• Ricardo Bonacorci

Filmes: Prefeito Chinês - As loucuras da ditadura chinesa


No último domingo, assisti a mais uma produção em cartaz na Mostra “Ecofalante de Cinema Ambiental”. O filme era um dos que eu tinha maior expectativa de conferir no início dessa quinta edição do festival. “Prefeito Chinês” (The Chinese Mayor: 2014) é um documentário dirigido por Zhou Hao e celebrado no festival de Sundance do ano passado. Nesse longa-metragem de aproximadamente uma hora e meia, podemos verificar um pouco da megalomaníaca e destemperada política pública chinesa dos dias de hoje.

Em “Prefeito Chinês”, acompanhamos o dia a dia do prefeito Geng. O senhor de 54 anos é o líder de Datong, cidade chinesa que já fora capital nacional há 1.600 anos. Querendo reviver os tempos dourados do município, Geng resolve colocar em prática um plano ambicioso. Ele quer que Datong deixe de ser conhecida como a cidade mais poluída da China (a exploração mineral transformou o lugar em antro de fuligem e esgotou o subsolo da região) e passe a ser o centro cultural do país. A proposta, a princípio, parece lógica e interessante. Contudo, o problema está em sua execução. Para viabilizar esse sonho, Geng quer restaurar a antiga muralha que protegia a cidade nos tempos milenares, não permitindo que ninguém ocupe o seu perímetro. Assim, é necessário destruir grande parte da cidade e deslocar 30% dos habitantes do município para outro lugar.

Aí começam os problemas! Para realizar essa desocupação em massa, o prefeito Geng provoca grande transtorno aos moradores de Datong, além de onerar os cofres do distrito. Milhares de pessoas ficam repentinamente sem suas casas, algumas sendo abandonadas a própria sorte. A política comunista na China atual, para quem não sabe, é mandatória. Não há Justiça, garantia aos direitos individuais ou democracia. Os funcionários das empresas de demolição chegam para derrubar as casas nem que para isso precisem arrancar à força os moradores.

O documentário é incrível! Acompanhamos os delírios do prefeito enquanto vemos os transtornos causados por sua política aos moradores da cidade. É possível constatar também o enriquecimento dos donos das construtoras responsáveis pela demolição do lugar, enquanto a dívida municipal alcança cifras bilionárias. Ás vezes, tudo parece um enredo ficcional. Porém, é tudo verdade e aconteceu de fato em Datong.

A câmera tem acesso quase que irrestrito a rotina do prefeito. Somente em alguns momentos, o cinegrafista e o cineasta são proibidos de filmar. Nessa hora, parece que os políticos estão tratando de temas que não desejam divulgar ao público.

A medida que o filme se desenrola, vamos nos afeiçoando a figura folclórica do prefeito. Ele é daquele tipo de administrador que acorda cedinho e vai dormir tarde da noite, abrindo mão de sua vida pessoal em prol da sua profissão. Há momento em que esquecemos os graves transtornos causados pela sua política e a achamos até válida. Essa sensação ilusória de que é possível realizar algo dessa magnitude sem danos sociais provoca uma grande reviravolta na trama.

O melhor foi reservado ao final! O desfecho do documentário é surpreendente. Somente aí conseguimos entender que o personagem principal é um homem lunático. A sequência de imagens da cidade totalmente destruída é autoexplicativa. O plano para reconstruir Datong é apenas uma desculpa esfarrapada de alguém megalomaníaco. Mais importante do que reconstruir é destruir. Tão interessante quanto essa conclusão é verificar a reação da população local. O povo sai à ruas para protestar. É engraçadíssimo o motivo da revolta popular.

Gostei muito do “Prefeito Chinês”. Ele está à altura da expectativa que criei a seu respeito. Vale a pena conferi-lo. Assistindo-o, podemos compreender um pouco mais como as coisas na China contemporânea acontecem tão rapidamente. Pobre de sua população, que vive sem direitos legais e fica à mercê de administradores de todos os tipos.

Confira, a seguir, o trailer do filme.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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