• Ricardo Bonacorci

Filmes: Carga Explosiva, O Legado - A origem de Frank Martin


Uma das séries de ação que mais gostei de assistir nos últimos anos foi "Carga Explosiva". Nos três filmes anteriores, "Carga Explosiva" (The Transporter: 2002), "Carga Explosiva 2" (The Transporter II: 2005) e "Carga Explosiva 3" (The Transporter III: 2008), Jason Statham viveu Frank Martin, um ex-militar das Forças Especiais do Exército norte-americano responsável por transportar cargas especiais e perigosas. Para evitar problemas, Frank segue várias regras criadas por ele mesmo: não saber o nome do cliente que o contrata, não saber o que está transportando, estar sempre vestindo paletó e gravata, usar carros pretos potentes e cumprir rigorosamente os horários estabelecidos. Mesmo assim, ele sempre acaba envolvido em alguma confusão.

No primeiro longa-metragem, passado na costa europeia do Mediterrâneo, ele se envolve com a garota que estava, sem saber, transportando. No segundo, enquanto trabalha como motorista de uma família rica, ele precisa resgatar o filho dos patrões, um garotinho de seis anos, das mãos dos sequestradores. E no terceiro, Frank é obrigado a conduzir a filha do chefe da Agência de Proteção Ambiental da Ucrânia, ameaçada de sequestro, em segurança durante uma viagem.

Ou seja, "Carga Explosiva - O Legado" (The Transporter Refueled: 2015), que estreou nos cinemas brasileiros na semana passada, é o quarto filme da série. O intervalo de sete anos entre esta e a última produção trouxe várias mudanças. A primeira foi na direção. A dupla Corey Yuen e Louis Leterrier, responsáveis pelos dois primeiros longas-metragens, dão lugar a Camille Delamarre, diretor francês com pouca experiência na direção. Delamarre dirigiu "13o Distrito" (Brick Mansions: 2013) e foi editor de "Carga Explosiva 3". Também dirigiu a segunda temporada da série de TV criada para contar a história de Frank Martin. Infelizmente, a série televisiva "Carga Explosiva", que não contou com a participação do ator Jason Statham, ficou muito abaixo da crítica.

Contudo, a maior mudança deste filme para os antecessores foi a troca do ator principal. Assim como aconteceu na série de TV, Jason Statham não participou desta produção. Esta talvez seja a grande perda do longa-metragem. Statham não apenas dava vida ao seu personagem como conseguia transmitir com seu carisma uma vivacidade cômica e misteriosa a Frank. Dessa vez, o personagem ficou a cargo de Edward Skrein, que ficou conhecido como Daario Naharis de "Game of Thrones". Por mais que se esforce, Skrein não consegue tirar da nossa cabeça o Frank Martin de Jason Statham. Além disso, a ausência de François Berléand, como o inspetor francês amigo do personagem principal, também é sentida. Ele era ótimo!

Com tantas perdas importantes, a melhor definição para este filme eu peguei um pouco antes da sessão de cinema em que fui começar. Uma moça, sentada atrás de mim na sala, explicou para o namorado sobre o filme. Em suas palavras: "Este é o Carga Explosiva Pirata. Pirata porque não tem nenhum dos atores importantes da série. Eles colocaram este nome, Carga Explosiva, só para atrair mais gente para o cinema". Achei ótima esta definição. Ela está 100% certa. De certa forma, suas palavras conseguiram retratar o que eu sentia e pensava.

Em "Carga Explosiva - O Legado" voltamos ao passado. Cronologicamente, esta história se passa antes das outras três. Frank ainda mora na Riviera Francesa e trabalha como transportador. Um dia, ele recebe o telefonema de Anna (Loan Chabanol), uma prostituta que quer se vingar do patrão. Para contar com os serviços do motorista, a moça precisa sequestrar o pai de Frank (Ray Stevenson). Só assim, na base da chantagem, o rapaz irá ajudá-la. Incorporado, na marra, a gangue feminina formada por Anna, Frank precisará proteger suas patroas do cartel russo que domina a Riviera Francesa.

Quem não assistiu a nenhum filme da série, provavelmente irá gostar muito de "Carga Explosiva - O Legado". Ele está recheado de cenas de ação, perseguição policial, brigas das boas e suspense. O longa-metragem prende a atenção do expectador. Às vezes, é impossível respirar. Sempre está acontecendo alguma coisa na tela.

O humor é inserido na medida certa. Sempre há alguma piadinha ou um comentário sarcástico de algum personagem, o que dá certa graça a produção. A sensualidade também está presente. Cheio de gente bonita e com pouca roupa, o filme agrada aos olhos tantos masculinos quanto femininos.

Agora, se você é fã da série, talvez saia decepcionado do cinema. Há várias cenas repetidas, que já vimos nos outros filmes. A cena que abre "Carga Explosiva - O Legado", por exemplo, é idêntica a de um filme anterior. O enredo e as tramas também vão se repetindo. A sensação é que esta produção é um pot-pourri de todos os outros. Aí, mesmo com o conjunto intermináveis de cenas de ação e com uma trama bem amarrada, fica difícil se empolgar com o novo filme.

Talvez a grande novidade seja a presença do pai de Frank. Em nenhum dos outros filmes, este personagem teve tanto destaque. E ele consegue trazer graça e diversão para o longa-metragem. Enquanto precisa proteger as amigas e se proteger, Frank passa o filme inteiro cuidando do pai. Lembrei, dessa forma, do filme "Indiana Jones e a Última Cruzada" (Indiana Jones and the Last Crusade: 1989), no qual o arqueólogo vivido por Harrison Ford protege seu pai, o professor Henry Jone, interpretado por Sean Connery. Assim como na produção da década de 1980 de Steven Spielberg, nesta o pai chama o filho a todo o momento de Júnior. Portanto, a maior novidade deste filme também é cópia de uma ideia já utilizada em outra história.

Dessa forma, gostei em termos de "Carga Explosiva - O Legado". Ele é até um bom filme de ação e cumpre bem seu papel de entreter. Agora, considerá-lo um filme da série homônima é a parte mais difícil desta história. Para mim, só se for "Carga Explosiva Pirata", como disse a moça atrás de mim na sala de cinema.

Veja o trailer deste longa-metragem:

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#CamilleDelamarre #EdwardSkrein

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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