• Ricardo Bonacorci

Peças teatrais: l'Illustre Molière - A volta do sucesso de 2012


Neste final de semana, fui assistir à peça "l'Illustre Molière" no teatro do SESI na Avenida Paulista. O espetáculo faz parte das comemorações dos 50 anos de fundação da instituição. Para celebrar a data, foram selecionadas seis peças que se destacaram nos últimos dez anos na programação do SESI. Todas elas serão reencenadas intercaladamente até o final do ano. Três delas são infantis - "Quem Tem Medo de Curupira" (2010), "Amado" (2012) e "O Gigante Egoísta" (2013) - e três são adultas - "l'Illustre Molière" (2012), "Mistero Buffo (2012) e "Lampião e Lancelote" (2013).

A temporada especial foi aberta na semana passada com "l'Illustre Molière" e com "Quem Tem Medo de Curupira?". Ambas tem entrada gratuita (é necessário pegar os ingressos nos dias e nos horários agendados pelo SESI) e estarão em cartaz até o dia 13 de setembro. "l'Illustre Molière" recebeu o Prêmio Shell, em 2012, nas categorias Figurino, Ator e Música, enquanto "Quem Tem Medo de Curupira?" ganhou o Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2010 nas categorias Melhor Espetáculo, Música Original, Iluminação e Ator Coadjuvante, além do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor direção daquele ano.

Produzida pela Companhia D'Alma e inspirada na biografia de Molière, famoso dramaturgo francês do século XVII e autor das peças "O Burguês Fidalgo", "As Eruditas" e "Don Juan", "l'Illustre Molière" retrata a vida e as principais obras deste artista dos palcos, abordando a efervescência e a criatividade do teatro onde Molière e sua companhia trabalhavam. Enquanto mesclas passagens de peças reais escritas e dirigidas pelo dramaturgo, "l'Illustre Molière" relata os desafios e os problemas enfrentados por Molière para manter sua companhia de teatro operando na Paris de Luis XIV.

Achei sensacional a peça. Muito, muito boa mesmo! Primeiro, ela é muito divertida. Chorei de rir. As cenas cômicas são variadas e de um humor eclético, misturando piadas inteligentes com algumas escrachadas. A cena inicial é tão engraçada que a plateia fica chateada quando ela termina e uma nova enquete se inicia. Diante de tantas risadas e um clima descontraído, apesar do drama vivenciado no final da história, as duas horas de peças passam em um instante...

Os diálogos são excelentes, misturando coloquialismo, oralidade e profundidade temática. O texto fala de assuntos críticos da sociedade burguesa do século XVII. Contudo, ele é tão atual e contemporâneo que parece que os personagens estão vivendo nos dias de hoje. Eu, por mim, passaria horas e horas com os olhos fechados apenas ouvindo os diálogos desta peça. Cada palavra parece que foi pensada exatamente para conferir, além de um significado especial, uma sonoridade interessante para as frases pronunciadas pelos atores.

O figurino está impecável, com ótima caracterização da época. Gostei também do recurso dos atores ficarem o tempo inteiro no palco. Quando eles não estão em cena, eles ficam ao lado ou no fundo do palco, sendo possível vê-los se trocando, se preparando para a próxima interpretação e aguardando sua vez de voltar para a parte principal do espetáculo. Isto confere maior clima de companhia teatral, a proposta da história representada na peça.

A música e os efeitos sonoros são marcantes, conferindo ainda mais graça para as cenas, principalmente as cômicas. É impossível não se emocionar com as canções e as brincadeiras sonoras produzidas durante o espetáculo.

Para completar, Guilherme Sant'Annna está excelente no papel de Molière. O ator, que interpretou neste ano o governador da peça "O Homem de La Mancha", consegue caminhar do drama à comédia com muita facilidade. Sua voz e sua atuação são marcantes. Mesmo com a boa atuação dos demais atores (são ao todo sete), o brilho e o protagonismo ficam concentrados em Sant'Annna.

Sem dúvida nenhuma, "l'Illustre Molière" é uma das melhores peças que assisti neste ano. Dá até vontade de vê-la novamente. Por que não?

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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