• Ricardo Bonacorci

Filmes: A Floresta que se Move - Shakespeare à brasileira


Filme  A Floresta que se Move

Hoje assisti ao filme "A Floresta que se Move" (2015) no Reserva Cultural. A produção nacional, dirigida por Vinícius Coimbra, conta com as atuações de Gabriel Braga Nunes, Ana Paula Arósio, Nelson Xavier e Ângelo Antônio. O enredo do longa-metragem foi inspirado livremente na obra "Macbeth", de William Shakespeare. De certa forma, a história representa uma modernização do clássico do dramaturgo inglês para os dias de hoje.

Em "A Floresta que se Move", Elias (interpretado magistralmente por Gabriel Braga Nunes) e César (Ângelo Antônio, o eterno "Beija Flor" da novela "O Dono do Mundo") chegam ao Brasil, vindos de uma viagem de negócios à Alemanha. Ambos são executivos de um importante banco privado brasileiro e são amigos há muitos anos. Ao se dirigirem à sede do banco, a dupla ouve, no meio do caminho, algumas previsões de uma vidente em uma praça: "Elias será transformado em vice-presidente hoje e amanhã será declarado presidente" são as palavras da misteriosa mulher. Os executivos acham graça daquela previsão descabida e não acreditam nas palavras da vidente. Contudo, ao chegarem ao banco, descobrem que o vice-presidente fora despedido por estar envolvido em fraudes. E Elias é promovido ao posto do funcionário demitido. Ou seja, a primeira parte da previsão da vidente se concretizou em poucas horas.

Filme  A Floresta que se Move

À noite, ao chegar a sua casa, Elias conta o ocorrido para sua esposa, Clara (Ana Paula Arósio cada vez mais linda!). A ambiciosa mulher, empolgada com o destino e ciente que a segunda parte da previsão também irá se concretizar, convence o marido a assassinar o presidente do banco (Nelson Xavier) naquela noite, aproveitando-se do fato do chefe ir jantar na residência do casal. Elias fica em dúvida: será mesmo que ele será capaz de realizar um ato como aquele? O plano de Clara, infelizmente, não sai como ela imaginava e se inicia uma série de assassinatos que vão jogar os personagens uns contra os outros, em uma disputa cega pelo poder. O final não poderia ser diferente: é trágico ao melhor estilo de William Shakespeare.

O filme de Vinícius Coimbra é muito bom. Há tensão, suspense e muitas reviravoltas durante todo o longa-metragem. O drama vivido por Elias "enche" a tela e não permite que desgrudemos os olhos da narrativa por nada neste mundo. Mesmo reproduzindo passagens inteiras da peça de Shakespeare, o público que não tem tanta familiaridade com o escritor inglês e não conhece "Macbeth" talvez não perceba esta analogia tão direta. A ambientação da história para os dias de hoje consegue sobrepor o enredo histórico da trama. Já quem conhece a obra do inglês deverá gostar de vê-la encenada em outro ambiente e em novo contexto. Eu adorei, chegando à conclusão de que o texto de "Macbeth" é ainda mais incrível.

Atuação do experiente elenco é primorosa. Gabriel Braga Nunes, Ana Paula Arósio, Nelson Xavier e Ângelo Antônio estão excelentes em seus papéis. Não dá para apontar que seja melhor. Talvez Gabriel Braga Nunes consiga se destacar um pouco mais em relação aos seus colegas por ser o protagonista e concentrar a maioria das cenas do longa-metragem.

Filme  A Floresta que se Move

A fotografia do filme também é muito boa. Filmado no Rio Grande do Sul e no Uruguai, os cenários e a ambientação aumentam ainda mais o drama da história narrada. Destaque para a casa do casal Elias e Clara e para as salas e os corredores do banco. Eles são sinistros e aterrorizantes. Dá medo só de olhar para eles. Algumas cenas mais oníricas, como o banho de sangue que o casal protagonista recebe em sua cama, ajudam a tornar a fotografia mais bela. A trilha também ajuda na criação do ambiente de terror e de suspense, pontuando as cenas com músicas solenes e dramáticas.

O principal mérito de "A Floresta que se Move" é mostrar que os temas debatidos por William Shakespeare há séculos ainda se mantém atuais. A disputa pelo poder, a ambição desenfreada, a mentira e a solidão estão presentes no nosso dia a dia. Adorei este filme! Ele consegue aliar formalismo com autenticidade, reflexão com ação e passado com modernidade em uma história forte e impactante. Saí da sala de cinema meio chocado, mas feliz com o que presenciei.

Veja o trailer de "A Floresta que se Move":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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