• Ricardo Bonacorci

Livros: Fahrenehit 451 - A clássica ficção científica de Ray Bradbury


"Fahrenehit 451" (Biblioteca Azul) é um clássico da ficção científica. Eu conhecia este livro, mas ainda não tinha tido a oportunidade de lê-lo. Aproveitando uma promoção da Livraria Cultura ocorrida neste último final de semana (o livro estava logo na entrada da loja, com um desconto de 20% e gritava por mim: "Me compre, me compre, me compre!"), adquiri a obra. Devorei a publicação em três dias (ou melhor em três noites).

Escrito pelo norte-americano Ray Bradbury no começo dos anos de 1950 (a primeira publicação é de 1953), no período da Guerra Fria, "Fahrenehit 451" faz parte da lista dos principais livros do seu gênero, ao lado de "Revolução dos Bichos" e "1984" de George Orwell, de "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, de "Fundação" de Isaac Asimov e do "Guia do Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adans (todos estes estão entre meus favoritos).

Ray Bradbury descreve a cidade de Fahrenehit 451 (daí o nome do livro), localizada nos Estados Unidos em um futuro não tão distante (a história se passaria em um período de tempo próximo ao dos nossos dias atuais). A grande particularidade da cidade futurista está no fato dos seus habitantes serem proibidos de ler livros. Ler é extremante perigoso e contraprudente em uma sociedade totalitária e normatizada como aquela. Para entreter os habitantes da nação, o uso da televisão é massificado. A programação é variada e permite a interação dos telespectadores com os artistas e entre os próprios telespectadores. Basicamente as pessoas não possuem famílias ou amigos com quem conversar (conversar também pode ser muito perigoso). As relações são pautadas quase que exclusivamente pela programação da televisão, tornando os indivíduos fúteis e emocionalmente vazios.

Neste cenário, o autor apresenta o personagem principal da obra, Guy Montag. Montag é um bombeiro. Entretanto, ao invés de apagar incêndios (não existe mais incêndios nas cidades do futuro), os bombeiros são responsáveis por localizar livros (item proibido na sociedade moderna), prender os seus usuários (criminosos) e colocar fogo nas obras localizadas (destruindo os itens ilegais). Assim, evitam que o conhecimento se propague como praga pela sociedade.

A vida de Guy Montag transcorre normalmente, tanto no âmbito profissional (é um bombeiro cumpridor dos seus deveres) quanto no pessoal (sua esposa adora ver programas na televisão e interagir com artistas e outros telespectadores). As coisas começam a mudar para o protagonista quando ele conhece uma adolescente chamada Clarisse. A moça é diferente da maioria das pessoas. Clarisse gosta de ler, sabe conversar, tem emoções e parece não ter medo da sociedade. A curiosidade dela pelo conhecimento é inspiradora. Além disso, o bombeiro começa a ficar intrigado com as pessoas que ousam desafiar as leis e mesmo assim mantêm gigantescas bibliotecas em suas casas. Qual o efeito e a importância dessas obras na vida das pessoas para elas correrem o risco de serem executadas (essa era a pena para quem fosse pego com um livro)? Os livros deveriam conter coisas muito importantes para valer a pena as ameaças sofridas, começa a cogitar o personagem principal.

A aproximação com os livros representará mudanças significativas na forma de pensar e agir de Guy. A vida dele sofrerá uma revolução, provocando incertezas e trazendo perigos. Praticamente, o personagem passa a desafiar a política estabelecida em sua sociedade. De profissional da segurança pública, Montag se torna um criminoso. De bom marido, ele se torna um péssimo companheiro.

"Fahrenehit 451" é uma ficção científica do tipo distopia. A distopia é a descrição de uma localidade fora da história e da geografia convencional, em que as tensões sociais e de classes são evitadas por meio da violência governamental (exemplo o livro "1984") ou pelo controle social (no caso, o livro "Admirável Mundo Novo"). De certa forma, a distopia é o contrário de uma utopia. Ao invés de descrever um futuro idílico, ela retrata um cenário sinistro para o amanhã.

Ray Bradbury conseguiu retratar nesta que é a principal obra de sua carreira (a história foi levada para o cinema por François Truffaut e para o teatro nas décadas seguintes) uma pesada crítica à repressão política e a superficialidade da era da imagem. "Fahrenehit 451" é um retrato sintomático da última década do século XX. Trata-se de uma leitura instigante e muito irônica. O livro é pequeno (pouco mais de 200 páginas, em letras grandes e grande espaçamento entre as linhas) e de rápida leitura. Vale a pena lê-lo e conhecer essa história pouco convencional.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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