• Ricardo Bonacorci

Filmes: Democracia em Preto e Branco - Nos braços do povo


Um filme sobre o processo de redemocratização do Brasil na primeira metade da década de 1980 sob a ótica do futebol e da música. Esta é a proposta de "Democracia em Preto e Branco" (2014), documentário de Pedro Asbeg, cineasta que tem feito várias produções sobre futebol nos últimos anos ("Copa Vidigal" de 2010, "Pulmão da Arquibancada, A Raça Rubro-Negra" de 2013 e "Geraldinos" de 2015, entre outras).

"Democracia em Preto e Branco" foi lançada em abril do ano passado e não chegou às salas comerciais. Ela foi exibida em algumas sessões em eventos isolados. Como não consegui assisti-la na época, corri hoje à noite para a unidade da FIESP/SESI-SP da Avenida Paulista onde está sendo apresentado o 11o Festival FIESP/SESI-SP de Cinema. A mostra cinematográfica se propõe a apresentar as melhores produções do cinema nacional de 2014. E o filme de Asbeg era o destaque dessa segunda-feira.

"Democracia em Preto e Branco" apresenta através de entrevistas (com Sócrates, Casagrande, Wladimir, Lula, Fernando Henrique, Marcelo Rubens Paiva, Marcelo Tas, Paulo Miklos, Rita Lee, entre outros) e da narrativa histórica a experiência inovadora e ousada dos jogadores corintianos dos anos de 1982 a 1984 de administrarem sua equipe através do voto direto e das escolhas da maioria (ao invés da hierarquia).

Esse novo modelo de gestão do esporte ficou conhecido como a Democracia Corintiana. A ideia surgiu a partir da crise política do clube do Parque São Jorge (o time tinha caído para a segunda divisão do campeonato brasileiro e o presidente estava em litígio com o vice-presidente) e da chegada de um sociólogo comunista (Adilson Monteiro Alves) para ocupar a diretoria de futebol. No novo sistema implementado pelo revolucionário diretor (e liderado pelos jogadores Sócrates, Wladimir e Casagrande), os atletas passaram a ter voz ativa em todas as decisões do clube. Eles opinavam desde os períodos de concentração e horários de treinos até a contratação de novos jogadores e as formas de divisão da premiação pelas vitórias. O lema do grupo era: "Ganhar ou perder. Mas sempre com democracia".

O movimento da Democracia Corintiana foi tão forte que acabou ultrapassando os muros do clube, influenciando a política nacional e a campanha das Diretas Já. O filme ainda retrata muito bem o cenário daquela época: a ditadura militar completava quase duas décadas no poder e o país estava arruinado socialmente e economicamente; e Rock N'Roll explodia no país como gênero musical de protesto, tomando as ruas e as bocas dos jovens.

Neste documentário, portanto, futebol, música e política se unem para narrar as aspirações de mudanças da nação brasileira em um dos períodos mais turbulentos da história do país.

Achei o filme de Pedro Asbeg bom. Ele consegue prender a atenção do telespectador ao longo dos seus noventa minutos de duração e possui uma narrativa linear e bem estruturada. A escolha dos entrevistados foi acertada, assim como o equilíbrio entre as imagens de futebol, música e política. Claro que os corintianos, provavelmente, se sintam mais felizes em ver novamente as grandes atuações do grande time bicampeão paulista de 1982 e 1983 (com Zenon, Sócrates, Casagrande, Wladimir, Biro-Biro, Zé Maria e Ataliba). Há um desfile de gols e de partidas do Timão na tela. Entretanto, esse não é um filme exclusivo para os corintianos e sobre futebol. Ele é acima de tudo um filme sobre política e democracia. Quem viveu os anos de 1980 tem a chance de relembrar as emoções das campanhas pelas Diretas Já e quem não as viveu tem a oportunidade de conhecer passagens interessantes da nossa história.

O Festival FIESP/SESI-SP de Cinema prossegue até o final do mês. As entradas são gratuitas e as sessões principais acontecem normalmente às 20 horas. Quem tiver interesse por ver as boas produções nacionais, fica aqui essa dica!

Veja o trailer de "Democracia em Preto e Branco":

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#filmes #cinema #PedroAsbeg

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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