Livros: Confesso que Vivi - As memórias de Pablo Neruda

O quinto livro de Pablo Neruda que me propus a conhecer neste Desafio Literário de julho foi "Confesso que Vivi" (Difel), sua obra de memórias. Li a autobiografia do poeta chileno nesse final de semana. Em cerca de 350 páginas, Neruda narra os principais episódios de sua vida, da infância até a velhice. Escrito ao longo de vários anos pelo autor, o livro foi publicado pela primeira vez em 1974, alguns meses após a morte do chileno. Ou seja, a obra consegue percorrer toda a vida do poeta, até momentos antes do seu falecimento.

 

 

Dividido em doze capítulos, "Confesso que Vivi" segue uma ordem cronológica. Apesar de o autor deixar claro no início que contará a sua história embalado por suas lembranças, a publicação segue uma linha temporal. Após algumas partes introdutórias sobre a infância e adolescência do poeta, chegamos à fase adulta. Ela inicia-se quando Neruda deixa o interior chileno e se muda para a capital Santiago, onde vai fazer faculdade. Concluído o curso, Pablo Neruda ingressa no corpo diplomático do seu país. Ele se torna cônsul, sendo enviado para várias regiões do mundo. Inicialmente vai trabalhar em pequenos e desconhecidos países asiáticos. Depois, é enviado para a Argentina e a Espanha. Trabalha também no México e na França. O livro narra suas aventuras por essas nações.

 

Tendo uma carreira (paralela) de sucesso desde cedo na poesia, Pablo Neruda sempre foi muito cortejado por onde passou. Assim, pode conhecer inúmeras personalidades do seu tempo. À medida que visita os principais países do mundo, ele naturalmente conhece e se torna amigo de muita gente historicamente importante. 

 

Na parte final do livro, ficamos sabendo da volta de Pablo Neruda ao Chile. Seu trabalho político, a eleição para Senador da República, a perseguição política, o exílio e a atuação na campanha política de Salvador Allende. Nessa parte, há também uma homenagem aos principais amigos do poeta e uma reflexão sobre a poesia e sobre o papel do escritor. A obra termina quando Allende é deposto pelos militares chilenos. Isso aconteceu alguns dias antes do falecimento do poeta.

 

"Confesso que Vivi" é uma obra incrível, maravilhosa. Admito que fiquei positivamente surpreso com seu conteúdo. Como Pablo Neruda sempre escreveu suas poesias sobre seus amores e suas desilusões amorosas, acreditei que em sua obra de memórias fosse conhecer a vida romântica do escritor. Ledo engano! O poeta chileno já havia escrito muito a esse respeito, deixando essa questão em último plano. O que não era tão conhecido era sua vida política, sua atuação diplomática, seu hall de amizades e as intensas viagens pelo mundo. É exatamente esse o foco da publicação de memórias.

 

A primeira sensação que tive ao ler essa obra foi: "Uau! Que vida foi essa!". Pablo Neruda esteve sempre no lugar certo e no momento exato quando a história do século XX se escrevia. Ele se reuniu com Mahatma Gandhi nos primeiros encontros de Paz do líder indiano, esteve na Espanha quando Francisco Franco deu o golpe de estado e conheceu os japoneses que armaram o ataque a Pearl Harbor. Esteve na Rússia na época da formação do movimento literário "Formalismo Russo", atuou intensamente para a eleição do primeiro presidente comunista do Chile e esteve na França durante a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Além disso, foram seus amigos Pablo Picasso, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado, Frederico García Lorca, entre outros. Conheceu Josef Stalin, Anastásio Somoza García, Fidel Castro, Che Guevara e mais um tanto de políticos.

A impressão que tive é que Pablo Neruda foi um Forrest Gump do seu tempo. Você se recorda do protagonista do filme "Forrest Gump - O Contador de Histórias" (Forrest Gump: 1994)? Neruda esteve indiretamente ligado aos principais acontecimentos do século XX. Era como se ele estivesse sempre na antessala onde os principais episódios ocorreram. Isso é bem legal!

 

Outra coisa que me chamou a atenção foi a forma descompromissada que Neruda escreve em prosa. Sua história de vida é narrada de forma gostosa, intercalando episódios relevantes, memórias de situações inusitadas e uma interpretação poética da vida. É impossível largar o livro depois que se começou a ler. A impressão que tive é que o poeta estava conversando comigo durante as 350 páginas de "Confesso que Vivi".

 

Outro aspecto digno de nota é o nome do livro. Esse é um dos melhores títulos de autobiografias que conheço. Ao mesmo tempo em que brinca com o leitor (é óbvio que Neruda viveu), ele também consegue sintetizar a grandiosidade da vida do poeta (o chileno viveu intensamente sim! E como!).    

Quem gosta da poesia e das obras poéticas de Pablo Neruda, precisa ler sua autobiografia. A vida do chileno, acredite, foi tão intensa e magnífica quanto suas obras.

 

Na sexta-feira, dia 29, retorno ao Blog Bonas Histórias para apresentar o conclusão sobre o Desafio Literário de julho. Para tal, vou analisar de maneira completa a literatura de Pablo Neruda. Não perca o próximo post do Desafio Literário. Até lá! 

 

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