• Ricardo Bonacorci

Livros: Melhores Contos de Ignácio de Loyola Brandão


Ignácio de Loyola Brandão é um romancista que também escreve contos ou é um contista que obteve sucesso com seus romances? Estas dúvidas me perseguiam enquanto lia "Melhores Contos" (Global), obra com pequenas narrativas publicadas originalmente entre 1976 e 1987. Selecionadas por Deonísio da Silva, importante crítico literário brasileiro, estas historietas mostram a qualidade e a versatilidade do escritor paulista.

Ao final do livro, cheguei à conclusão que não é possível apontar Loyola Brandão como sendo apenas romancista ou como sendo simplesmente contista. Ele navega muito bem nos dois gêneros literários, apesar de ter tido mais sucesso com o primeiro estilo. "Zero" (Global) e "Não Verás País Nenhum" (Global) são romances reconhecidos e premiados internacionalmente. Apesar de não ter obtido tamanho sucesso com seus contos, o escritor natural de Araraquara acabou escrevendo mais livros deste tipo do que propriamente romances. A primeira obra dele foi justamente um livro de contos: "Depois do Sol" (Global), publicado em 1965.

Depois vieram mais seis obras do gênero: "Cadeiras Proibidas" (Global), de 1976, "Pega ele, silêncio" (Global), de 1976, "Obscenidades para uma dona de casa" (Global), de 1981, "Cabeças de segunda-feira" (Global), de 1983, "O homem do furo da mão" (Global), de 1987, e "O homem que odiava segunda-feira" (Global), de 1987.

O livro "Melhores Contos" possui 15 contos extraídos de quatro obras anteriores: "Depois do Sol", "Pega Ele, Silêncio", "Cadeiras Proibidas" e "Cabeças de Segunda-feira". Os contos são: "No ritmo lento do funeral" (sobre uma competição de dança cujos participantes não podem ficar parados por três dias seguidos), "Retrato do jovem brigador" (relato da vida de um jovem jornalista que adorava se meter em brigas), "A moça que usava chupeta" (relação amorosa do narrador com uma prostituta), "Camila numa semana" (relação do narrador com uma moça durante os anos iniciais da ditadura militar), "O homem que viu o lagarto comer seu filho" (atitude passiva do pai ao ver o filho ser devorado por um monstro), "O homem que procurava a máquina" (mistério por trás de uma máquina que revolucionou uma cidade), "O homem cuja orelha cresceu" (desespero de um rapaz que via sua orelha crescer sem parar), "Os homens que esperaram o foco azulado" (sessão de cinema que nunca começa), "O homem que gritou em plena tarde" (desesperado pelo silêncio súbito da cidade, homem começa a gritar), "O homem que descobriu o dia da negação" (pessoas passam a se comportar de maneira atípica), "Obscenidades para uma dona de casa" (esposa recebe cartas pornográficas de um homem misterioso), "45 encontros com a estrela Vera Fischer" (fã apaixonado pela atriz envia-lhe constantemente cartas de amor), "A anã pré-fabricada e seu pai, o ambicioso marretador" (o sonho do pai é ver a filha trabalhando no circo e para isso ele fica dando marretadas na cabeça dela para ela não crescer e ficar do tamanho de uma anã), "A lata e a luta" (homem guarda uma misteriosa caixa em casa) e "Lígia, por um momento" (paixão de um rapaz por uma moça chamada Lígia, que ele vira apenas uma vez na vida).

Este livro possui as principais características de Loyola Brandão já constatadas nas duas obras anteriores lidas: linguagem coloquial, estilo jornalístico, humor ácido e histórias com certo devaneio narrativo. Ou seja, ele não apresenta nenhuma novidade estilística. Quase todos os contos têm narrativas em primeira pessoa, geralmente com um homem expondo seu ponto de vista sobre um acontecimento inusitado. O tom das histórias mistura o sobrenatural com a denúncia social. Dependendo da história, me senti lendo uma pequena continuação de "Zero" e "Não Verás País Nenhum".

Gostei dos "Melhores Contos". Contudo, achei os romances de Ignácio de Loyola Brandão melhores. Enquanto "Zero" e "Não Verás País Nenhum" são excelentes, este livro de contos é apenas razoável. Mesmo com o esforço de Deonísio da Silva de selecionar contos com certo enredo narrativo, a coletânea não chega a empolgar. Gostei do livro, mas o considerei de qualidade apenas mediana.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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