• Ricardo Bonacorci

Peças teatrais: Peer Gynt - O folclore norueguês de Henrik Ibsen


Na semana retrasada, fui ao Centro Cultural FIESP da Avenida Paulista para ver a peça "Peer Gynt". De autoria do norueguês Henrik Ibsen, que viveu no século XIX e é considerado um dos criadores do teatro moderno, esta produção teatral é original de 1867 e é baseada no folclore nórdico. Nesta versão apresentada agora pelo SESI-SP, a adaptação e a direção ficaram a cargo de Gabriel Villela. No elenco de dezesseis atores e músicos, destaque para Chico Carvalho (que interpreta o protagonista), Maria do Carmo Soares (a mãe de Peer Gynt) e Mel Lisboa (a esposa do Peer).

Nesta história, Peer Gynt é um aventureiro meio transloucado que mora em uma pequena vila interiorana da Noruega. Depois da morte do pai, o rapaz passa a gastar a herança paterna com bebedeiras, vadiagem e viagens. Alertado pela mãe sobre seus deslizes e sua postura descabida, Peer resolve viajar o mundo para provar seu valor. Ele se considera um nobre corajoso e destemido, sonhando se tornar rei.

Nesta longa viagem pelos quatro cantos do planeta, Peer Gynt encontra seres mágicos, como duendes e ninfas, enriquece de maneira ilícita, perdendo tudo em seguida, tem romances com a princesa da Noruega e com a filha de uma criatura mitológica, foge de perseguidores que desejam assassiná-lo e busca o tempo inteiro a fortuna e o poder imperial. Enquanto isso, sua esposa, que o ama perdidamente, aguarda sua volta em uma simples cabana no meio da floresta em sua vila natal.

"Peer Gynt" é uma peça muito bem produzida. Realizada em cinco atos e com pouco mais de uma hora e meia de duração, ela encanta no aspecto visual e auditivo. Seu ponto alto está nos detalhes do cenário e do figurino. De certa forma, acabamos sendo remetidos para a Noruega do século retrasado. Com vários personagens ao mesmo tempo no palco, ficamos hipnotizados pela beleza cênica do espetáculo. Além disso, a peça é toda musicalizada. O espírito transgressor do protagonista é transmitido pelas canções interpretadas pelo próprio elenco. A maioria do repertório musical é de bandas internacionais de Rock'n Roll, como Beatles, Queen e The Doors.

Contudo, o teor amalucado da narrativa e os longos monólogos acabam cansando a plateia rapidamente. A sensação é que a peça se arrasta interminavelmente, provocando sono e a dispersão da atenção do público. O fato das canções serem em inglês também frustra quem não consegue relacionar suas letras com as cenas da história do aventureiro norueguês.

Só não podemos dizer que "Peer Gynt" é ruim porque a interpretação dos atores é magnífica. Chico Carvalho tem o poder de conduzir a peça com maestria sem vacilar em nenhum momento. Maria do Carmo Soares e Mel Lisboa, agora uma atriz mais madura e com capacidade de demonstrar seu verdadeiro talento (esqueçam da Anita de Manoel Carlos!), foram escolhas acertadas para contracenar com Carvalho. A direção do experiente Gabriel Villela é segura e não dá margens para questionamentos.

Entretanto, é difícil sair do teatro com uma boa impressão da peça. A narrativa é o que torna o espetáculo chato. Ficar mais de 100 minutos vendo as maluquices de um jovem sonhador e ouvindo seus discursos reflexivos sobre a vida é enfadonho. Admito que quando as cortinas se fecharam no meio da peça para marcar uma mudança de atos, torci para que ela estivesse terminando definitivamente. Mas não estava. Ainda restava mais metade do espetáculo...

"Peer Gynt" fica em cartaz até 18 de dezembro e suas apresentações são de quarta a domingo no teatro do Centro Cultural FIESP (Avenida Paulista, 1313 - Cerqueira César). A entrada é gratuita e não há grandes dificuldades para se conseguir o ingresso. Basta chegar quinze minutos antes do início do espetáculo (de quarta a sexta, ele começa às 15h e aos finais de semana às 15h30) e retirá-lo na bilheteria.

Veja o vídeo de apresentação de "Peer Gynt":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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