• Ricardo Bonacorci

Filmes: O Último Concerto - A despedida de Philip Seymour Hoffman


Até 2005, Philip Seymour Hoffman sempre foi escalado para fazer papéis de coadjuvante no cinema. Mesmo assim, o ator conseguia desempenhar ótimos trabalhos, deixando seu nome e sua marca em muitas produções. "Perfume de Mulher" (Scent of a Woman: 1992), "Twister" (Twister: 1996), "Magnólia" (Magnolia: 1999), "O Talentoso Ripley" (The Talented Mr. Ripley: 1999) e "Cold Mountain" (Cold Mountain: 2003) são provas do talento deste artista. A vida profissional de Hoffaman mudou radicalmente em 2005. Escalado para ser o protagonista de "Capote" (Capote: 2005), ele arrebentou e ganhou o Oscar de melhor ator daquele ano. Assim, Philip Seymour Hoffman se tornou conhecido mundialmente e reconhecido como um dos melhores atores de sua geração. Novos tempos estavam iniciando-se para ele.

Foi surpresa geral, portanto, no início desse mês de Fevereiro, a notícia da morte do ator. No dia 2 de Fevereiro, Hoffman foi encontrado morto em seu apartamento em Nova York. Uma overdose de drogas foi o motivo do óbito. A indústria cinematográfica ficou de luto com a perda de um dos grandes atores da atualidade. O público lamentou o falecimento precoce do carismático artista de 47 anos.

E nesse cenário de consternação e luto, foram lançados, coincidentemente, aqui no Brasil, alguns filmes nos quais o ator trabalhou pela última vez. "O Último Concerto" (A Late Quartet: 2012) e "O Homem Mais Procurado" (A Most Wanted Man: 2014) estão nas salas de cinema de todo o país para quem desejar ver as atuações derradeiras de Hoffman na tela grande. Sabendo disso, corri para ver um deles. Minha escolha recaiu sobre "O Último Concerto".

Neste filme dirigido por Yaron Zilberman, Peter (interpretado com sensibilidade por Christopher Walken) é o integrante mais velho de um famoso e tradicional quarteto de cordas, com 25 anos de existência. Os quatro músicos do grupo são muito amigos e a parceria artística de duas décadas e meia entre eles parece sólida e inabalável. Isto até o início dos ensaios para a nova temporada.

Peter descobre que está com Mal de Parkinson e que não poderá seguir no quarteto. Assim, ele anuncia a sua aposentadoria para os colegas (irá fazer um último concerto de despedida) e se prontifica a procurar alguém para substituí-lo. Essa mudança precipita outras alterações traumáticas no grupo. Robert (o segundo violinista, interpretado por Philip Seymour Hoffman) briga com Daniel (o primeiro violinista, interpretado por Mark Ivanir) porque na nova formação ele deseja atuar com mais destaque e não apenas como coadjuvante. O colega não concorda com isso. Além disso, Juliette (Catherine Keener), casada com Robert no filme e outra integrante do quarteto, briga com o marido, colocando o futuro do grupo em risco. Nesse cenário de brigas e confusões (os problemas vão se sucedendo ao longo da história), os músicos se preparam para a apresentação de despedida de Peter.

"O Último Concerto" é um filme bonito e dramático. Ele não é daquelas produções com cenas de ação, aventura e correria, tão comuns do cinema hollywoodiano. Pelo contrário. É um filme de diálogos longos, de emoções intensas e de cenas mais paradas. Muitas pessoas podem achá-lo meio cansativo, mas não é não. Eu achei ótimo. A parte musical é excelente. Quem gosta de música clássica não pode perder a oportunidade de ouvir Opus 131 de Beethoven sendo executada com primor.

E para completar, de uma certa maneira, o filme traz uma coincidência triste. "O Último Concerto" aborda, em seu enredo, a finitude da vida e a despedida da cena profissional de um grande artista (o músico com Mal de Mal de Parkinson). Ao mesmo tempo, a produção se tornou, sem querer, um tributo de despedida ao ator Philip Seymour Hoffman da cena cinematográfica. É ou não é mesmo o último concerto?

Veja o trailer de "O Último Concerto":

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#PhilipSeymourHoffman #YaronZilberman

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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