade da trama, há também vários tropeços que jogam contra a verossimilhança da história de Pamuk. Vejamos, no parágrafo a seguir, alguns casos de falta de lógica:


No século XVII, não havia especialização médica – portanto, o narrador-protagonista jamais iria dizer que ele é um médico, mas não é um cirurgião. Nessa época, astronomia e astrologia caminhavam de mãos dadas – Hoja jamais iria favorecer um campo e ter preconceito em relação ao outro. Como é possível em poucos dias duas pessoas que não entendem nada de fogos de artifício realizarem um show pirotécnico nos céus de Istambul como o descrito nas páginas do livro? – na minha visão isso beira o impossível! E, por fim, no século XVII, a sociedade, a cultura e a tecnologia do Império Turco-otomano eram mais desenvolvidas do que na Itália – diferente do que o romance de Pamuk deixa transparecer. Em suma, não faltam partes desse livro que afrontam a lógica dos fatos.


Durante a leitura de “O Castelo Branco”, lembrei de outras obras literárias. De certa maneira, esse terceiro romance de Orhan Pamuk é uma mistura de “Cidades Invisíveis” (Companhia das Letras), obra-prima de Italo Calvino (por causa dos relatos do navegante italiano que descrevem as descobertas feitas em terras distantes e de sua mania de criar tramas ficcionais para encantar o rei), de “O Físico” (Rocco), best-seller de Noah Gordon (devido ao mergulho de um europeu na cultura islâmica) e de “As Mil e Uma Noites” (Biblioteca Azul), clássico da cultura árabe (por descrever os bastidores, as intrigas e o dia a dia do sultanato). Só por esse comentário, deu para perceber que gostei bastante de “O Castelo Branco”, né? Afinal, “Cidades Invisíveis”, “O Físico” e “As Mil e Uma Noites” estão entre minhas leituras favoritas.

Livro O Castelo Branco de Orhan Pamuk

Entretanto, é inegável que há alguns problemas de ordem narrativa nesse livro de Pamuk (além do seu ritmo vacilante). Um deles é o predomínio de passagens sumarizadas. Essa característica afeta sim a qualidade do texto. A riqueza de uma trama ficcional é maior quando temos mais cenas impactantes do que simples relatos superficiais (o tal sumário, conforme denominado pela Teoria Literária). Outro tropeção de “O Castelo Branco” está na falta de personagens femininas. Nas raras vezes em que elas aparecem, são apenas em citações distantes: a mãe de alguém, as prostitutas que aliviam a libido masculina ou a esposa que o marido não liga). Se pensarmos no quanto a sociedade turca da época (da época?!) era patriarcal e machista, até faz sentido a ausência das mulheres na história contada pelo navegante veneziano. Achei também pouco inspirados os debates filosóficos contidos nas páginas deste romance. Evidentemente, Orhan Pamuk não é um Albert Camus, um Milan Kundera ou um Fiódor Dostoiévski.


Por fim, os dois últimos problemas desta obra não são culpa de seu autor e sim da editora brasileira responsável pela sua edição. A versão nacional de “O Castelo Branco” é uma tradução indireta. Assim como já tinha acontecido com “A Casa do Silêncio”, o tradutor brasileiro não usou o texto original (em turco) para produzir o texto em português. Infelizmente, Sergio Flaksman recorreu as traduções em francês e em inglês de “O Castelo Branco”. Na minha visão, um autor do porte de Pamuk merecia sim uma tradução direta.


Outra questão que me incomodou um pouco foi o projeto gráfico simplório do livro. A capa da edição brasileira de “O Castelo Branco” é muito feia. Muito provavelmente, se estivesse em uma livraria não compraria esse romance pela sua capa (algo que, querendo ou não, acabamos fazendo muitas vezes). Acredito piamente que esse livro merecia uma nova edição por parte da Companhia das Letras, com uma edição direta e um projeto gráfico mais atrativo.

Orhan Pamuk

Apesar de alguns tropeções aqui e outros acolá, precisamos reconhecer que “O Castelo Branco” é um romance superior a “A Casa do Silêncio”. Apesar de sua simplicidade estrutural (pouquíssimas personagens, enredo único, conflito evidente, trama linear e poucos narradores), esse terceiro romance de Orhan Pamuk possui algo difícil de ser encontrado por aí: personagens e trama cativantes. Acredito que “O Castelo Branco” seja aquele tipo de livro que conquiste os leitores mais pelos aspectos sentimentais/emotivos do que pelas questões técnicas/narrativas. Se o escritor turco não tinha adquirido ainda experiência e maturidade para tecer uma obra ficcional impecável aos olhos da Crítica Literária e da Teoria Literária, ao menos ele já sabia dialogar diretamente com os leitores (um mérito incontestável e para poucos artistas).


A investigação da literatura de Orhan Pamuk prossegue na semana que vem. Na próxima quarta-feira, 21 de abril, volto ao Desafio Literário para analisar mais um livro do autor. A obra que comentaremos no Bonas Histórias será “A Vida Nova” (Companhia das Letras), romance de 1994 que se tornou um dos maiores best-sellers na Turquia. Nessa parábola com forte intertextualidade literária, Pamuk apresenta o drama de um jovem estudante universitário obcecado por um livro mágico que questiona os limites da realidade e da ficção. Não perca a análise de “A Vida Nova” e os próximos capítulos do Desafio Literário desse bimestre. Até lá!


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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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