• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Eu e o Mundo - 9 - O que Devo Fazer Nesta Crise?


Os tempos de bonança da economia ficaram para trás. Depois do crescimento constante do PIB (Produto Interno Bruto) nos primeiros anos do novo século e nos primeiros anos desta década, uma grave crise econômica chegou ao nosso país. Em qualquer canto do Brasil é possível ver pessoas reclamando da queda acentuada dos negócios, da falta de emprego, da perda de poder aquisitivo e da inflação elevada. O cenário é o pior possível. Junto com a crise econômica vieram em conjunto as crises política, social e de confiança. O que fazer nesta situação? Como encarar as adversidades?

A primeira coisa na qual devemos analisar é que crises fazem parte da dinâmica do capitalismo (e da própria vida, se formos pensar um pouco mais filosoficamente). Não é possível viver eternamente progredindo. Às vezes, é necessário parar e até mesmo dar alguns passos para trás, para depois seguir avançando com mais força e confiança.

Joseph A. Schumpeter, brilhante economista austríaco, já afirmava na década de 1930 que a economia capitalista é formada por sucessivos períodos de crescimento e de recuo. Depois da expansão sempre vem a regressão. E depois da crise, sempre vem o progresso. Esse é um movimento cíclico. Assim, o que estamos vivendo hoje em nosso país não é novidade nenhuma. Depois do crescimento dos últimos anos, nada mais natural do que a economia entrar em crise para se readequar às extravagâncias e aos excessos do período de expansão rápida.

Sabendo desta dinâmica da economia, muitos estrategistas do mundo dos negócios orientam as pessoas e os profissionais a trabalharem sempre se antecipando ao ciclo. Ou seja, no período de progresso, o ideal é já se preparar para a chegada da crise iminente. Lembramo-nos da fábula da formiga e da cigarra, quando a primeira trabalhava incansavelmente e economizava em pleno verão para a chegada do inverno, enquanto a segunda não trabalhava nem se preparava para a vinda do tempo frio. Não é à toa que esta passou por maus momentos quando o inverno chegou...

No período de crescimento, as famílias devem economizar seus recursos, os profissionais devem investir em suas capacitações e as empresas devem diminuir seus custos e melhorar seus processos. Todos precisam estar preparados para a chegada do inverno (período de maior competição e de menor quantidade de recursos disponíveis no ambiente) que se aproxima. Infelizmente, quase ninguém age dessa forma no Brasil. Somos um povo muito parecido com a cigarra. Admiramos o jeito da formiga, mas não conseguimos imitá-la.

E como devemos agir agora na época da crise? Quem não fez a lição de casa, precisa fazê-la na marra e urgentemente. O problema está no fato que não estamos na melhor condição e no melhor cenário para fazer muitas das práticas aqui sugeridas. É mais difícil economizar, por exemplo, quando os salários e os faturamentos são menores. O mesmo se aplica a necessidade de investimento em capacitação, no corte de custos e no investimento em melhorias de processos. Isto tudo era mais fácil de ser feito há alguns anos. Contudo, quem não fez isto no passado, precisará fazer agora de qualquer jeito. Queira ou não queira.

Quem já realizou essas medidas (amargas), por outro lado, deve e pode pensar no próximo ciclo econômico. Afinal, depois da crise sempre vem o crescimento, não é? E o que é pensar na fase de progresso? É investir na expansão ou na diversificação dos negócios (os ativos estão mais baratos para serem adquiridos nesta época) e no crescimento da carreira (sim, por que não conseguir aquela promoção tão sonhada no emprego?).

A princípio pode até parecer contrassenso investir pensando em crescimento (profissional ou nos negócios) na época de crise, mas não é não (assim como parecia ilógico para a cigarra pensar no inverno durante a estação mais quente do ano). Vejamos o que acontece na prática.

Tenho um casal de amigos que são sócios de uma conceituada empresa de consultoria e treinamento de âmbito nacional. Nesse período de crise, a primeira coisa que as empresas fazem é cortar a verba de treinamento e de consultoria. Ou seja, a companhia deles está vivendo uma das piores fases de sua existência. O que eles fizeram? Além de diminuir os custos do seu negócio e reforçar o investimento em Marketing e Vendas da empresa de consultoria e treinamento, eles resolveram investir em outro negócio, de outro ramo de atividade. A escolha foi pelo setor de entretenimento.

Aí alguém pode pensar: eles estão malucos, abrir uma nova empresa quando vivemos uma séria crise econômica! Eu não faria isso, muita gente concluiria. Em pouco mais de três meses, a nova empresa é um sucesso, sendo destaque nos noticiários de televisão, jornal, revista e Internet. Há a expectativa que até o final do ano, esse novo negócio seja maior do que a primeira empresa deles, com quase vinte anos de existência. Como isso é possível? É possível porque eles investiram em um momento em que ninguém está arriscando. Fica mais fácil crescer quando não há concorrentes ousados por perto.

Outro exemplo aconteceu na minha família. Minha irmã possui uma academia de dança. E sabe qual foi o período de maior crescimento do negócio dela? Justamente durante a crise de 2008. Como isso foi possível? Simples: com a queda da economia, muitas academias de dança no bairro onde a dela estava (está) instalada precisaram fechar as portas. Afinal, não tinham recursos para fazer frente à queda do faturamento e não possuíam processos enxutos para operar com baixa demanda. Com o encerramento das atividades desses vários estabelecimentos, só ficaram algumas poucas academias (justamente as que fizeram a lição de casa na época do oba-oba de crescimento). E estas absorveram os alunos órfãos das que fecharam. Assim, foi possível crescer, mesmo com a economia em evidente recuo. Curioso como funciona a dinâmica dos negócios.

Um amigo meu da época da faculdade também conseguiu recentemente uma grande promoção na empresa na qual trabalha há alguns anos. No meio da demissão de muitos colegas, ele conseguiu ser promovido. Perguntado como aquilo era possível, ele explicou. Enquanto muita gente na companhia estava acomodada nos últimos anos, ele aproveitou para se desenvolver (fez uma pós-graduação e um MBA) e, principalmente, se sujeitou a realizar os projetos mais complicados e renegados da organização. Ele inclusive se mudou três vezes de cidade (para diferentes regiões do país) para assumir postos que ninguém queria. Agora, quando as coisas não estão mais fáceis, ele não apenas passou longe do corte de pessoal como foi o primeiro a ser lembrado quando abriu uma vaga para a diretoria.

Dessa forma, o que devo fazer nesta época de crise? A esta pergunta, a mais ouvida por mim ultimamente, respondo: Se você não fez a lição de casa, faça-a. Se já a fez, invista pensando na próxima fase da economia, a do crescimento. Aproveite essa fase mais morosa da economia para fazer bons negócios e crescer mais do que seus concorrentes (menos preparados e descapitalizados). Trabalhe pensando sempre à frente e nunca com os olhos no passado. Essa é a receita dos bem-sucedidos.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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