• Ricardo Bonacorci

Filmes: Capital Humano - Suspense italiano de alto nível


Neste final de semana, aproveitando que estava na Avenida Paulista (como está gostoso passear pela avenida aos domingos, agora que os carros estão proibidos de trafegar por ali!), fui ao Reserva Cultural para ver "Capital Humano" (Il Capitale Umano: 2013). Esta é a última produção do cineasta Paolo Virzi que chega aos cinemas do nosso país. Depois do sucesso retumbante de "A Primeira Coisa Bela" (La Prima Cosa Bella:2010), indicado a 18 prêmios David di Donatello, a maior premiação do cinema italiano, e representante da Itália no Oscar 2011, Virzi novamente aposta no suspense e no drama para angariar expectadores para seu longa-metragem.

Em "Capital Humano", testemunhamos logo na primeira cena um atropelamento de um ciclista. O motorista do veículo que jogou o ciclista em um barranco foge sem prestar o necessário socorro. Aí inicia o suspense sobre quem foi o autor do acidente. Vamos conhecendo a verdadeira história aos poucos, à medida que a trama vai sendo revelada aos poucos. Divididos em três atos, o filme aborda três personagens da história: Dino Ossola (interpretado por Fabrizio Bentivoglio), Carla Bernashi (Valeria Bruni Tedeschi) e Serena Ossola (Matilde Gioli). Em cada ato, temos a narrativa sob o ponto de vista de um dos personagens. No final, a quarta parte é completada com o prólogo.

Dino é pai de Serena, uma jovem que começa a namorar o filho de um rico investidor. Carla é a mãe do rapaz e esposa do milionário. Dino, querendo se aproveitar da intimidade com o casal cheio da grana, começa a frequentar a casa dos ricaços, em desagrado da filha. Ele quer ser sócio do pai do namorado de Serena e entrar no mundo dos investimentos financeiros. Carla, por sua vez, parece gostar muito da nova namorada do filho. O seu sonho é reabrir o teatro da cidade. Para isso, precisará contar com o patrocínio do marido. Já sobre Serena, só vamos compreender sua verdadeira personalidade no final do filme. Nem adianta nada falarmos sobre ela aqui. Na verdade, só conseguimos compreender realmente os acontecimentos que culminam no acidente quando terminamos de ver o ponto de vista de cada um destes três personagens.

O grande mérito de "O Capital Humano" é prender a atenção do expectador do inicio ao fim. O quebra-cabeça dos acontecimentos é apresentado por peças que vão nos surpreendo o tempo inteiro. O vai e volta da narrativa é eletrizante. Só vamos entender de fato o que está acontecendo no finalzinho do filme. Ou seja, mais interessante do que a história em si é a forma como ela é contada. A técnica narrativa utilizada por Virzi é espetacular.

A atuação de todos atores é muito boa. Destaque para o trio que é enfocado nos atos: Fabrizio Bentivoglio, Valeria Bruni Tedeschi e Matilde Gioli. Enquanto os dois primeiros comprovam sua experiência e competência, Matilde Gioli mostra seu talento, mesmo sendo ainda bem jovem.

O único ponto decepcionante é o humor. Conhecido pelas comédias dramáticas, Paolo Virzi é contido no bom humor desta vez. Apesar do filme ter um clima descontraído (principalmente se considerarmos a temática pesada e as várias críticas sociais feitas), são poucas as cenas que dá para rir. É verdade que não se trata de uma comédia, mas minha expectativa com um filme de Virzi é sempre rir um pouco.

"Capital Humano" foi um grande sucesso na Itália, enchendo as salas de cinema do país na época do seu lançamento. O sucesso nas bilheterias foi acompanhando de excelentes críticas no mundo todo. É muito legal poder conferir este ótimo filme mesmo com um atraso de dois anos.

Veja o trailer de "Capital Humano":

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#PaoloVirzi

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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