• Ricardo Bonacorci

Filmes: Febre de Bola - A paixão de Hornby pelo futebol


Um dos livros que mais gostei de ter lido na minha adolescência foi "Febre de Bola" (Companhia das Letras) de Nick Hornby. Nesta autobiografia publicada inicialmente em 1992, o autor inglês narra sua experiência como torcedor do Arsenal. Filho de pais separados, Nick tinha pouco contato com o pai e nenhuma afinidade com ele em sua juventude. Isso durou até o garoto ser levado pela primeira vez ao estádio para ver a equipe vermelha de Londres. O amor pelo time foi imediato, assim como a construção de uma intimidade com o pai, que duraria para sempre. Nick Hornby conta no livro as principais partidas que assistiu e as maiores emoções vivenciadas nas arquibancadas, em uma época aonde ir a um estádio de futebol na Inglaterra era coisa de maluco.

Estou contado esta história porque nesta semana assisti ao filme "Febre de Bola" (Fever Pitch: 1997), adaptação ao cinema do livro de estreia de Hornby no mercado editorial. O longa-metragem inglês contou com a participação do próprio autor na produção do roteiro. Dirigido por David Evans e estrelado por Colin Firth, um dos principais atores ingleses na década de 1990, o filme não teve grande êxito comercial.

Nesta adaptação, conhecemos Paul Ashworth (interpretado por Colin Firth), um professor de literatura trintão. Ele vive como se fosse um adolescente, o que o torna muito popular e querido entre os alunos na escola onde trabalha. Fanático por futebol, a vida de Paul gira em torno do seu time do coração. Ele viaja pela Inglaterra para acompanhar sua equipe e não mede esforços para estar ligado à paixão pelo futebol.

Este estilo de vida se torna um problema quando o professor começa a namorar Sarah Hughes (interpretada por Ruth Gemmell), uma colega sua na escola. Sarah odeia futebol e tudo o que é relacionado a este esporte. A moça não aceita o que considera uma grande infantilidade do namorado, podando sua paixão pelo esporte mais popular do mundo. Aí, Paul precisará se decidir por um dos seus amores: a namorada ou o time do coração. Pelo visto, com os dois, o professor não poderá ficar.

O roteiro do filme é interessante - tanto que em 2005, esta trama serviu de inspiração para um filme hollywoodiano chamado "Amor em Jogo" (Fever Pitch: 2005) em que o foco da paixão do protagonista era o baseball e não o futebol. Porém, não gostei da execução do filme. O longa-metragem inglês se arrasta interminavelmente por falta de ação, algo que não acontece no livro. Além disso, a tentativa de recriação do ambiente dos estádios de futebol não foi exitosa (algo que o livro consegue fazer de maneira magistral). Sem este elemento, o filme perde grande parte de sua graça e charme.

Você pode alegar que um fã do livro normalmente tem dificuldades de apreciar a versão cinematográfica da sua obra literária favorita. Ok. Concordo com este ponto de vista. Entretanto, ressalto, o filme é mesmo muito fraco. Ele não tem emoção e os personagens são apagados. Você não torce por Paul, nem acha graça nas desavenças dele com Sarah. Tudo ali é um pouco deprimente. Talvez, o que mais estranhei, além da falta de uma emoção verdadeiramente futebolística, é a ausência do humor negro (inglês) de Nick Hornby. Seu roteiro não conseguiu captar esta essência do livro, que era muito bem-humorado.

Com 102 minutos, "Febre de Bola" cansa o expectador antes de completar meia hora. Sinceramente, não aconselho sua visualização. Se você quiser conhecer mais sobre essa história, vá até o livro. Ele é muuuuuuuuuuito melhor.

Veja o trailer deste longa-metragem:

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#NickHornby #DavidEvans

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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