• Ricardo Bonacorci

Filmes: Boyhood, Da Infância à Juventude - Meu favorito ao Oscar 2015


Já tenho um filme favorito para o Oscar de 2015. Trata-se de "Boyhood" (Boyhood: 2014). Aqui no Brasil, ele ganhou o subtítulo "Da Infância à Juventude". Assisti ao longa-metragem nessa segunda-feira e fiquei encantando. A grande sacada criativa do diretor Richard Linklater, cineasta norte-americano de pouco mais de cinquenta anos cuja fama se fez pela produção da trilogia "Antes do Amanhecer" (Before Sunrise: 1995), "Antes do Pôr-do-Sol" (Before Sunset: 2004) e "Antes da Meia Noite" (Before Midnight: 2013), está em permitir o envelhecimento natural dos personagens à medida que a história avança. Esse efeito é incrível e muda completamente nossa percepção em relação ao filme e aos personagens.

Filmado ao longo de 40 dias distribuídos no período de 12 anos (uma das produções mais longas da história do cinema), o filme conta a vida da família do menino Mason. Os pais dele são divorciados e precisam se virar para criar os filhos (além do menino, o casal tem uma filha como primogênita). O longa-metragem abrange da infância de Manson (quando entra na escola aos 6 anos de idade) até o início da fase adulta (quando ele entra na faculdade aos 18 anos).

Ver os personagens envelhecendo de verdade é uma experiência incrível. A mãe de Mason, no início da trama, é jovem, magra e muito bonita. O menino, aos 6 anos de idade, é uma gracinha. O pai, muito jovem para a sua função naquele momento, é o retrato de alguém que não se encaixa no papel pelo qual foi incumbido (a paternidade). Ele sonha em ser músico e por isso é mal visto pelos familiares da ex esposa, vivendo sempre sem dinheiro. A irmã mais velha de Mason tem no começo do filme o dobro do tamanho dele, parecendo ser muito mais velha do que realmente é. Ela olha para o irmão caçula como se ele fosse ainda um bebezinho, incapaz de tomar conta de si mesmo e de falar ou fazer algo relevante.

À medida que o tempo vai passado (de verdade) e cada um vai ficando mais experiente, as mudanças vão aparecendo de forma nítida. A jovem mãe dá lugar a uma senhora um pouco acima do peso. A beleza dela ainda está lá, mas não pode mais ser comparada aos tempos de mocidade. O menino gracioso vira um adolescente chato e encrenqueiro. O pai abandona a música (e o sonho nutrido na mocidade) e passa a trabalhar em um emprego convencional e bem remunerado. Torna-se, assim, um homem sério e um bom pai de família (ele se casa novamente e tem mais um filho). A irmã se torna mais baixa do que o irmão e não o enxerga mais como um mero estraga-prazer ou alguém enfadonho. Os dois se tornam grandes amigos e companheiros.

Falando assim, pode parecer uma estratégia simplista e pouco eficiente utilizar os mesmos atores para retratar o envelhecimento dos seus personagens. Mas não é. É algo genial! Não conheço outro caso de cineasta que tenha tentado algo parecido. Ver na tela o amadurecimento físico das crianças, o envelhecimento dos pais, a maturação das relações entre eles e o desenrolar da história é algo espetacular. As mudanças físicas dos atores, às vezes, foram tão gritantes que em algumas oportunidades não acreditei serem as mesmas pessoas (isso aconteceu principalmente com as crianças) a desempenhar os papéis ao longo do tempo. Pareciam outras pessoas e atores.

A história em si é um enredo convencional: um drama familiar na perspectiva do caçula. Ela é interessante, mas não passa disso. Se fosse analisar apenas o enredo em si, daria uma nota 5 para o filme. Ou seja, passaria de ano (pelo menos nos critérios da minha escola que tinha como média exatamente essa nota) em cima do laço. Agora, se analisarmos o filme sob a perspectiva da estratégia inovadora de utilizar os mesmos atores ao longo dos 12 anos, a coisa muda de patamar. A película passa a contar com a excelente nota de 9 pontos, segundo meus vagos critérios de pontuação. Para mim, é uma obra formidável!

Alguém poderia me perguntar: e qual a graça disso? Nós não vivenciamos as pessoas envelhecendo ao nosso redor todos os dias? Não é exatamente a mesma coisa? Eu respondo: não é a mais coisa e a graça está exatamente aí. Para constatar que alguém envelheceu 12 anos, precisamos esperar esse período de tempo. E no processo, não percebemos os detalhes dessas mudanças. No filme, de pouco mais de duas horas de duração, nós conseguimos ver com todos os nuances essas variações. O grande mérito desta obra está exatamente nesse ponto: jogar diante dos nossos olhos coisas que não percebemos no dia a dia.

Gostei tanto desse filme que irei torcer por ele no Oscar deste ano. Para mim, já tenho um favorito. E se você ainda não assistiu à "Boyhood", sugiro assistir o quanto antes. Afinal, se você demorar muito para fazê-lo, quem sabe você não terá envelhecido a ponto das pessoas não o reconhecerem ou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles já terá ofertado uma estatueta dourado para os produtores dessa obra prima. Portanto, corra!

Veja o trailer de "Boyhood":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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