• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Eu e o Mundo - 8 - O Eco de Antigas Palavras


Andar por cidades antigas ou avistar construções de muitas décadas atrás é voltar no passado e rememorar um tempo já esquecido. O mesmo se passa quando entramos em contato com objetos antiquados. Vê-los e manuseá-los é uma maneira de compreendermos como era a vida de nossos antepassados. Esse choque entre presente e passado é riquíssimo. Apesar do progresso tecnológico e científico constante de nossa sociedade, estamos o tempo todo interagindo com o antigo. Conhecer e entender nossas raízes é, de certa forma, um exercício de maturidade e de autoafirmação.

O mesmo processo se passa com o nosso idioma. Você já parou para pensar sobre isso? As línguas estão em constante evolução e, por isso, estamos sempre interagindo com fragmentos do passado. Compreender o desenvolvimento idiomático é entender como a sociedade e a cultura de um povo se consolidou ao longo dos anos. Em cada palavrinha, expressão, ditado popular ou construção semântica temos um pouquinho dos nossos antepassados e um elo perdido de nós mesmos.

Curiosamente, poucas pessoas enxergam a importância deste tipo de estudo. Os historiadores, os arqueólogos, os cientistas, os pesquisadores e os desenvolvedores de novos produtos são vistos geralmente como protagonistas do estudo da relação sociocultural de uma civilização. Já os estudiosos do idioma são renegados para um injusto segundo plano nesta discussão. Esse equívoco se faz pelo desconhecimento das pessoas da importância do idioma para seu povo.

No vídeo "Idiomaterno", exibido no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, há algumas passagens interessantes sobre essa questão. "Não existe humanidade sem língua. É ela quem dá significado e sentido ao que somos, pensamos e fazemos", diz o narrador da produção. Em outro trecho do mesmo vídeo, a relação do idioma e a formação cultural da sociedade é mais explícita: "A língua é como a espinha dorsal que põe de pé as sociedades, organizações, crenças, costumes, valores e comportamentos".

De maneira mais poética, Chico Buarque, em sua canção chamada "Futuros Amantes", proclama: "Sábios em vão/tentarão decifrar/o eco de antigas palavras/fragmentos de cartas, poemas/mentiras, retratos/vestígios de estranha civilização(...)". Para o músico e compositor carioca, as letras têm o poder de retratar um período de tempo específico de uma sociedade. Para José Saramago, conforme descrito no documentário "Língua - Vidas em Português", a língua pátria é um arquivo de beleza e fonte de valor, sendo muito mais do que mera ferramenta de comunicação. Ela é a expressão maior de um povo.

Dessa forma, fica clara a importância de estudarmos e compreendermos os "ecos das antigas palavras". Elas dizem muito do que somos e do que nossos antepassados foram. Nossa língua é a parte fundamental da representação cultural e social de nosso povo. Não podemos nos esquecer disso. Jamais!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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