• Ricardo Bonacorci

Filmes: Homens, Mulheres e Filhos - Os efeitos danosos da tecnologia


Um soco no estômago! É esta a sensação que tive ao assistir ao filme "Homens, Mulheres e Filhos" (Men, Women & Children: 2014), do cineasta Jason Reitman (dos ótimos: "Obrigado por Fumar", "Juno" e "Amor Sem Escalas"). O desconforto é em relação à mensagem passada pelo longa-metragem e não à respeito do filme em si, que por sinal é muito bom. Essa talvez seja a principal característica das obras de Reitman: apresentar os conflitos das relações humanas de maneira ácida, contundente e com viés negativista, causado certo desconforto no telespectador. E novamente ele conseguiu passar esse sentimento para a plateia com seu novo filme. O cara é mesmo bom!

Em uma rápida retrospectiva da filmografia desse canadense de 37 anos, podemos verificar essa sua marca. Em "Obrigado por Fumar" (Thank You for Smoking: 2006), ele faz uma sátira política ao expor o lobby da indústria de tabaco para continuar crescendo e prosperando. Em "Juno" (Juno: 2007), o cineasta apresenta os conflitos de uma adolescente grávida de uma maneira sarcástica. E "Em Amor Sem Escalas" (Up in the Air: 2009), ele aborda a vida solitária de um executivo especializado em demitir pessoas e que sente prazer em acumular milhas em suas viagens aéreas.

Agora, em "Homens, Mulheres e Filhos", Reitman aborda os impactos da tecnologia, principalmente a Internet, nas relações familiares. Há o casal cujo prazer sexual foi fatigado pela convivência diária de muitos anos. Eles só encontram alguma diversão ao procurar novos parceiros na rede de computadores. E, curiosamente, o casamento é, de certa forma, revigorado quando eles passam a "pular a cerca". Tem o adolescente que só se excita vendo mulheres pelo computador. E quando elas se tornam reais, na sua frente, ele tem sérias dificuldades para se excitar. Há a jovem anoréxica, extremamente preocupada com a opinião dos outros, principalmente nas redes sociais. Tem a mãe obceda em expor a beleza da filha na Internet (em fotos sensuais) para conter as frustrações do seu passado (não conseguiu ser modelo). E há a mãe superprotetora, a espionar e a monitorar o tempo inteiro a vida digital da filha, esteja a garota onde estiver.

A Internet é a grande personagem desse filme. Jason Reitman expõe as vidas vazias e fúteis das pessoas impactadas pela rede mundial de computadores. Os problemas causados são extensos: infidelidade, banalização da pornografia, ausência de diálogo entre as pessoas, anorexia, vício em videogames e celular, distúrbio de imagem, exposição excessiva, vício pelo sexo casual, entre outros. É ou não é um soco no estômago?!

No término do filme, me lembrei de um livro que li exatamente sobre esse tema (o impacto da Internet e da tecnologia no dia a dia das pessoas). A publicação mostrava exatamente o outro ponto de vista: os efeitos benéficos da ausência dessa parafernália eletrônica na vida das pessoas. O livro se chama "O Inverno de Nossa Desconexão" (editora Paz e Terra) e foi escritor por Susan Maushart. Trata-se do relato verídico de uma experiência realizada pela escritora em sua própria casa, com a sua família. Susan Maushart proibiu por seis meses o uso de qualquer aparelho eletrônico em sua residência (computadores, laptops, jogos eletrônicos, televisão, telefones celulares, iPads, iPods, etc.). A parte difícil foi convencer os três filhos adolescentes a embarcarem nessa proposta (já imaginou tirar esses aparelhos dos jovens!). O resultado final da experiência? Não vou dizer, pois aí perde a graça de quem for ler a obra (vale a pena conhecê-la!). Ainda irei fazer uma análise desse livro mais para frente. Prometo.

Também me lembrei de um curso que dou na The Open Mind School, uma escola voltada para assuntos do dia a dia. O nome dele é "Desconectando... Vivendo bem e melhor sem o excesso de tecnologia". É ou não é a solução ideal para os problemas apontados pelo filme "Homens, Mulheres & Filhos"?

Vale muita a pena assistir a este filme. Ele apresente os problemas atuais de nossa sociedade, com pessoas completamente viciadas e abobalhadas pelo uso das novas tecnologias. Muita gente parece criança mimada e inconsequente quando exposta diante dos novos aparelhos e da Internet. Possivelmente este é o grande mal do nosso tempo. Atire a primeira pedra quem não sofre, já não sofreu ou não conhece alguém que sofre desses problemas!

Confira o trailer de "Homens, Mulheres & Filhos":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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