• Ricardo Bonacorci

Livros: Funny Girl - Nick Hornby nos tempos de I Love Lucy


Esta é a mais recente obra de Nick Hornby. Depois de um hiato de seis anos sem publicar nada novo (o escritor se dedicou nesse período a adaptar algumas de suas obras para o cinema, além de produzir roteiros cinematográficos e televisivos e letras de música), chega ao mercado editorial "Funny Girl". Aqui no Brasil, a Companhia das Letras é a responsável pela publicação. O último livro do autor tinha sido "Juliet, Nua e Crua", lançando em 2009.

"Funny Girl" é uma história de época. Ambientada nos anos de 1960, a obra narra a saída de Barbara, uma jovem bonita e sonhadora, da sua pequena cidade ao norte da Inglaterra, Blackpool, para a Londres. Barbara não aceita o prêmio de Miss Blackpool, ganho em um concurso de beleza, e parte para a capital do país sonhando em se tornar uma comediante. Depois de alguns testes mal sucedidos, ela consegue o papel de protagonista em uma série cômica de televisão chamada de "Barbara (e Jim)". Barbara muda, então, de nome (passa a se chamar artisticamente Sophie Straw) e é alçada ao estrelato. A vida da moça muda radicalmente com o sucesso do programa televisivo. "Funny Girl" aborda a vida de Sophie, os bastidores do seu programa de TV e sua relação com os demais profissionais envolvidos na produção.

O mais engraçado dessa história é que a medida que o programa "Barbara (e Jim)" vai fazendo sucesso, mais a realidade vai se misturando com a ficção e a ficção vai se misturando com a realidade. As vidas dos roteiristas (a dupla homossexual Bill Gardiner e Tony Holmes), dos atores (Clive Richarson interpreta o marido de Sophie na série) e do diretor (Dennis Maxwell-Bishop), de certa forma, são influenciadas pelos acontecimentos da tela e, ao mesmo tempo, os episódios e o desenrolar do programa vão sendo moldados a partir das vivências reais dos roteiristas, do diretor e dos atores.

Ao ler o livro imediatamente me lembrei da peça "Caros Ouvintes", que vi no mês passado (ver post do dia 4 de Abril). Enquanto a peça teatral narrava os bastidores de uma radionovela na década de 1960, aqui no livro se relata os bastidores de um programa de televisão nos anos de 1960: a parceria e os desafios dos roteiristas, a relação pessoal e de vaidade entre os atores, o trabalho do diretor da produção, as negociações com a diretoria da emissora de televisão, etc.

"Funny Girl" traz como grande inovação para a literatura de Hornby o fato de ser a primeira história do inglês que acontece no passado (década de 1960). Também segue uma tendência do autor em explorar protagonistas do sexo feminino (Barbara/Sophie). Depois de iniciar suas primeiras tramas sempre com homens ("Febre de Bola", "Alta Fidelidade" e "Um Grande Garoto"), nas últimas obras a preferência pelo universo feminino tem se aflorado (tudo começou com "Como Ser Legal", cuja protagonista é Kate Carr, uma médica em crise).

Admito que fiquei surpreendido com este livro. Ele é bem diferente dos outros de Nick Hornby. Esta obra possui uma temática mais leve, com personagens menos complexados e com um enredo mais despretensioso. Enquanto isso, o autor mantém sua característica de falar da cultura popular de maneira divertida e alegre. O ritmo da narrativa (em terceira pessoa) é fluente e a trama é interessante. O resultado final é muito satisfatório. Gostei muito do livro. Ele é gostoso de ler e de rápida evolução. Li as suas 417 páginas em três noites.

Minha conclusão após terminar "Funny Girl": esta obra marca a procura de Nick Hornby por novos caminhos dentro da literatura. O inglês está tentando se reinventar e está diversificando suas histórias. Esse é um ótimo sinal. Mostra o quanto o escritor está amadurecendo e tendo a coragem de experimentar coisas novas. Estou ansioso para saber como será essa evolução nos próximos anos. Minha torcida é que o próximo livro de Hornby não demore, como este, tanto tempo para ser produzido e lançado. Seis anos é tempo de mais...

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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