• Ricardo Bonacorci

Músicas: Mamonas Assassinas – 20 anos do sucesso meteórico


Em 1995, a música brasileira foi atingida por um fenômeno difícil de explicar tanto naquela época quanto hoje em dia. Uma banda juvenil e amadora de Guarulhos chegou ao primeiro lugar das paradas de sucesso com paródias bem-humoradas de grandes hits nacionais e internacionais. As letras engraçadas das canções, o visual escrachado dos garotos, o humor politicamente incorreto das músicas, a mistura de gêneros musicais e o comportamento irreverente da banda conquistaram primeiramente as crianças e depois o Brasil inteiro. Estou falando, obviamente, dos Mamonas Assassinas, o sucesso meteórico da metade da década de 1990.

A fama dos Mamonas Assassinas durou pouco mais de um semestre. O único álbum do grupo formado por Dinho (o vocalista e o líder da trupe), Bento Hinoto (guitarrista), Júlio Rasec (vocal de apoio e tecladista), Samuel Reoli (baixista) e Sérgio Reoli (baterista) foi lançado meio que sem querer em maio de 1995. Os Mamonas Assassinas assinaram um contrato com a poderosa gravadora EMI por insistência do filho adolescente do vice-presidente da companhia. O garoto ficou fã da fita demo que encontrou na gravadora e não parava de escutá-la. Perplexos com aquilo, os diretores e produtores da empresa passaram a dar mais atenção ao jovem grupo dono da fita. Assim, os cinco meninos de Guarulhos conseguiram seu contrato e a gravação do seu primeiro (e único) disco.

O sucesso foi imediato. Assim que a Rádio Rock tocou pela primeira vez “Vira-Vira”, o público correu às lojas para adquirir o CD. Um fenômeno assim é extremamente raro. Foram vendidas mais de 25 mil cópias de “Mamonas Assassinas” (o álbum tinha o mesmo nome da banda) nas primeiras 12 horas após a primeira execução na rádio. Este é até hoje o disco de estreia mais vendido da história da música brasileira, com quase 2,5 milhões de unidades comercializadas. Em números absolutos, “Mamonas Assassinas” é o décimo álbum de maior sucesso do país.

O grupo fez tanto sucesso que, no segundo semestre de 1995, a gravadora fez um acordo inusitado com a Rede Globo e com o SBT. A cada domingo, os Mamonas visitariam um programa de televisão das líderes de audiência. Assim, não haveria concorrência desleal. Se eles fossem ao Domingão do Faustão em uma semana, na semana seguinte a visita seria ao Domingo Legal. E não é errado afirmar que o país parava para ver as músicas malucas do quinteto.

“Mamonas Assassinas” tem 14 músicas. As canções mais famosas do álbum são “Pelados em Santos”, a terceira música mais tocada no Brasil em 1995, e “Vira-Vira”, uma espécie de hino do grupo. Enquanto “Pelados em Santos” é uma paródia de “Crocodile Rock” de Elton John, “Vira-Vira” é uma paródia das músicas de Roberto Leal, famoso cantor português. Impossível não rir ainda hoje com suas letras surpreendentes e profundamente irreverentes.

Contudo, o álbum não se resume a essas duas faixas. “Mamonas Assassinas” tem uma música melhor do que a outra. “Robocop Gay”, “Mundo Animal”, “Chopis Centis”, “Jumento Celestino”, "Bois Don't Cry", “1406” e “Uma Arlinda Mulher” também são magníficas. Cada uma delas faz uma sátira a algum cantor ou tipo de pessoa. Não sei se o humor politicamente incorreto dos meninos de Guarulhos faria sucesso atualmente, mas naquela época eles eram ovacionados nos quatro cantos do país. Completam o álbum, “Sabão Crá-Crá”, “Cabeça de Bagre II”, “Débil Mental”, “Sábado de Sol” e “Lá Vem o Alemão”.

Infelizmente, essa história surpreendente terminou de maneira trágica. Na manhã de 2 de março de 1996, há exatos 20 anos, o avião que trazia para São Paulo os Mamonas Assassinas de um show em Brasília se chocou com a Serra da Cantareira. Os meninos que fizeram o país inteiro chorar de rir, naquela manhã fizeram seu público chorar de tristeza.

Para lembrar esse marcante grupo da década de 1990, convido a todos para escutar novamente o álbum “Mamonas Assassinas”. É inegável o talento desses garotos e o quão engraçadas são suas criações. Sinceramente, não sei qual canção é a melhor. Talvez, não haja uma música definitiva, mas sim um disco eterno.

Ouça na íntegra “Mamonas Assassinas”:

E boas risadas a todos!

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#MamonasAssassinas

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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