• Ricardo Bonacorci

Livros: Um Grande Garoto - Amizade entre desajustados por Hornby


"Um Grande Garoto" (Rocco) é o segundo grande sucesso de Nick Hornby no gênero ficcional (terceiro grande êxito se considerarmos o livro de memórias "Febre de Bola"). Lançado em 1998, depois do marcante "Alta Fidelidade", "Um Grande Garoto" agradou os leitores cativos do escritor inglês e se tornou rapidamente um best-seller. Em 2002, a história foi transposta para as telas do cinema, em um filme estrelado por Hugh Grant e dirigido pela dupla de irmão Chris Weitz e Paul Weitz.

Neste romance, Will Freeman é um solteirão de 36 anos que nunca trabalhou na vida. Ele vive da herança e dos direitos autorais de uma música natalina feita pelo seu falecido pai, o que lhe confere uma ótima renda mensal. Assim, sua vida financeira é muito confortável. Entretanto, ele tem um sério problema: o que fazer durante os dias e as noites? Sem nada de produtivo para realizar, o rapaz gasta seu tempo ouvindo músicas, assistindo aos programas de televisão, frequentando festas, indo a bares e flertando com as mulheres.

Will é um homem que não se compromete com nada e com ninguém. Ele não tem namorada, não interage com a família e não tem grandes amigos. Todas suas atividades diárias são supérfluas. Trata-se, assim, de uma existência vazia e limitada. Isso o começa a incomodar porque ele se torna um parceiro desinteressante para as mulheres. Preocupado com isso, ele inventa que ao invés de ser solteiro e não possuir filhos, ele é um homem separado e com um filho. De repente, Will se torna mais interessante aos olhos das mães solteiras. Esse grupo passa a cortejá-lo, não percebendo a coleção de mentiras contadas pelo rapaz.

No meio dessas armações, Will conhece Marcus, o filho desajustado de doze anos de uma dessas mães solteiras. Marcus é um garoto problemático, abalado pela tentativa da mãe em se suicidar. O menino faz tudo o que a matriarca exige, usando roupas antiquadas, ouvindo música antiga, se alimentado de forma saudável e tendo um corte de cabelo esquisito. Assim, se torna alvo de bullying na escola. Sem amigos em nenhum lugar, Marcus se aproxima de Will. A amizade entre os dois é inicialmente conflitosa e atípica. Aos poucos, os dois vão criando vínculos sinceros e amistosos.

"Um Grande Garoto" é, portanto, a história da amizade entre dois desajustados. Um homem com a cabeça de adolescente e um menino com dificuldades para passar por esse estágio da vida.

Neste livro, temos todos os elementos que caracterizam as obras de Nick Hornby: personagens complexados, imaturos e/ou presos na "eterna adolescência"; referência à cultura pop, com a citação de várias músicas, bandas, cantores, times e jogadores de futebol, programas de televisão e filmes; os personagens principais são figuras masculinas; o enredo gira em torno dos problemas de relacionamento dos personagens; o humor é autodepreciativo; e a linguagem é simples e objetiva.

Gostei de "Um Grande Garoto". É uma boa história, com ótimos personagens e um enredo interessante e bem construído. A leitura foi agradável e rápida. Li as pouco mais de 260 páginas da obra em três dias. Porém, a sensação ao terminá-lo é que eu já tinha visto aquele "filme" antes. Como a estrutura do livro é muito parecida aos três livros anteriores que eu li deste autor ("Febre de Bola", "Alta Fidelidade" e "Uma Longa Queda"), fica a impressão de déjà vu. Esse é ponto negativo de um escritor ter uma marca muito forte. Sua literatura fica repetitiva e previsível, cansando às vezes o leitor habitual de suas obras.

Para quem se interessar em ler "Um Grande Garoto" e quiser procurá-lo nas livrarias, preciso fazer um alerta. Quem possui agora os direitos de publicação das obras de Nick Hornby aqui no Brasil é a editora Companhia das Letras. Entretanto, ela ainda não fez uma edição para este título, não sendo possível, portanto, adquiri-lo. A única alternativa para os interessados em ler esta história é comprar uma edição antiga, publicada pela Rocco, a editora que possuía os direitos autorais antes da Companhia das Letras. Como é proibida a venda em livrarias de "livros antigos" (sem direito autoral por parte da editora), o jeito é procurá-los em sebos. Foi o que fiz. Não tive dificuldade de achar uma versão em um bom sebo de Pinheiros. Fica a dica!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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