• Ricardo Bonacorci

Livros: Um Gato de Rua Chamado Bob – A comovente história de James Bowen


Há aproximadamente dois anos, meio por acaso, li “Um Gato de Rua Chamado Bob” (Novo Conceito). O livro é sobre a vida do artista de rua James Bowen e sua amizade com Bob, um gatinho de estimação. Entre 2013 e 2014, eu costumava viajar a trabalho pelo país e usava as livrarias dos aeroportos como fonte de referência de leitura. Foi assim que comprei esta obra na Laselva de Cumbica. Naquela oportunidade, fui influenciado mais pela capa do que pelo conhecimento prévio sobre o título ou sobre o autor. Afinal de contas, quem é que resiste a um lindo gatinho laranja com um cachecol amarrado em seu pescoço na capa do livro, hein?! Durante o trajeto de ida de São Paulo a Maceió, onde passei uma semana visitando faculdades locais (esse era o meu trabalho na época), acabei devorando esta publicação. Gostei tanto dela que, neste comecinho de ano, a reli para produzir um post para o Blog Bonas Histórias. E mais uma vez fiquei impressionado positivamente com esta leitura. Sua história é realmente excelente!

Publicado em 2012 na Inglaterra, “Um Gato de Rua Chamado Bob” se transformou em pouco tempo em best-seller em seu país natal. O livro permaneceu por mais de 70 semanas no topo dos mais vendidos do Sunday Times, o jornal dominical de maior circulação no Reino Unido. A obra foi traduzida para algumas dezenas de idiomas, sendo lançada nos quatro cantos do planeta. Em muitos lugares, como nos Estados Unidos, ela também virou best-seller.

Antes de virar livro, a história de James Bowen e de seu gatinho foi publicada em uma pequena reportagem de um jornal londrino em setembro de 2010. Mary Pachnos, uma agente literária que ficou famosa por publicar “Marley & Eu” (Harpercollins Brasil), obra de John Grogan sobre seu cãozinho de estimação, leu a notícia e se interessou pela trama. Ela procurou James Browen e intermediou o encontro dele com o escritor Garry Jenkins. Estava selada a parceria que resultaria no livro. Browen contou a Jenkins sua história com Bob. O escritor produziu o texto e Mary Pachnos arrumou uma editora para publicá-lo.

“Um Gato de Rua Chamado Bob” recebeu, em novembro de 2012, o Book Awards do Reino Unido como a melhor obra não ficcional na categoria popular. Em março de 2014, foi considerado um dos livros mais inspiradores para os adolescentes. E, em 2015, um filme com a história de James Browen e Bob começou a ser gravado em Londres. A expectativa é que o longa-metragem seja lançado ainda neste ano na Europa e nos Estados Unidos.

O enredo de “Um Gato de Rua Chamado Bob” começa na primavera de 2007. James Browen é um rapaz de quase trinta anos que vive de maneira um tanto caótica em Londres. Morando em um pequeno apartamento alugado em Tottenham, ele ganha a vida fazendo apresentações musicais nas ruas do centro da cidade. Assim, consegue arranjar uns trocados, apesar de ter de se sujeitar aos perigos e à violência das ruas. James também está passando por tratamento clínico para largar o vício em heroína.

Depois de viver muitos anos como morador de rua, a rotina do rapaz é agora solitária e sem muitas perspectivas. Sem falar há muito tempo com a família, James Browen é visto por si mesmo e pelas pessoas ao seu redor como um desajustado, que vive a mendigar dinheiro por Londres.

A vida de James sofre uma reviravolta quando, em uma noite, ele retorna para seu apartamento e dá de cara com um gatinho laranja em sua porta. O bichinho aparentemente não tem dono e insiste em permanecer ali. Depois de alguns dias, o músico amador abre a porta de casa e adota o gato. Bob, como o animalzinho é chamado, passa a viver com James, se transformando em seu melhor amigo. A dupla se torna inseparável. Aonde um vai, o outro acompanha.

Adotar Bob representou uma mudança significativa na vida de James Browen. O rapaz inconsequente, drogado e despreocupado em relação ao futuro desapareceu de um dia para o outro. E quem passa a existir é um rapaz trabalhador, saudável e maduro. Ter ganhado a companhia de um gato e ter adquirido a responsabilidade de cuidar de um animalzinho de estimação abriu portas na vida de James que nem mesmo ele poderia ter imaginado. As pessoas se tornaram mais tolerantes e amigáveis para com ele. Enquanto James se transformava, Bob também, pouco a pouco, foi mudando, deixando de ser um bicho tão selvagem. A união da dupla representou a salvação de ambos.

“Um Gato de Rua Chamado Bob” é um livro de memórias com aproximadamente 240 páginas. É possível lê-lo em uma única tarde ou em duas noites consecutivas. Sua história é inspiradora, sua narrativa é agradável e seu texto é bastante dinâmico. O que mais devemos esperar de um bom livro, hein?

Tão surpreendente quanto a beleza da história é a maneira como sua narrativa foi construída. Repare no desenvolvimento dos conflitos! A obra é uma aula prática para os novos escritores de como criar e manter a tensão narrativa do início ao fim. Garry Jenkins soube extrair os pontos mais dramáticos da história de James Browen e de Bob, pontuando sistematicamente os capítulos com conflitos a serem superados pelos protagonistas. Até mesmo nos momentos em que tudo parece estar dando certo, algo de trágico acontece, podendo arruinar tudo.

De tão bem escrito, a história de “Um Gato de Rua Chamado Bob” até parece um produto ficcional. Entretanto, o livro é baseado sim em uma história real. Não há nada mais forte e sensível do que uma boa trama verídica.

Outro ponto que adorei nesta obra foi a inversão de perspectivas sociais. Como em um bom romance de Jorge Amado, os protagonistas são figuras simples e desprezadas pela sociedade. James Browen é um ex-morador de rua e alguém que ainda luta para largar o vício das drogas. E Bob é um simples gatinho de rua, com hábitos e comportamentos ainda selvagens. Os dois se mostram frágeis diante das duras engrenagens sociais de uma nação capitalista. Sem o apoio mútuo, a dupla de personagens não resistiria muito tempo em condições tão adversas. Por outro lado, os vilões são os policiais, as autoridades e as pessoas bem-sucedidas que passam apressadas pelas calçadas e pelas estações de metrô sem ajudar os mais necessitados. O mundo parece olhar para James e Bob com olhos mesquinhos e agressivos.

Curiosamente, não encontrei em “Um Gato de Rua Chamado Bob” alguns excessos melodramáticos presentes, por exemplo, em “Marley & Eu”. Se no livro de Grogan o protagonista é o cachorrinho endiabrado, neste o personagem principal não deixa de ser James Browen em nenhum instante. Adorei isso. As alegrias e as tristezas dele com seu gato conferem um sentimentalismo na medida certa à obra, sem excessos ou apelos exagerados. Bob é uma personagem central da história, mas sua trama ainda sim perde em força dramática quando colocada ao lado da incrível trajetória de vida de seu proprietário.

“Um Gato de Rua Chamado Bob” é um dos livros mais bonitos e sensíveis que li nos últimos anos. Realmente, trata-se de uma publicação de excelente qualidade narrativa e dramática. Admito ter virado fã de James Browen e de Bob. Sinceramente, estou com muita vontade de ver o filme sobre a dupla que será lançado no final deste ano. Na certa, correrei para a sala de cinema assim que o longa-metragem estiver disponível no circuito nacional.

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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