• Ricardo Bonacorci

Livros: Morte na Mesopotâmia - A fase internacional de Agatha Christie


Li, nesse final de semana congelante em São Paulo, “Morte na Mesopotâmia” (Nova Fronteira), romance de Agatha Christie. A primeira publicação desse livro é de 1936. Essa obra faz parte da fase internacional da carreira da escritora inglesa e narra mais uma investigação protagonizada por Hercule Poirot, o conceituado detetive belga.

Depois de escrever histórias ambientadas essencialmente na Inglaterra, como é possível constatar em “O Inimigo Secreto” (1922) e “O Assassinato de Roger Ackroyd” (1926), Agatha passou a construir enredos que se passavam no exterior. Essas histórias internacionais são frutos das viagens que ela fazia, a partir do final da década de 1920, para acompanhar seu segundo marido, um arqueólogo. Enquanto ele se enveredava por sítios arqueólogos e escavações, ela aproveitava para conhecer novos cenários, bolar enredos diferentes e construir personagens mais variados.

Em “Morte na Mesopotâmia”, conhecemos a trama a partir da narração da enfermeira Amy Leatheran. A jovem fora incentivada a escrever os acontecimentos que vivenciou durante o período em que trabalhou no Oriente Médio. Depois de uma temporada como babá em Bagdá, ela foi enviada para Tell Yarimjah, no interior do Iraque. Seu ofício ali era cuidar de Louise Leidner, esposa do chefe da expedição arqueológica.

A bela esposa do Dr. Leidner sofria de crise nervosa. Ela recebia constantes ameaças de morte enviadas por cartas anônimas. Temendo divulgar as intimidações aos colegas e funcionários do marido, ela se desesperava com qualquer coisa que fugisse da rotina do lugar. Isso, aos olhos da maioria, era encarado como paranoia ou mania de chamar a atenção. Louise era vista como uma louca por todos. Isso até o assassinato dela ser consumado. Para esclarecer o mistério da sua morte, o detetive Hercule Poirot foi contratado. Aproveitando-se que o famoso investigador belga estava em viagem pelo Oriente Médio, o Dr. Leidner contrata-o para elucidar o mistério sobre a morte da esposa.

Gostei do livro. É possível lê-lo em um dia. Como esse sábado estava com uma temperatura que me desencorajava a sair de casa, aproveitei e passei o dia em baixo das cobertas com o livro na mão. Rapidamente consumi suas 220 páginas.

Temos novamente nessa obra o melhor de Agatha Christie: mistério, surpresas, reviravoltas, suspense, intrigas e dúvidas. Muitas dúvidas, por sinal! A cada momento o assassino parece ser um e no final é a pessoa em que menos acreditássemos que era. Nesse sentido, a escritora inglesa é mestre. Em três livros lidos dela até agora, não consegui acertar o culpado em nenhum. Será que conseguirei ter sorte ou a habilidade para solucionar algum caso até o final desse "Desafio do mês"?

A trama dessa obra é boa, ágil e interessante. Contudo, a estrutura de "Morte na Mesopotâmia" é basicamente igual ao do livro anterior que li, "O Assassinato de Roger Ackroyd". Uma série de assassinatos acontece em determinado lugar e o culpado é um dos moradores daquela localidade. A história também é contada em primeira pessoa por um personagem "secundário". Cabe ao detetive Poirot esclarecer o que parece ser um crime quase perfeito. A única diferença é que esta trama se realiza no interior do Iraque enquanto a outra acontecia no interior da Inglaterra. Ou seja, só muda-se o cenário.

Assim, uma dúvida passou em minha mente: "Será que todo livro da inglesa, a partir de agora, será assim, igual ao anterior?". Sei que a fórmula é boa e foi muito bem-sucedida ao longo do tempo, mas ler a mesma sinopse várias vezes sem parar é um tanto decepcionante para quem busca sempre alguma novidade.

Apesar de o livro ser bom e sua história prender nossa atenção, esperava alguma coisa diferente por parte da escritora. Procurando esse algo a mais vou começar agora a leitura do último livro da série do detetive Hercule Poirot: "Cai o Pano" (Nova Fronteira). Escrito durante a segunda Grande Guerra, ele só foi publicado em dezembro de 1975, um mês antes do falecimento de Agatha Christie. Vamos ver se encontro algo inovador e diferenciado nele.

Até o próximo post do Desafio Literário de Agatha Christie, uma exclusividade do Blog Bonas Histórias!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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