• Ricardo Bonacorci

Filmes: Leviatã - Em meio à corrupção russa


Não é preciso conhecer profundamente a Rússia para saber da existência de altos índices de corrupção, da burocracia absurda e da atuação criminosa das máfias daquele país. Isso tudo sob a perspectiva de um brasileiro, que definitivamente não mora em um local imune a essas pragas. Pensando bem, até acho que na terra de Dostoiévski a corrupção, a burocracia e as máfias criminosas são até piores e mais atuantes do que na nação de Machado de Assis. É difícil imaginar isto, mas é a mais pura verdade...

Estou falando sobre isso, pois assisti hoje ao filme "Leviatã" (Leviathan: 2014). Essa produção russa foi uma das indicadas ao Oscar deste ano, sendo preterida na decisão pelo polonês "Ida" (Ida: 2013), o vencedor da estatueta dourada. Dirigido por Andrey Zvyagintsev, cineasta de 51 anos que já realizou trabalhos como "Elena" (Elena: 2011), "O Desterro" (Izgnanie: 2007) e "O Retorno" (Vozvrashcheniye: 2003), "Leviatã" é um retrato fiel da Rússia atual.

Nessa história, Kolia (interpretado por Alexeï Serebriakov) é um pai de família com uma propriedade na península do Mar de Barents, no Ártico. Sua casa fica no pé da montanha e ao lado do mar, em um lugar paradisíaco, gerando muita inveja das autoridades locais. O prefeito corrupto da cidade (interpretado por Roman Madianov), um poderoso político local, prepara uma grande armação para conseguir desapropriar o terreno da família de Kolia e colocar as mãos naquelas terras. A partir daí, a vida do honesto e simples proprietário vira de ponta-cabeça. Todos ficam contra ele: a polícia, a Justiça e a prefeitura. Ele fica acuado diante da corrupção, da burocracia e da máfia de políticos e de funcionários públicos locais.

Para conseguir salvar seu patrimônio, Kolia contrata Dimitri (Vladimir Vdovitchenkov), um advogado amigo seu vindo de Moscou. Dimitri, muito competente, esforçado e honesto, se desdobra para mudar o panorama do caso na Justiça, mas acaba tornando a situação mais crítica. A relação familiar de Kolia se deteriora acintosamente, grande parte por culpa do advogado.

"Leviatã" é um filme longo com quase duas horas e meia de duração e bem pesado. Os personagens passam o tempo inteiro bebendo (e muito!) e discutindo entre si. A violência, a corrupção e os desmandos políticos são a base da sociedade russa, retratada nesta produção. Assim, o diretor Andrey Zvyagintsev apresenta a decadência do homem e da sociedade de seu país após a queda do comunismo. As instituições governamentais são usadas por burocratas e por corruptos para saquear a propriedade e a fortuna alheia. Nesse contexto, a população simples e desprotegida se torna vítima fácil e inocente das maldades dos políticos inescrupulosos.

Repare nos monstros marinhos que aparecem durante todo o longa-metragem. Eles são referências ao nome do filme. Leviatã é o título de um livro de Hobbes e também indica uma passagem da Bíblia. No primeiro caso, a denominação refere-se a estrutura da sociedade e do governo teorizada por Hobbes, enquanto no segundo ela é relativa ao monstro marinho bíblico. Além disso, note a excelência da trilha musical. Ela retrata a decadência da vida e da sociedade russa com primor.

"Leviatã" é um filme complexo e denso. Sua beleza está na sua inteligência e sua profundidade. Nunca é agradável ver os podres, os defeitos e a decadência de uma sociedade. Porém, a arte tem essa função. Ela deve retratar o dia a dia de um povo e as características de um país. Este é o grande mérito desta produção: jogar luz sobre a Rússia atual.

Veja o trailer de "Leviatã":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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