• Ricardo Bonacorci

Filmes: Perdido em Marte - O náufrago espacial


Ontem, assisti ao filme "Perdido em Marte" (The Martian: 2015). Estava aguardando ansiosamente este longa-metragem há exatamente um ano, quando li o livro homônimo de Andy Weir narrando as peripécias do astronauta Mark Watney pelo planeta vermelho. O livro é ótimo, a história é muito legal e, por isso, o filme tinha tudo para agradar. Tinha...

A nova produção cinematográfica dos estúdios Fox teve a direção de Ridley Scott, responsável por clássicos como "Alien, o Oitavo Passageiro" (Alien: 1979), "Blade Runner, o Caçador de Androides" (Blade Runner: 1982), "Thelma & Louise" (Thelma & Louise: 1991) e "Gladiador" (Gladiator: 2000), e foi estrelado por Matt Damon, de "Caçadores de Obras Primas" (The Monuments Men: 2014), "Compramos um Zoológico" (We Bought A Zoo: 2011) e dos filmes da série "A Identidade Bourne" (The Bourne Identity: 2002). Orçado em U$ 109 milhões, o filme teve como cenário principal o deserto de Wadi Rum, na Jordânia, devido à coloração avermelhada da sua areia.

A história de "Perdido em Marte" narra a epopeia vivenciada pelo astronauta e botânico Mark Watney. Ele estava junto com outros cinco astronautas explorando o planeta Marte, em uma missão da NASA, quando uma terrível tempestade pegou a todos de surpresa. Mark é dado como morto pelos colegas e acaba ficando para trás. Os demais integrantes da NASA voltam para a nave e iniciam o retorno ao planeta Terra. Mark, contudo, não havia morrido. Ao acordar, ele se vê sozinho em um planeta estranho e hostil. Começa aí a aventura pela sobrevivência.

Mark Watney precisará utilizar todos os seus conhecimentos para adquirir água, comida, oxigênio, abrigo e estabelecer uma comunicação direta com o seu planeta de origem. Além disso, ele deverá encarar os desafios de estar sozinho em Marte, driblando o tédio e a solidão. Watney é praticamente uma mistura de MacGyver, do seriado de mesmo nome, Professor Pardal, dos desenhos animados, e Chuck Noland, personagem de Tom Hanks no filme "O Náufrago" (Cast Away: 2001).

A primeira constatação que tive ao ver o filme é que o livro de Andy Weir é muito, muito melhor. Infelizmente, o longa-metragem acabou pecando em alguns pontos, apesar de ter mantido o enredo original da trama. A principal perda foi de agilidade e tensão. No livro, a história é angustiante e o clima de suspense e apreensão acompanha quase todos os lances da narrativa. O ritmo também é incrivelmente acelerado. Mesmo estando falando de um único homem abandonado em um planeta distante e sem ninguém por perto, a história e os acontecimentos não param, prendendo a atenção do leitor. Estas características acabaram suprimidas do filme. A produção de Ridley Scott é, às vezes, meio parada e sonolenta. O ritmo das cenas e a agilidade da narrativa são muito inferiores ao do livro. Não será nenhuma surpresa, portanto, se você notar pessoas dormindo na sala de cinema durante a primeira metade do longa-metragem.

Outro prejuízo considerável está no humor. Apesar de uma ou outra cena engraçadinha, o filme não tem o bom humor que o livro exala. Na literatura, Mark Watney é um grande piadista. Parte da explicação para a sua sobrevivência passa pela maneira divertida e positiva de encarar as adversidades. Este aspecto some das telas.

A grande perda, porém, do filme está na falta dos detalhes científicos que permitiram a sobrevivência do astronauta solitário por tanto tempo em Marte. Enquanto o livro abusa das descrições de como Watney fez para conseguir água, comida, oxigênio e abrigo e de como ele fez para consertar os equipamentos a sua volta, o filme fica a maior parte do tempo mudo ou passa de forma bem superficial em relação a estes elementos. Ou seja, perdemos ao ver a história na tela uma das questões mais interessantes da publicação original que é a criatividade do personagem principal em driblar as adversidades do dia a dia.

Nem tudo são lamentações. O filme "Perdido em Marte" mantém a narrativa original e consegue empolgar um pouco a partir da metade final. Vale ressaltar mais uma vez que a história é ótima e imperdível. Matt Damon também está muito bem no papel de Watney. Ele consegue transmitir o carisma e a sagacidade do seu personagem.

Assim, se você não leu o livro e não estiver com o sono atrasado (um perigo para a primeira metade do filme), você poderá gostar deste longa-metragem. Se você leu e adorou a publicação escrita, como eu, na certa se lamentará pela falta de elementos importantes para a contextualização da história. Também não culpe Ridley Scott pelo seu ocaso. Os grandes filmes deste conceituado diretor ficaram no passado e hoje ele tenta manter um bom nível para não manchar sua filmografia.

Veja o trailer de "Perdido em Marte":

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#AndyWeir #RidleyScot #MattDamon

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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