• Ricardo Bonacorci

Crônicas: Março Negro - Protestar é fácil, difícil é aprender a votar


Antes que alguém me acuse de ser contra as manifestações recentes, preciso fazer uma ressalva: achei interessante a iniciativa das 4 milhões de pessoas que foram às ruas em todo o país para protestar, no dia 13 de março, contra a corrupção e a incompetência governamental. Um povo atuante e esclarecido é peça fundamental para a construção de uma grande nação.

Posta essa introdução, gostaria de lamentar duas coisas: infelizmente não somos um povo formado por pessoas politicamente atuantes e compromissadas com o ideal coletivo; e essa ação pontual do mês passado em nada vai mudar o destino do nosso país.

Para chegar a esta triste conclusão, convido o amigo ou a amiga para uma reflexão rápida. Por que nações como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha, por exemplo, não realizam manifestações desta magnitude nas ruas de suas cidades? Será que lá não há governo incompetente ou corrupto? Será que suas populações não são tão cívicas quanto a nossa? É claro que há problemas em seus governos (talvez não nos níveis do nosso) e que seus cidadãos são atuantes politicamente (muito mais do que os daqui).

O que acontece por lá é que o eleitor tira a corja de bandidos e de incompetentes da administração pública. Simples assim. O voto é a principal arma da população! Independentemente do modelo de governo (repare que citei um país presidencialista, uma monarquia e uma nação parlamentarista), a eleição é a melhor ferramenta para punir políticos pouco comprometidos com os anseios populares.

Aí está o nosso problema. Certa vez, o Pelé foi criticado, mas ele estava certo em sua célebre frase: “O brasileiro não sabe votar”. Ou você acha que sabe?! Vamos fazer uma rápida recapitulação: Fernando Collor de Melo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff foram nossos presidentes eleitos. Eleitos! Com todo o respeito a estas figuras históricas, o melhorzinho destes comia alfafa de café da manhã ou tinha algum trambique, seja para colocar um novo carro na garagem, para pagar a pensão do filho bastardo ou para mobiliar a casa de praia.

Parece pouco? OK, vamos, então, aos nomes que podem substituir Dilma Rousseff em caso de impeachment: Michel Temer (vice-presidente), Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados) e Renan Calheiros (presidente do Senado). Se a chapa do PT-PMDB for cassada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) quem assume é o Aécio Neves. Para quem não se lembra, esse é o homem que é acusado de agredir a mulher, de construir aeroporto público em terras da sua família, de receber propinas milionárias de empresas do setor elétrico e de nunca ter trabalhado na vida. Parece-me que o desfecho do impeachment será tão ruim quanto a manutenção da atual situação.

E qual é a perspectiva para o médio e o longo prazo? Não querendo ser ainda mais pessimista (mas já sendo), o nosso Congresso está recheado de figuras descompromissadas com os interesses públicos: Tiririca, Paulo Maluf, Jader Barbalho, Sarney, etc., etc., etc. Há quanto tempos eles estão lá? Uma, duas, três décadas ou a vida inteira! Como esses caras foram parar lá? As mesmas pessoas que hoje se indignam com a situação são as verdadeiras responsáveis pela condição atual do nosso país. Afinal, não há político eleito sem uma massa de eleitores a seu favor.

O que acho, afinal, dessas manifestações? Infelizmente, elas não mudarão a essência da nossa política (e da nossa cultura). Mudarão os nomes, mas as práticas obscuras e a corrupção endêmica irão se perpetuar. Enquanto o povo não souber votar, nada vai mudar. Trocam-se as peças, mas não se mudam os movimentos dos jogadores.

Ao invés de ir para a rua e levantar faixas e bandeiras, que tal ficar em casa, ler alguns jornais e várias revistas?! Quem sabe, assim, vamos adquirir conhecimento para a próxima eleição, aprendendo a praticar o ato de votar. Isso sim poderá mudar o Brasil.

Pense nisso!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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