• Ricardo Bonacorci

Análise Literária: Graciliano Ramos


Conclui a leitura e a análise das cinco obras de Graciliano Ramos que havia me proposto no início do mês para o Desafio Literário do Blog Bonas Histórias: "Vidas Secas" (Record), "Caetés" (Record), “São Bernardo” (Martins), "Insônia" (José Olympio)" e "Memórias do Cárcere" (Record). Assim, me sinto agora mais preparado para emitir uma opinião sobre este escritor.

Graciliano Ramos realmente foi um dos melhores escritores modernistas de nosso país. Suas obras estão situadas na segunda fase do Modernismo Brasileiro, também chamada de Regionalista. Coloco a qualidade de seus livros ao lado das de Jorge Amado, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Euclides da Cunha e José Lins do Rego. Nesse sentido, acredito que Ramos até seja pouco lido e pouco conhecido pela sua dimensão literária.

Graciliano atuou como romancista, contista, cronista e memorialista, tendo se destacado mais no primeiro gênero. Apesar da sua obra mais conhecida ser “Vidas Secas”, não a considerei como sendo a melhor. Admito que fiquei apaixonado por “São Bernardo”, um dos melhores livros que li na vida, e fiquei positivamente admirado com “Caetés”. “Memórias do Cárcere" é uma obra densa e profunda, apesar de um pouco longa. É uma pena que ela tenha ficado inacabada. O único livro que não gostei foi “Insônia”. Os contos mórbidos e com ambiente pesado não me agradaram. Lamentei também não ter conseguido ler “Angústia”, para muitos o melhor livro do autor alagoano.

As características de Graciliano Ramos que mais chamaram minha atenção foram: temática social, cuidado com o retrato psicológico das personagens, trama mais descritiva do que narrativa e o realismo dos cenários e das situações.

A temática social fica evidente na escolha das personagens e do enredo das histórias. A vida levada pela família de Fabiano e Dona Vitória (em “Vidas Secas”), o jeito como o fazendeiro Paulo Honório trata os vizinhos e os funcionários (em “São Bernardo”), a dinâmica social em Palmeira dos Índios (em “Caetés”) e os relatos dos vários prisioneiros da ditadura varguista (em “Memórias do Cárcere”) evidenciam o aspecto político da literatura de Ramos. O autor parece sempre se posicionar com o intuito de dar voz aos oprimidos. Nesse sentido, ele se parece muito com Jorge Amado. É uma literatura mais esquerdista.

O retrato psicológico das personagens também é muito apurado. É possível definir quem é Fabiano, Dona Vitória, Paulo Honório e João Valério, por exemplo, pelos seus anseios e pela forma como falam e se comportam. Ás vezes, parece que adentramos na mente desses personagens. Ao compreendermos suas angustias e privações, passamos a entender e aceitar seus atos. “Insônia” é essencialmente um thriller psicológico angustiante. De certa forma, o que lemos é sentido pelo nosso corpo. Poderia dizer que o escritor alagoano tem capacidade de provocar emoções e sensações sinestésica em seus leitores.

Algo que me incomodou um pouco nos textos de Graciliano Ramos foi a tendência pela descrição. Na maioria das vezes, os acontecimentos são descritos e não narrados. Assim, a trama se torna lenta e um pouco enfadonha. “Vidas Secas” é um livro em que quase não acontece nada (pelo menos é essa a sensação ao fechá-lo). Em “Memórias do Cárcere”, temos a impressão que o mais importante é excluído da trama, ficando apenas a descrição dos colegas presidiários do escritor. Isso me incomodou um pouco durante a leitura.

Um ponto positivo de Ramos é a forma como ele monta o cenário das histórias. Nos sentimos dentro daquele ambiente. O realismo é total. A impressão é que o autor viveu aquilo ou sabe com propriedade o que seus personagens estão vivendo e sentido. É raro encontrarmos um escritor que consiga transmitir tanto realismo nas páginas de suas publicações.

Gostei muito de ter lido Graciliano Ramos agora em maio. A escolha do alagoano para fazer parte do Desafio Literário desse ano se mostrou acertada. O próximo autor que será analisado no Blog Bonas Histórias será a romancista policial inglesa Agatha Christie. Não perca!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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