• Ricardo Bonacorci

Livros: Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão


Ontem à noite, terminei o livro de crônicas de Ignácio de Loyola Brandão. Chamado de "Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão" (Global), a publicação foi organizada por Cecília Almeida Salles, professora de Comunicação e Semiótica da PUC-SP e escritora. Salles escolheu as crônicas mais marcantes escritas pelo autor de "Zero" (Global) e de "Não Verás País Nenhum" (Global) ao jornal "O Estado de São Paulo" entre 1993 e 2004. Loyola Brandão teve uma coluna semanal no jornal paulista por mais de uma década. Neste espaço, ele discorria sobre fatos do cotidiano, lembrava os "casos" da sua infância e adolescência, fazia crítica cultural e analisava os acontecimentos da cidade e do país.

A coleção exposta no livro conta com 111 crônicas divididas em 10 seções: Presente da Memória (sobre acontecimentos do passado relacionados à carreira e à vida do escritor em São Paulo), Araraquara Como Foi (memórias da infância e da adolescência passadas no interior do estado), Nas Ruas de São Paulo (fatos ocorridos pelos bairros da cidade), Um Modo de Olhar (crônicas sobre os lugares visitados e as viagens feitas pelo autor), Acasos do Cotidiano (episódios relacionados ao dia a dia de Ignácio), Inteiramente Pessoal (fatos corriqueiros da vida pessoal e familiar do escritor), Um Caderno de Anotações (histórias gerais ocorridas de verdade), Alguns Personagens (crônicas sobre pessoas interessantes que Loyola Brandão conheceu ao longo da vida), Ficção ou Quase (histórias gerais sobre fatos curiosos que não aconteceram) e Cortes (demais crônicas).

Considerei "Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão" um livro razoável. Os romances, a obra infantil e os contos lidos anteriormente são, sem dúvida nenhuma, muito melhores. Se tivesse de abrir mão de uma leitura, dos cinco livros selecionados do autor para ler neste mês de agosto, não teria dúvidas: este seria o livro descartado. Não é que ele seja ruim. O problema é que ele não é tão bom quanto os demais.

O interessante das crônicas está em conhecer de forma mais direta a opinião do escritor e saber um pouco dos eventos que moldaram sua biografia. Pelas páginas do livro, é possível saber sobre o pai de Ignácio, sobre sua relação com a esposa, sobre os filhos, como ele enfrentou os principais problemas ao longo da vida, onde morou, no que trabalhou e como era o seu dia a dia. É sempre delicioso entrar na cabeça de um escritor e saber como era (é) a vida dele. Também é gostoso saber sua avaliação sobre os casos triviais do cotidiano, seja ele passado em uma grande cidade ou em uma localidade do interior do estado.

A organização das crônicas por temas também ajuda na leitura. Nisso, Cecília Almeida Salles foi certeira. Ela também teve a preocupação de descartar os textos mais datados. Assim, não sofremos com histórias temporais e muito específicas de determinada época (afinal, estamos falando de crônicas escritas na década de 1990 e início dos anos 2000). Mesmo assim, ainda somos agraciados com críticas à gestão de Paulo Maluf e de Celso Pita na administração da cidade de São Paulo.

O texto é objetivo e possui uma linguagem jornalística, facilitando ainda mais a leitura. Percorri as mais de 400 páginas da obra rapidamente. Acho que o li em quatro noites. O humor está presente, mas a acidez e os comentários corrosivos que marcaram Loyola Brandão principalmente nos contos e nos romances não aparecem tão intensos. Aqui o humor é mais leve e singelo. O objetivo não é afrontar, assustar nem polemizar. A intenção do escritor é apenas agradar. Ainda bem!

O principal problema do livro é que as crônicas não possuem um estilo marcante e inovador. Neste ponto, acredito que João Ubaldo Ribeiro e Luis Fernando Veríssimo sejam referências incomparáveis. "Melhores Crônicas de Ignácio de Loyola Brandão" não chega a decepcionar, mas está longe de empolgar.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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