• Ricardo Bonacorci

Livros: Se Houver Amanhã - Um dos melhores romances de Sidney Sheldon


Li, nessa semana, a segunda obra de Sidney Sheldon do Desafio Literário de agosto. O livro escolhido foi "Se Houver Amanhã" (BestBolso). Publicado pela primeira vez em 1985, "Se Houver Amanhã" é a sétima produção literária do best-seller norte-americano. O sucesso do livro foi tanto que no ano seguinte a trama ganhou uma adaptação para a televisão. A minissérie televisiva teve Madolyn Smith Osborne, Liam Neeson e Tom Berenger no elenco principal.

O livro é grande, com mais de 400 páginas. Demorei quatro noites para concluí-lo. A obra é dividida em três partes. Cada parte representa uma etapa da vida da personagem principal, Tracy Whitney.

Na primeira seção, a jovem é apresentada como tendo uma vida dos sonhos. Ela trabalha como analista em um conceituado banco da Filadélfia. Recém-promovida, Tracy irá se casar com o filho de um magnata local. O rapaz está apaixonado por ela e é tido como um rapaz perfeito. Para completar o cenário idílico, Tracy está grávida. O bebê do casal virá em breve. Por isso, ela se considera a mulher mais sortuda do mundo. Sua vida é perfeita, julga.

Os problemas de Tracy Whitney começam quando ela retorna à Nova Orleans para o enterro da mãe. Em sua cidade natal, a jovem descobre que sua mãe se suicidou. O motivo foi à falência da empresa da família. O culpado foi um empresário que deu um golpe na viúva para ficar com o dinheiro da companhia fundada pelo falecido pai de Tracy. Indignada com a injustiça, Tracy invade a casa do empresário em busca de retratação. Esse é o princípio de uma série de mal-entendidos que culminará com a prisão da moça. A acusação é de invasão à propriedade privada, tentativa de homicídio e roubo de uma obra de arte. A pena é de 15 anos. Condenada, Tracy é abandonada pelo noivo. Sem ninguém mais para ajudá-la, ela acaba trancafiada em uma cela imunda.

Na penitenciária estadual, Tracy passa a ter uma nova vida. Ela é uma condenada da justiça e passa a viver entre criminosas perigosas. Seu objetivo passa a ser sobreviver naquele ambiente opressor. Na primeira noite, é estuprada pelas colegas de cela e perde o filho que esperava. Depois, passa a fugir das investidas de homossexuais que cortejavam seu corpo. Naquele ambiente, sua beleza era uma inimiga.

A segunda parte do livro inicia-se após a saída da prisão da moça. Agora, Tracy Whitney quer vingança. Ela irá destruir a vida de todos aqueles que contribuíram para colocá-la atrás das grades. Uma vez terminada a vingança, ela busca recomeçar sua vida. Contudo, ela não consegue. Ninguém quer dar emprego para uma ex-presidiária. Sem conseguir um trabalho convencional e honesto, ela parte para a criminalidade.

A carreira de ladra de luxo de Tracy é o mote da última parte do livro. Nesse momento da história, ela se muda para a Europa e passa a viver dando golpes em museus, bancos e milionários no Velho Continente. Com o tempo, ela se torna a maior ladra do mundo, conhecida pela coragem e esperteza. Um policial norte-americano de uma empresa privada de segurança é incumbido de prendê-la. Assim, enquanto precisa roubar os ricos, a moça precisa fugir da polícia.

Gostei muito de "Se Houver Amanhã". A leitura é agradável e dinâmica. Os acontecimentos ocorrem sucessivamente e de maneira rápida deixando a trama ágil. A linguagem simples e direta de Sidney Sheldon também ajuda. Ele não perde tempo com nada que não seja essencial.

Temos nessa publicação um Sheldon que esbanja bom humor e sacadas hilárias. Os golpes aplicados por Tracy são excelentes. Além de serem desenvolvidos por uma mente criativa e inteligente, eles possuem doses de sarcasmos e ironia. As viagens da personagem principal pelos diferentes países europeus também confere certo charme ao livro.

O aspecto mais interessante dessa obra é acompanharmos a evolução da personalidade de Tracy Whitney. Se no começo da história ela era uma moça fútil, frágil e idealista, no final ela se transforma em uma mulher prática, forte e realista. É impossível não torcer por ela. Mesmo sabendo que o que ela faz é errado (roubar coisas sempre é um crime), acabamos vibrando quando seus planos são bem-sucedidos. Nesse caso, a polícia se torna a vilã da história. Engraçado isso, né?

Gostei tanto dessas três partes do livro que não sei qual é a melhor. A vida na prisão é dura e exige muita força de vontade da personagem principal para encarar as adversidades. A fase em que ela se vinga dos seus inimigos externos também é ótima. É divertidíssimo ver como Tracy consegue derrubar seus inimigos, um a um, usando apenas sua inteligência. E o que falar da fase de ladra profissional?! Os crimes de Tracy vão se sucedendo sem que a história perca graça e dinamismo. Um roubo é melhor e mais desafiante do que outro. Não dá para largar as páginas do livro.

Como na publicação anteriormente lida ("Nada Dura Para Sempre"), temos aqui também um cenário de uma mulher sozinha contra o mundo (no livro anterior, era um trio de mulheres contra os homens). Sem ninguém para contar, Tracy precisará usar sua beleza e, principalmente, sua inteligência para passar a perna em todos a sua volta.

"Se Houver Amanhã" também tem altas doses de romantismo. Se Tracy descobre rapidamente que seu antigo noivo era um homem indigno do seu amor, ela passa a nutrir um sentimento especial pelo criminoso Jeff Stevens. O rapaz de corpo atlético é o rival da moça na prática criminosa. Depois, os dois se tornam uma dupla bem-sucedida na arte de enganar a sociedade.

Apesar da protagonista ser do sexo feminino, não considerei esse livro como tendo um público-alvo prioritariamente feminino. Acredito que muitos homens vão gostar dessa trama divertida e instigante. Eu particularmente gostei bastante. Se quisesse, Sidney Sheldon poderia ter iniciado uma série de histórias com essa personagem. O enredo estava todo pronto e permitia tranquilamente a extensão da trama para novas histórias. O final de "Se Houver Amanhã" indica exatamente isso. É uma pena que ele não tenha continuado. Com certeza, eu leria mais dessa história.

O Desafio Literário prossegue no próximo dia 15, quando retorno ao Blog Bonas Histórias para analisar "Manhã, Tarde & Noite", um romance policial de Sidney Sheldon. Até lá!

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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