• Ricardo Bonacorci

Internet: Especial de Natal do Porta dos Fundos - Frustração


No ano passado, fiquei positivamente impressionado com o Especial de Natal lançado pela trupe do site de humor Porta dos Fundos nesta mesma época. O grupo produziu cinco vídeos com a temática natalina e reuniu todos eles em uma mesma edição, com mais de dezesseis minutos de duração. O resultado final foi muito bom. Na verdade, muitíssimo bom. Ótimo! As melhores enquetes foram: Jesus apresentando Maria Madalena como sua namorada para os pais em um jantar de família ("Eu tenho a impressão que conheço você de algum lugar"), Jesus e os apóstolos tendo dificuldades para reservar uma mesa em um restaurante lotado ("É porque a gente chamou de 'A Última ceia'") e Maria explicando para José que o filho esperado por ela não era dele e sim de um tal de Deus ("Não sabia que tinha visita aqui hoje"). Essas três para mim são excelentes!

Com a expectativa elevada pelos ótimos vídeos produzidos no ano anterior, assisti ao especial deste ano. São seis vídeos totalizando vinte e dois minutos. E o resultado foi decepcionante. Chamado de "Especial de Natal - Velho Testamento", o grupo optou por apresentar histórias debochadas sobre o Velho Testamento (na outra oportunidade, o foco foi o Novo Testamento). Algumas enquetes são boas, como a primeira, onde uma mulher não acredita na existência de Deus, apesar da insistência Dele ("Deus Meu") e a segunda, quando Noé e sua esposa discutem sobre a lista de pessoas que farão parte da Arca durante o dilúvio ("Lista"). As outras quatro são apenas regulares. A opção por entrevistar Inri Cristo como prelúdio aos vídeos até pareceu, a princípio, uma boa opção. Afinal, qualquer coisa no lugar das cenas sem graça de Gabriel Totoro seria melhor. Porém, a figura já batida desse personagem (o pessoal do Pânico, por exemplo, cansou de ridicularizar esse senhor) não contribui em nada para elevar a qualidade e a graça do humor feito.

De qualquer maneira, a minha decepção pelo novo trabalho do Porta dos Fundos talvez tenha sido reflexo mais da alta expectativa inicial do que pela qualidade do material. As histórias não são ruins. Elas são medianas no total, com alguns lances bons. A qualidade técnica da produção também está longe de ser considerada inferior (ela até evoluiu neste período, alcançando um bom patamar). O problema, a meu ver, está no trabalho excelente de 2013. Eu cansei de rir dos quadros criados para o Natal passado e imaginei que isso fosse se repetir agora. A frustração, no qual falei inicialmente, se deve a falta de risadas nas mesmas proporções da outra vez.

O que aconteceu em um ano? Não acho o Porta dos Fundos atual mais chato ou desengraçado se comparado ao antigo. Não é essa a questão. O humor deles ficou apenas mais previsível. Aí está o problema de todo grupo deste gênero. Com o transcorrer do tempo, o público começa a identificar a forma de trabalho daquele grupo e aos poucos ela vai naturalmente perdendo seu efeito (por mais inovadora que ela tenha sido um dia). Afinal, um dos componentes principais do humor é a surpresa. Quando não somos surpreendidos, temos dificuldades para rir das situações representadas. O fim da "TV Pirata", dos "Trapalhões", do "Casseta & Planeta", entre outros grupos de humor, tem relação com esse fato.

Acho que é exatamente esse o ponto no qual o Porta dos Fundos está vivendo. Com a superexposição do grupo e de seus trabalhos (são três vídeos semanais no site e um programa semanal na TV a cabo) ao longo de dois anos e meio, o público parece já ter se acostumado com o apelo da trupe. Foi o que aconteceu comigo em relação ao especial de Natal.

Não sei qual a receita para o Porta dos Fundos recuperar seu vigor inicial (isto é, se existir uma fórmula para isso, algo sempre duvidoso). No próximo ano, minha expectativa para o Especial de Natal será bem baixa. A (única) vantagem positiva dessa condição é que a chance de eu ser encanto é maior em caso de um bom trabalho. O aspecto negativo é: talvez eu não perca o meu tempo assistindo ao programa (perdendo, assim, a oportunidade de conhecer um bom trabalho). É uma faca de dois gumes, como diria o famoso ditado popular. Esperemos para ver.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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