• Ricardo Bonacorci

Filmes: Ovelha Negra - O drama dos criadores de ovelhas da Islândia


Ontem, no Reserva Cultural, assisti ao filme islandês "Ovelha Negra" (Hrútar: 2015). O roteiro e a direção ficaram a cargo de Grímur Hákonarson, um jovem cineasta especializado em documentários e em curtas-metragens. A estreia de Hákonarson nos longas-metragens ocorreu no ano passado justamente com esta produção. "Ovelha Negra" foi um dos destaques do Festival de Cannes de 2015.

Esta história aborda a relação tumultuada entre dois irmãos fazendeiros que não se falam há 40 anos, apesar de morarem um ao lado do outro. Gummi (interpretado por Sigurour Sigurjónsson) e Kiddi (Theodór Júlíusson) criam ovelhas na Islândia, país conhecido por possuir mais destes animais do que pessoas. A veneração dos islandeses por suas criações beira o fanatismo.

Vivendo no interior do país e morando sozinhos em suas propriedades, Gummi e Kiddi não têm muito que fazer em suas fazendas. Eles levam uma vida de trabalho pesado e de pouca diversão. Os únicos momentos de carinho e ternura dos dois são direcionados aos seus bichos. Além de se odiarem, os irmãos desprezam-se mutuamente.

Devido à vida bucólica e desinteressante, a principal época do ano para os fazendeiros é o concurso que seleciona a melhor ovelha da cidade. Este é o grande evento social do lugar no ano. Por isso, a empolgação de Gummi e Kiddi em participar da premiação.

O segundo lugar de Gummi se torna uma derrota para ele quando o vitorioso é revelado: a ovelha negra (daí o nome do filme) do seu irmão. Gummi inicia aí a investigação do animal campeão e suspeita que o bicho tem scrapie, uma doença incurável e contagiosa. Ao saber que o irmão está por trás das suspeitas da sua ovelha, Kiddi fica revoltado, ameaçando o irmão. A relação que já não era boa entre eles se torna péssima.

Para desespero dos criadores locais, os veterinários da cidade apontam que a ovelha negra de Kiddi tem realmente scrapie. Com isso, todos os fazendeiros precisam exterminar seus animais para que a doença não se alastre para fora dos limites da cidade. O drama dos criadores irá acabar unindo os irmãos, apesar das diferenças e dos rancores do passado.

"Ovelha Negra" é um filme parado e monótono, como a vida de seus protagonistas. Se a paisagem é deslumbrante, o longa-metragem carece de diálogos e de ação. O drama dos irmãos é comovente, mas muito cansativo e pouco explicativo. Acho que cochilei três vezes na sala de cinema. Se houve uma explicação para o porquê da briga entre eles, sinceramente não vi (devia estar dormindo).

Também não entendi a classificação que esta produção recebeu: drama e comédia. Tudo bem chamar este enredo de drama, mas onde é que viram alguma cena ou passagem engraçada neste filme?! Comédia?! Esta classificação é talvez o elemento mais divertido do filme.

O final é surpreendente. O desfecho aberto pode incomodar quem prefira saber exatamente como a história termina, mas irá agradar quem goste de interpretação poética, dúbia e fragmentada.

"Ovelha Negra" é um filme razoável (fui muito bonzinho agora, pois quase escrevi fraco). Não entendi o porquê da grande recepção que ele teve em Cannes. Este é daqueles filmes que esquecemos em menos de uma semana depois de tê-lo visto. Acho que poderia ter gastado meu dinheiro com o ingresso de outro filme.

Veja o trailer de "Ovelha Negra":

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#GrímurHákonarson

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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