• Ricardo Bonacorci

Filmes: Operações Especiais - Ação policial à brasileira


O principal gênero do cinema brasileiro nos últimos anos é a comédia. Milhões de pessoas pagaram ingresso para ver os filmes cômicos nacionais. "Se Eu Fosse Você" e "De Perna Para o Ar" levaram cada um mais de três milhões de expectadores. Suas continuações ("Se Eu Fosse Você 2" e "De Perna Para o Ar 2") foram ainda mais exitosas, arrastando aos cinemas quase o dobro do número original de pessoas. "Cilada.com", "Meu Passado me Condena", "Lisbela e o Prisioneiro", "Até que a Sorte nos Separe", "Loucas para Casar" e "Minha Mãe é uma Peça" são exemplos de produções que passaram fácil da marca de um milhão de expectadores.

Com esta concorrência, os filmes de ação acabam ficando em segundo plano no cenário doméstico, apesar da maior bilheteria da nossa história ter ocorrido com "Tropa de Elite 2", com público superior a onze milhões de pessoas. Apesar da timidez da oferta de títulos (se comparado às comédias), todos os anos temos bons filmes de ação sendo lançados no mercado. "Assalto ao Banco Central" de Marcos Paulo é um bom filme. "Dois Coelhos" de Afonso Poyart é ótimo e muito inovador. "Cidade de Deus" é hour concour, sendo uma das melhores produções da nossa história. Um pouco mais antigo temos "Ônibus 174". "Segurança Nacional" de Roberto Carminati, "Alemão" de José Eduardo Belmonte e "Salve Geral" de Sérgio Rezende completam a lista com ótimos títulos deste gênero.

E por que estou falando dos filmes de ação? Porque hoje fui assistir à "Operações Especiais". Este longa-metragem teve a direção de Tomás Portella, de "Qualquer Gato Vira-Lata" (2011), e contou com ótimo elenco: Cleo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso, Thiago Martins, Antonio Tabet, Fabíola Nascimento e Fábio Lago.

A história deste filme enfoca a vida de Francis (interpretada por Cleo Pires). A moça é formada em turismo e trabalha como recepcionista de um hotel na cidade do Rio de Janeiro. Descontente com o salário que recebe e com a vida tediosa que leva, Francis presta concurso público para ser investigadora da polícia. A jovem passa no concurso, conseguindo excelente pontuação. Depois de um breve curso na academia de polícia, onde aprende os conceitos básicos da nova função, ela é integrada a uma equipe especial da polícia. Em sua primeira experiência na nova profissão, Fancis é enviada para a cidade de São Judas do Livramento, no interior do estado do Rio, com a missão de combater a criminalidade local e fazer o índice de violência da região diminuir.

A pequena cidade fluminense fora invadida por criminosos foragidos da capital do estado. Após a invasão do Complexo do Alemão, muitos bandidos acabaram se instalando em cidades do interior. São Judas do Livramento foi uma delas e o assassinato cruel de duas crianças acabou chamando a atenção da imprensa e mobilizando a polícia para agir no local. A ordem do delegado Paulo Froes (Marcos Caruso), responsável pela operação, é acabar com a bandidagem e com os crimes que se espalharam pelo município.

Sem experiência na polícia, sendo a única mulher do grupo e enfrentando inimigos violentíssimos, Francis precisa encarar a desconfiança dos demais policiais e os seus próprios medos para vingar na nova profissão. Aos poucos, a moça vai conseguindo provar a sua competência e vai conquistando a simpatia dos colegas. Enquanto isso, o grupo precisa colocar na cadeia os bandidos que viraram São Judas do Livramento do avesso.

"Operações Especiais" é um bom filme. Está longe de ser um excelente longa-metragem, porém não corre o risco de ser classificado como uma produção de baixa qualidade. Se tivesse que dar uma nota para ele, ficaria com a nota 6, a média na escola onde estudei. Ou seja, ela passaria de ano (raspando, mas passaria...).

Seu principal mérito está em narrar a corrupção dentro da polícia e da política nacional. Também demonstra com propriedade a violência nas cidades brasileiras, principalmente as de pequeno e médio porte. Infelizmente, a corrupção é uma praga de toda a sociedade brasileira, não sendo exclusiva de uma classe ou de um grupo específico. Os moradores de São Judas do Livramento ficam favoráveis à ação dos novos policiais até que estes comecem a interferir no dia a dia local, recriminando todo tipo de crime. Aí os policiais cariocas passam a ser os vilões do município, sendo mal vistos pelos habitantes do lugar.

O filme de Tomás Portella não é espetacular, mas cumpre bem a sua missão de entreter. Ele possui algumas falhas de enredo e de sequência, mas nada que o torne incompreensível ou desagradável.

O ponto positivo mais evidente desta produção está no seu elenco. Os principais atores e atrizes estão perfeitos em seus papéis. Cleo Pires, além de muito gata, consegue dar vida a Francis com todos os medos, insegurança e desejos que a personagem possui. Marcos Caruso como o delegado Paulo Froes e Fabrício Boliveira e Thiago Martins como policiais do grupo especial estão perfeitos. Curioso é ver Antonio Tabet em um papel sério e dramático. E não é que até ele se sai muito bem, convencendo no papel de bandido impiedoso.

Outro aspecto que gostei foi o ponto de vista no qual a história é narrada. Não é comum vermos uma mulher policial contando as dificuldades encontradas na sua profissão. Além disso, há o peso de uma "moça comum" ser jogada no meio de uma missão policial sem ter qualquer experiência prévia na função. Ou seja, a trama é bem criativa e original. O expectador se sente na pela de Francis na maior parte do tempo.

Infelizmente, "Operações Especiais" não está à altura de "Cidade de Deus", de "Dois Coelhos" e de "Assalto ao Banco Central" em termos de qualidade e força dramática. A história é boa, mas está muito longe de encantar. Contudo, ele está no patamar de "Segurança Nacional", "Alemão" e "Salve Geral". Ou seja, os filmes de ação brasileiro ganharam mais um representante para fazer frente às comédias que invariavelmente invadem as salas de cinema do nosso país. E desta vez, o confronto vai ser com muita bala e tiro. Para cima deles, Francis.

Veja o trailer de "Operações Especiais":

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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