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Filmes: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) - As maluquices de Iñárritu


Espetacular! Histórico! Caótico! Sensacional! Único! Arisco! Perfeito! Essas são as palavras que rondavam a minha cabeça hoje à noite ao sair do cinema depois da sessão do filme "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance): 2014). O longa-metragem co-escrito, co-produzido e dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (de "Babel", "Biutiful" e "O Último Elvis") e recém lançado no Brasil é incrível. Este é o filme mais original que assisti nos últimos anos. Nem sei se consigo externar minhas impressões. Mesmo assim vou tentar.

Começando pela história: "Birdman" aborda os bastidores de uma peça teatral da Broadway. Quem dirige, roteiriza e estrela a peça é Riggan Thomson (interpretado por Michael Keaton), um antigo ator que fez muito sucesso no cinema com um personagem de super-herói chamado Birdman. Os tempos de glória e fama de Thomson ficaram para trás quando ele se recusou a gravar o quarto episódio da série do super-herói. Nos dias de hoje, o ator é considerado pelo público e pela crítica como um fracassado e um péssimo interprete. Psicologicamente vulnerável, Riggan é perseguido pelas vozes do super-herói que encarnou no passado. Para provar seu talento e recuperar o antigo prestígio, o ator resolveu ir para o teatro e produzir uma peça na Broadway. Essa é a grande e última chance de provar seu valor.

Porém, as coisas não parecem sair como Riggan Thomson deseja. Os ensaios da peça são catastróficos. Os demais atores da produção, Mike Shiner (interpretado por Edward Norton), Lesley (Naomi Watts) e Laura (Andrea Riseborough) têm vários problemas de relacionamento e de desempenho. Há ainda dificuldades com o agente de Riggan (Zach Galifianakis), com a filha (Emma Stone) e a ex esposa (Amy Ryan). Ou seja, os personagens estão no meio de uma grande confusão.

A sensação de caos se acentua pelo estilo de filmagem. Alejandro González Iñárritu optou por um plano sequencial longo e contínuo. Praticamente não há corte nas cenas. Com isso, o filme não para, tornando-o ainda mais caótico. A câmera se torna praticamente um novo personagem do enredo, caminhando por todos os lugares e invadindo a privacidade das pessoas. A dinâmica do longo-metragem, de certa forma, faz referência às peças teatrais, o tema do enredo. Da forma como foi filmado, o telespectador se sente em uma peça e não em um filme. Isso é bem legal.

Outro ponto interessante é o paradoxo entre realidade e ilusão. Em muitas partes, brinca-se com esses elementos: o que estamos vendo, afinal, é verdadeiro ou faz parte da imaginação dos personagens? Essa dúvida vai da primeira cena até a última, aumentado à medida que o filme vai se desenrolando. E por falar em final... Quando achamos que já vimos tudo, o encerramento do filme é espetacular! Meio estranho, admito, mas muito bom.

São muitos os elementos inovadores desse longa-metragem. "Birdman" é um filme único, incomparável, principalmente pela forma como foi filmado e produzido. Já li críticas comparando-o a produções como "A Malvada" (All About Eve: 1950) e "O Artista" (The Artist: 2011). Afinal, todos têm no enredo atores em fases de decadência na carreira, tentando dar a volta por cima. Acho essa analogia pobre. São filmes completamente diferentes...

De tão inovador e diferente, "Birdman" pode ser ignorado pela Academia durante a votação do Oscar. Esse é o meu temor. Ele merece sim a estatueta de melhor filme (assim como "Boyhood - Da Infância à Juventude" também merece), mas corre o risco de não ser compreendido. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles é conhecida pelo seu conservadorismo e por premiar produções com determinado estilo. Dessa forma, o meu favoritismo para o prêmio máximo do cinema continua com Boyhood, um filme também revolucionário (por filmar ao longo de doze anos os mesmo personagens para mostrar seu real envelhecimento) e com um enredo mais convencional.

De qualquer maneira, "Birdman" é um filme histórico, com potencial para ser citado daqui algumas décadas como um clássico. E Alejandro González Iñárritu é um revolucionário, tendo alterado as bases da filmagem do cinema moderno. Não duvido que daqui alguns anos ele seja considerado um gênio da Sétima Arte.

Veja o trailer de "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)":

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#AlejandroGonzálezIñárritu

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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