• Ricardo Bonacorci

Filmes: Bonequinha de Luxo - O clássico que eternizou Audrey Hepburn


Quem me conhece sabe o quanto gosto de cinema antigo. Adoro ver ou revisitar os grandes clássicos da sétima arte. Como é gostoso mergulhar nos filmes e na realidade das décadas de 1940, 1950 e 1960! Estou falando sobre isso porque nesse final de semana assisti a um longa-metragem que marcou o cinema e que, curiosamente, eu ainda não tido a oportunidade de vê-lo. Trata-se de “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany's: 1961), do diretor Blake Edwards e com o mítico casal de protagonistas Audrey Hepburn e George Peppard. Adaptado da novela de Truman Capote, este é aquele caso em que o filme se tornou maior do que o livro.

Nessa história, conhecemos Holly Golightly (Audrey Hepburn), uma jovem um tanto fútil e desmiolada. Ela vive saindo com homens ricos para ganhar um dinheirinho fácil (isso tudo para não a chamar de garota de programa). Depois que se enjoa deles, ela troca o sujeito por alguém mais interessante financeiramente. O dinheiro da moça é gasto em compras nas lojas mais caras da cidade. Ela canaliza toda a sua alegria e seu sucesso nas peças que adquire. A primeira cena do filme é exatamente Holly tomando seu café da manhã enquanto observa a vitrine da joalheria Tiffany`s (daí vem o nome original do filme).

A frieza emocional da moça é caracterizada pelo seu gato de estimação. Ele não possui um nome próprio. É chamado apenas de “Gato”. A bagunça do apartamento da jovem também é um reflexo da vida dela (toda conturbada).

Certo dia, Holly é surpreendia pelo aparecimento do bonitão Paul Varjak (George Peppard). Instalado no apartamento acima do dela, Paul leva também uma vida fútil e um tanto questionável. Ele é um escritor que não escreve há anos e é bancado financeiramente pela senhora Failenson (Patricia Neal), sua amante casada e rica. Ou seja, ele é uma versão masculinizada de Holly.

O relacionamento entre os dois “aproveitadores” evolui a ponto de ser mais do que uma simples amizade. A paixão entre eles transforma Paul, mas não provoca nenhuma mudança em Holly. Enquanto o rapaz resolve voltar a escrever (tornando-se rentável financeiramente) e termina o relacionamento com sua amante de luxo, sua vizinha continua preocupada exclusivamente em encontrar um marido milionário. Primeiro é o herdeiro de uma magnata norte-americano e depois um político/fazendeiro brasileiro. Assim, a paixão dos dois esfria. Holly se mostra desinteressada em um rapaz pobre e simplório como Paul.

Gostei muito desse filme. A fotografia do filme é ótima (afinal estamos em Paris e o casal de protagonistas são Hepburn e Peppard), assim como a sua trilha musical. É impossível não ficar com a canção “Moon River” na cabeça por alguns dias. Repare na cena de Audrey Hepburn cantando essa música, enquanto a toca no violão. É um encanto para os ouvidos e para os olhos.

Um aspecto elogiável desta produção foi a ousadia de colocar nos papeis principais personagens de caráter tão duvidosos. Em plena década de 1960, a mocinha da trama era uma prostituta e o mocinho um gigolô. Antes de se conhecerem, ambos se relacionavam afetivamente e sexualmente por interesse financeiro. É ou não é uma ousadia sem precedentes para aquele tempo?!

Outra marca de “Bonequinha de Luxo” é atuação marcante de Audrey Hepburn. No esplendor da sua beleza e carisma, a atriz belga conseguiu representar tão bem Holly que perpetuou para sempre a imagem de sofisticação e glamour da sua personagem. Não é errado afirmar que esse filme acabou imortalizando Audrey Hepburn como um sinônimo de classe e sofisticação. A atriz (falecida em 1993) é até hoje lembrada como um ícone feminino do cinema. Apesar de ter entrado para a história por interpretar a fútil e desmiolada Holly Golightly, não foi por “Bonequinha de Luxo” que Hepburn ganhou a estatueta do Oscar de melhor atriz. A premiação foi dada por sua atuação em “A Princesa e o Plebeu” (Roman Holiday: 1953), ocorrida oito anos antes.

George Peppard também está muito bem interpretando Paul Varjak. Entretanto, não é possível comparar a atuação dele com a de seu par romântico nessa história. Enquanto ele está ótimo, Audrey Hepburn está esplendorosamente magnífica. Assim, é injusto tecer qualquer comparação entre eles.

A cena final do filme também é marcante: o casal discutindo no táxi e depois percorrendo as ruas da cidade, em meio a uma chuva pesada, procurando o gato da moça. Cena de chuva mais icônica do que essa, talvez, tenhamos a conversa final entre Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em “Casablanca” (Casablanca: 1942) e a dança de Gene Kelly em “Cantando na Chuva” (Singin' in the Rain: 1952).

O único ponto que pode incomodar o público mais moderno é a lentidão da trama em alguns momentos. Rapidamente, conhecemos o perfil dos dois personagens e é estabelecida uma paixão entre eles. A partir daí, o clímax e o desfecho da história se arrastam um pouco, tornando tudo um pouco vagaroso. Os mais ansiosos e impacientes com certeza reclamarão.

Em uma primeira leitura, “Bonequinha de Luxo” pode parecer aquele filme romântico “água com açúcar”. Enquanto assistia me lembrei de “Gigi” (Gigi: 1958) e “Uma Linda Mulher” (Pretty Woman: 1990). O primeiro pela inocência das personagens de Leslie Caron e Hepburn (juro que as acho parecidas) e a segunda pelo enredo de transformar uma meretriz em princesa encantada.

Contudo, quando analisamos os aspectos semióticos desse longa-metragem, encontramos vários elementos que enriquecem esta produção. Holly por mais maluca que parecesse conseguiu transformar Paul em um homem de princípios e digno do amor dela. Por outro lado, o rapaz precisou escancarar os medos e temores da moça para conquistá-la definitivamente.

Além disso, o filme pode ser visto como uma crítica contumaz a sociedade exibicionista e interesseira dos tempos modernos, onde a imagem e o poder do dinheiro sobressaem aos sentimentos mais humanos e nobres. Holly e Paul conseguiram, no final, reverter suas vidas mecânicas e calcadas exclusivamente na obtenção de bens materiais. Quantos de nós ainda não estamos presos no glamour e na ambição do enriquecimento pelo enriquecimento em si?

Nada como uma “aguinha com açúcar” com uma dose cult para provocar certos questionamentos...

Veja o trailer de “Bonequinha de Luxo”:

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#BlakeEdwards #AudreyHepburn #GeorgePeppard #TrumanCapote

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O Bonas Histórias é o blog de literatura, cultura e entretenimento desenvolvido por Ricardo Bonacorci desde 2014. Com um conteúdo multicultural (literatura, cinema, música, teatro, exposição e gastronomia), o Blog Bonas Histórias analisa as boas histórias contadas no Brasil e no mundo.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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