• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Eu e o Mundo - 10 - É melhor rir do que chorar com o futebol brasileiro


Já diz um ditado popular antigo: é melhor rir do que chorar. É assim que me sinto assistindo aos jogos do Campeonato Brasileiro deste ano. Como todos nós sabemos, nosso estimado e outrora honrado futebol vive uma entressafra de talentos. Com isso, os times nacionais, em sua maioria, possuem atletas de baixa qualidade técnica. Os jogos, assim, são realizados com um nível pobríssimo de qualidade. Isto no começo me incomodava um pouco, admito. Depois me acostumei e agora não vivo sem uma boa disputa entre pernas de pau. Meu fascínio pelo futebol mal jogado é tanto que eu procuro assistir somente aos piores jogos e aos confrontos entre as equipes mais limitadas tecnicamente. Tudo para me divertir. E sabe que é engraçadíssimo ver este tipo de partida. Afinal, é melhor rir do que chorar...

Nos últimos meses, tenho fugido sistematicamente dos jogos de maior apelo midiático e protagonizado pelas melhores equipes do nosso país. Qual é a graça de ver uma bela partida de futebol? Nenhuma. Se eu quisesse ver um jogo assim, primeiramente, não iria procurar no Brasileirão de 2015. Ligaria a TV na Liga dos Campeões da Uefa, no Campeonato Inglês, Alemão ou Espanhol. Depois, não faz sentido ver uma peleja bem jogada. Ela não rende risadas, gozações e divertimento ao torcedor. O legal é ver os lances de furadas bizarras, os gols perdidos, os passes mal feitos, os frangos, os tropeções e as divididas entre os caneludos. Aí está a graça do esporte bretão.

Depois de alguns meses vendo apenas os piores jogos do nosso futebol (toda rodada escolho a dedo quais pelejas assistir), me sinto em condições para escrever um pequeno guia do que você deve assistir em nosso campeonato nacional para se divertir. Aí vai:

Comece pelos jogos do Vasco da Gama. É hilário ver a ruindade desta equipe. Eu não tenho perdido nenhum jogo da equipe de Eurico Miranda nos últimos dois meses. O Vasco 2015 é o novo Íbis. Muito provavelmente, este é o pior elenco da história da equipe da Colina. Sabe aquele time da sua rua que não vencia ninguém? Pois ele tem grande chance de derrotar a equipe de São Januário em uma partida deste nacional. E dando show! O elenco cruzmaltino tem alguns atletas péssimos. Ver um ataque formado por Riasco (também conhecido como Fiasco) e Herrera (apelidado na Argentina de "Quase Gol") é de chorar de rir. E depois os jornalistas ficam se perguntando por que o Vascão ficou quase dois meses sem marcar um único tento (dois meses sem fazer um único gol!!!). Luan, o zagueiro titular, é horrível. Ele não acerta um passe e só faz besteira. Quando ele entra em campo, é diversão na certa.

A lateral direita vascaína é um caso à parte. O técnico, desesperado para encontrar uma solução, coloca a cada meio tempo um jogador diferente para cuidar do lado direito da sua defesa. Em dois jogos que assisti, vi quatro laterais diferentes sendo testados. Um pior do que o outro. E no gol? Sempre que o goleiro titular, o uruguaio Martín Silva, fica ausente (jogos pela sua seleção ou contusões), entra um tal de Jordi. O jovem arqueiro pode até um dia se transformar em um grande goleiro. Só que hoje a realidade é bem distinta. Sua especialidade é sair mal do gol e se esticar para pegar a bola e não conseguir. Ninguém pega a bola dentro do gol mais e melhor do que Jordi neste Brasileirão. Chega a dar dó do rapaz (e da torcida vascaína).

Não perca também os jogos do Coritiba. Apesar da melhora da equipe desde a chegada do técnico Ney Franco, ainda é possível se divertir com a grossura dos jogadores do Coxa. O pior jogador (neste caso, o mais divertido) é um tal de Thiago Gallardo. O meio-campista só atrapalha sua equipe. Ele é mestre em estragar contra-ataques e dar passes para o adversário. Aí você se pergunta: como ele é titular? Sempre na metade do segundo tempo ele é substituído. E então entendemos porque ele continua na equipe que começa as partidas. Os reservas da posição chegam a ser piores. É curiosíssimo ver a atuação de Esquerdinha e Lúcio Flávio. Eles fazem a torcida sentir saudades de Gallardo. Pelo menos, o titular é esforçado. Pelo menos isso...

Coloque na sua agenda de final de semana as partidas do Avaí. A equipe catarinense não possui nenhum grande "craque" (neste caso, o termo se refere a um péssimo jogador). A ruindade é coletiva. Por isto, não foque na atuação de um jogador especificamente. Analise o conjunto da obra, principalmente a defesa. Veja como eles são ruins, individualmente, mas coletivamente também. Vagner (goleiro), Nino Paraíba (lateral direito), Emerson, Antônio Carlos (zagueiros) e Romário (lateral esquerdo) formam o quinteto defensivo mais horripilante da Série A deste ano. Jogo do Avaí é certeza de muitos gols (para o adversário). Repare também na limitação (técnica e física) do meia Marquinhos (considerado o melhor jogador da história do Avaí!). Se quando ele era jovem ele era ruim, agora imagine como o meio-campista está atuando depois de ter ficado lento e velho. Hilário!

Outra equipe que rende boas risadas é a Ponte Preta. Anote a escalação dela: Marcelo Lomba; Rodinei, Renato Chaves, Ferron e Gilson; Josimar, Fernando Bob, Elton e Adrianinho; Biro Biro e Diego Oliveira. Torça para que nenhum deles vá para seu time algum dia.

Para fechar o teatro dos horrores da Série A (Série A???!!!), fica a sugestão a equipe do Internacional. Ver os passes errados de Alex no meio de campo, as tentativas frustradas de drible de Vitinho, os chiliques nervosos e as constantes contusões de D'Alessandro (a brincadeira é: em qual minuto da partida o camisa 10 colorado irá se machucar desta vez?), os gols perdidos por Rafael Moura e a grossura de Lisandro López são cenas engraçadíssimas (isto é, quando você não é torcedor do Internacional).

Se você tiver estômago (aí a coisa fica um pouco mais pesada, já vou logo avisando...), a Série B também rende boas diversões. A melhor equipe, neste sentido, é o ABC. Eles são praticamente o Vasco da Gama da Segundona. Não há jogo bom para eles (mesmo quando eles conseguem milagrosamente vencer alguém). O ataque do meu querido BOA Esporte é uma piada este ano. Quando eles fazem gol, é decretado feriado municipal no dia seguinte em Varginha. E o que falar do Mogi Mirim que até pouco tempo atrás tinha Rivaldo, com quase 90 anos, atuando como titular. O Ceará completa esta lista tragicômica.

Fica aqui a dica, então: aproveite o futebol brasileiro de 2015! Ele é cheio de emoção e diversão para os torcedores.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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