• Ricardo Bonacorci

Filmes: Las Insoladas - A Buenos Aires ensolarada da década de 1990


Nesta segunda-feira, assisti à comédia argentina "Las Insoladas" (Las Insoladas: 2014) no Reserva Cultural. O filme é a segunda investida de Gustavo Taretto na direção. A primeira foi o incrível "Medianeras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual" (Medianeras: 2011), um dos melhores longas-metragens que vi naquele ano. Infelizmente, a nova produção de Taretto não conseguiu manter a alta qualidade do trabalho de estreia do diretor. "Las Insoladas" é um tanto limitado e está a anos-luz de "Medianeras". O novo filme não é ruim, mas também está longe de empolgar.

A história de "Las Insoladas" se passa em um único dia. Estamos na década de 1990, em Buenos Aires, em um período em que a capital portenha foi afetada por uma forte onda de calor e o país vivia uma grave crise econômica. Seis amigas aproveitam o final de semana de verão para tomar sol no terraço de um prédio no centro da cidade. Elas são colegas em um grupo amador de Salsa. O grupo de dança delas irá fazer uma importante apresentação naquela noite e elas aproveitam o dia para ficarem mais morenas. Enquanto tomam sol, as seis mulheres conversam, debatem seus problemas e falam sobre seus sonhos. Percebendo que todas almejam viajar para um lugar com praia e sol, as amigas fazem um pacto entre si: no próximo verão elas irão viajar de férias para Cuba custe o que custar. Para tal, elas começam a planejar como farão para arranjar o dinheiro necessário para bancar tal empreitada.

O filme de Gustavo Taretto é leve e engraçadinho. Ele consegue criticar de forma sutil o jeito argentino de "sonhar acordado". Afinal, as personagens ficam imaginando um futuro idílico e não se cansam de planejar o que deve ser feito, enquanto ficam paradas sem fazer absolutamente nada para viabilizar o plano. As amigas passam o filme inteiro praticamente imóveis, apenas divagando, divagando e divagando. Elas planejam a viagem para Cuba para o próximo ano como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. Entretanto, dificilmente elas irão realizar qualquer ação para viabilizar o plano traçado.

Outro ponto interessante é perceber como era a vida nos anos 1990. Os objetos, os hábitos e o comportamento das moças são típicos desta década. A ambientação do filme é perfeita. Inclusive vi um jarro de água amarelo que tinha na minha casa nesta época e que foi utilizado pelas atrizes em algumas cenas. Ou seja, houve grande cuidado com os detalhes cenográficos.

Não é necessário dizer que a forma como o longa-metragem foi filmado também merece elogios. Esta talvez seja a principal característica de Gustavo Taretto. Ele consegue captar imagens inusitadas da cidade de Buenos Aires, tornando as cenas dos seus filmes únicas e excepcionais. A fotografia é de tirar o chapéu.

Assim, a proposta narrativa de "Las Insoladas" é interessante e ela foi bem filmada. Porém, o filme se perde, primeiramente, nos diálogos. Para uma produção que ocorre (quase) o tempo todo com apenas seis personagens em um único ambiente (alto do prédio), ela precisa ter ótimos diálogos. E infelizmente, não é o que ocorre. As seis amigas ficam conversando sobre assuntos sem qualquer importância. É como se o espectador estivesse ouvindo as conversas femininas em um salão de beleza ou em vestiário de academia. É muito pouco, principalmente para um diretor e roteirista com o potencial de Gustavo Taretto.

A proposta talvez tenha sido por fazer um filme parecido com os de Pedro Almodóvar no início de carreira, em que a discussão dos personagens "segura" a história aparentemente parada. Ou a inspiração pode ter vindo dos longas-metragens de Luis Buñuel - me recordo agora de "O Anjo Exterminador" (El Ángel Exterminador: 1962), no qual se passa quase todo dentro de uma sala de uma casa com os mesmos personagens. Contudo, os diálogos e as temáticas dos filmes dos cineastas espanhóis eram mais críticas e contundentes.

De forma geral, "Las Insoladas" é um filme apenas regular. Com algum esforço, podemos classificá-lo como bonzinho. Ele consegue ser divertido e passa a mensagem de forma leve e metafórica. Porém, é muito inferior a expectativa levantada pelo trabalho anterior de Taretto. Se o primeiro filme do diretor argentino recebeu, por mim, nota 9, agora recebe apenas 6,5. É um longa-metragem que passa de ano, mas sem muitos méritos.

Veja o trailer de "Las Insoladas":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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