• Ricardo Bonacorci

Filmes: Quero Ser John Malkovich - O mais criativo roteiro da década


Recentemente assisti ao filme "Quero Ser John Malkovich" (Being John Malkovich: 1999), produção de estreia dos norte-americanos Spike Jonze na direção e Charlie Kaufman como roteirista. E que filme é esse! Indicado ao Oscar de 2000 (melhor diretor: Spike Jonze; melhor roteiro original: Charlie Kaufman; e melhor atriz coadjuvante: Catherine Keener) e ao Globo de Ouro daquele ano (melhor filme de comédia/musical; melhor roteiro: Charlie Kaufman; e melhor atriz coadjuvante: Catherine Keener e Cameron Dias) em três categorias cada, o longa-metragem é incrivelmente original. Fazia muito tempo que não via algo, ao mesmo tempo, tão maluco e surpreendentemente bom.

A história inicia-se quando o estranho Craig Schwartz (interpretado por John Cusack) consegue um emprego no andar sete e meio de um edifício comercial. Por ficar entre os andares sete e oito, tudo ali é apertado. A altura e a largura do escritório é um quarto do que deveria ser. Assim, os funcionários precisam andar curvados para se locomover pelo lugar. A chegada ao andar é um tanto curiosa também: a ascensorista precisa dar um tranco no elevador para ele parar no lugar exato. Depois disso, ela abre a porta com um pé de cabra. Muito perturbador!

Tudo naquele lugar parece esquisito. Os funcionários e o proprietário da companhia parecem ser desequilibrados psicologicamente. Cada um possui uma fobia, uma mania ou um comportamento completamente inusitado. O próprio Craig é um rapaz desajustado. Maníaco por bonecos e profundamente antissocial, ele vive com a esposa Lotte Schwartz (Cameron Dias) em um porão bagunçado que mais parece um laboratório científico (há vários animais espalhados ali, como aves e macacos).

As coisas ficam ainda mais estranhas quando Craig encontra, sem querer, uma passagem secreta em uma das salas do andar onde trabalha. Ao investigar aonde o lugar vai dar, ele descobre que consegue acessar a consciência e o corpo do grande ator John Malkovich (interpretado por ele mesmo). Durante 15 minutos é possível controlar a mente do ator até o invasor ser expelido, caindo na beira de uma estrada na saída da cidade de Nova Jersey.

A descoberta se transforma em uma empreitada comercial. Craig se torna sócio da colega Maxine (Catherine Keener) por quem o rapaz nutre um amor platônico e por quem ele compartilhou pela primeira vez seu achado. A dupla cobra para pessoas passarem pela passagem secreta e acessar a consciência do ator. Contudo, a experiência surreal é um tanto viciante. Assim Craig e sua esposa acabam tragados pela vida de John Malkovich. O vício do casal transforma sua relação. Rapidamente, os dois iniciam um triangulo amoroso surpreendente com Maxine.

O filme é muito mais maluco do que essa sinopse pode apontar. Trata-se do roteiro mais original que vi nas últimas décadas. A cada nova fase do longa-metragem, somos surpreendidos com alguma maluquice do roteirista Charlie Kaufman. O cara é um gênio! Além de ser um suspense nonsense, a história é muito engraçada. O final é ainda mais surpreendente. Quando pensamos que já vimos tudo, somos mais uma vez passados para trás. As surpresas não param até a última cena.

Esse não é apenas um filme original. Ele é muito bom também. A combinação desses dois elementos produziu um longa-metragem que será muito brevemente um cult dos cinéfilos (se já não for). Todas as peças desse enredo são admiravelmente bem encaixadas: ambiente alucinante, personagens malucos, história fantástica, ausência de maniqueísmo (não sabemos quem está certo ou errado ou para quem torcer), humor debochado e inteligente, cenas impagáveis com autorreferências hilárias (por exemplo, além de John Malkovich, Charlie Sheen, Brad Pitt e Winona Ryder também interpretam a si mesmo) e reviravoltas intermináveis. O clima sombrio e apertado do cenário também potencializa a angústia dos personagens.

Como é bom ver a ousadia de artistas como Spike Jonze e Charlie Kaufman. Ambos saíram do lugar comum e conseguiram transformar um filme com um orçamento limitado (U$ 13 milhões) em um clássico do cinema contemporâneo. Se você gosta do bom cinema e ainda não viu esta produção, saiba que você está perdendo um filmão. "Quero Ser John Malkovich" é uma aula de como fazer um filme alternativo com conteúdo, originalidade e humor.

Veja o trailer de "Quero Ser John Malkovich":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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