• Ricardo Bonacorci

Livros: Nada Dura Para Sempre - O décimo romance de Sidney Sheldon


Comecei a leitura das obras de Sidney Sheldon por "Nada Dura Para Sempre" (BestBolso). Li esse livro neste sábado. Ele possui pouco mais de 300 páginas e a leitura é bem rápida. Esse é o décimo romance escrito pelo norte-americano. Publicado originalmente em 1994, a história ganhou uma adaptação para o cinema já no ano seguinte: "Nada Dura Para Sempre" (Nothing Lasts Forever: 1995). Dirigido por Jack Bender (diretor da série "Lost"), o longa-metragem teve o protagonismo de Gail O Grady, Brooke Shields e Vanessa Williams.

Essa história começa em um tribunal. A jovem médica Paige Taylor é acusada de matar propositadamente um paciente para receber sua herança avaliada em um milhão de dólares. Todas as testemunhas chamadas pelos juízes depõem acusando a doutora. Para os funcionários do hospital público de São Francisco, onde a Dra. Taylor fazia residência, ela é uma profissional incompetente, fria e antiética. A imprensa está contra ela, lançando reportagens chamando-a de "Discípula do Diabo". A condenação da moça parece uma questão de tempo. O único que confia na inocência da médica é seu namorado, Jason Curtis. Nem mesmo o advogado de defesa da doutora acredita que ela não é a assassina.

De repente, a trama volta cinco anos no tempo. Nesse passado, conhecemos todos os personagens da trama. Paige Taylor é uma residente que está começando seu trabalho no hospital de São Francisco. Ela foi uma estudante de medicina muito dedicada e sonha em ajudar as pessoas menos favorecidas. Apaixonada por um amigo de infância, Paige aguarda o rapaz voltar da África (ele trabalha em uma ONG que ajuda os necessitados) para se casarem.

No primeiro dia em São Francisco, Paige conhece Honey Taft e Kat Hunter, outras duas residentes que estão começando o trabalho no hospital. Rapidamente, as três se tornam as melhores amigas e passam a morar juntas.

Honey Taft é herdeira de uma família milionária e trabalha como médica apesar de não ter aptidão para tal. Seu sonho é ser enfermeira, mas a família não deixa. Para conseguir permanecer na profissão, a moça faz sexo em troca de favores. Assim, consegue avançar na faculdade e entrar no hospital. Mesmo não sendo bonita, ela desenvolveu desde jovem uma habilidade para deixar os homens caidinhos por ela. Nisso, ela é competentíssima.

Kat Hunter, por sua vez, é a mais competente estudante da sua turma. Ela teve as maiores notas da história da sua universidade e é admirada pelo seu profissionalismo. Ela também é muito bonita. Sua beleza impressiona a todos. Os homens do hospital dão em cima dela insistentemente, mas a moça não quer nada com ninguém. Ela odeia os homens desde que foi abusada pelo padrasto na infância. A Dra. Hunter ainda precisa enfrentar o racismo. Ela é negra.

As três amigas precisam provar seu valor no hospital que estão fazendo residência. O pior problema do trio é o machismo imperante naquele local. As três são as únicas médicas residentes da sua turma. Os médicos, as enfermeiras e até os pacientes não querem mulheres trabalhando como doutoras ali. Os homens as veem como invasoras do seu ambiente de trabalho e como presas sexuais. As três jovens médicas precisam superar as adversidades típicas da profissão (longas jornadas, pouca estrutura do hospital público e casos complexos dos pacientes), além de implodir o preconceito sexista naquele lugar.

À medida que os anos vão passando, começamos a conhecer melhor Paige Taylor. Assim, quando a história avança continuamente no tempo e chegamos novamente ao tribunal, já sabemos se ela é culpada ou inocente. Temos ciência do que realmente aconteceu, podendo escolher se torcemos contra ou a favor da médica.

"Nada Dura Para Sempre" é uma história simples e gostosa. Ela prende a atenção do leitor e, por isso, é possível lê-la de uma só vez (li durante a tarde e o começo da noite de ontem). Sidney Sheldon utiliza-se uma linguagem simples e direta. Não há recursos literários muito sofisticados aqui. O autor concentra seus esforços na criação do enredo e dos personagens. Isso ele faz com excelência. A sensação é que estamos realmente dentro de um hospital. Sheldon faz bem o balanço entre recriar a rotina médica e tornar a trama verossímil. No meio do livro, acreditei que o autor já tivesse trabalhado mesmo em um hospital público de verdade...

O que chama mais atenção nessa história é o contexto prioritariamente feminino. As três principais personagens são mulheres. Elas precisam provar seu valor em um mundo essencialmente machista. A maioria dos homens é retratada como inimigos das moças, desejando-as unicamente para fins sexuais. Para superar todas as adversidades (profissionais e pessoais que cada uma possui), elas não têm mais ninguém para ajudá-las. Elas estão sozinhas no mundo. Na verdade, elas contam apenas com o apoio mútuo do trio de amigas. Cada uma delas terá uma estratégia distinta para conseguir ser bem-sucedida no hospital.

A força interior das personagens femininas dessa história é absurda. Elas possuem caráter, coragem e atitude para enfrentar todas as diversidades. São elas as heroínas, enquanto quase todos os homens são os vilões. Os poucos integrantes do sexo masculino que não são encarados como vilões são vistos como príncipes encantados que estão ali para salvar as princesas modernas das trevas que elas se encontram. Às vezes, elas confundem um vilão com príncipe e um príncipe com vilão.

Essa busca explícita ou implícita pela outra metade torna o enredo do livro bastante romântico. Mesmo trabalhando muito e desejando serem respeitadas profissionalmente, as protagonistas continuam acalentando sonhos matrimoniais. Praticamente desejam ser resgatadas pelo príncipe encantado daquela selva moderna que é o hospital.

O único ponto negativo é que o livro não possui qualquer surpresa ou reviravolta. A trama segue previsivelmente do início ao fim. Os fatos vão se sucedendo de maneira automática. Um leitor atento consegue prever o que irá acontecer depois da leitura de um quarto da obra. Isso, evidentemente, é um tanto frustrante.

Gostei bastante de "Nada Dura Para Sempre". A história e seus personagens são marcantes. O enredo é simples e bem executado. Acredito que o público feminino vá gostar mais dessa obra do que o público masculino.

Com a leitura dessa primeira publicação, pude perceber que Sidney Sheldon cumpre bem seu papel de produzir uma literatura de entretenimento. Se a história das três jovens médicas será esquecida por mim daqui um ano, pelo menos nesse sábado ela conseguiu me cativar.

O segundo livro do Desafio Literário de agosto é "Se Houver Amanhã" (Best Bolso). O post com a análise desta obra estará disponível aqui no Blog Bonas Histórias no dia 11. Não deixe de acompanhar o estudo sobre a literatura de Sidney Sheldon.

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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