• Ricardo Bonacorci

Filmes: O Homem que Sabia Demais - Um Hitchcock para se ver e ouvir


Assisti nesta semana a um clássico de Alfred Hitchcock: "O Homem que Sabia Demais" (The Man Who Knew Too Much: 1956). Esta é versão hollywoodiana do longa-metragem que tinha sido produzido originalmente pelo próprio diretor, em 1934, por um estúdio inglês. A regravação da década de 1950 contou com a participação dos astros James Stewart, de "A Felicidade Não se Compra" (It's a Wonderful Life: 1946), de "Janela Indiscreta" (Rear Window: 1954) e "O Homem que Matou o Facínora" (The Man Who Shot Liberty Valance: 1962), e de Doris Day, de "Ardida como Pimenta" (Calamity Jane: 1953) e de "Ama-me ou Esquece-me" (Love me or Leave me: 1955).

"O Homem que Sabia Demais" ganhou o Oscar de Melhor Canção Original de 1957 com "Que Sera, Sera" (Whatever Will Be, Will Be), interpretada pela própria Doris Day. Ele também foi indicado no Festival de Cannes ao Melhor Filme. O longa-metragem teve um orçamento de U$ 2,5 milhões, uma cifra elevada para a época. Suas filmagens aconteceram em Londres e no Marrocos.

Assim como "Janela Indiscreta" e "Um Corpo que Cai" (Vertigo: 1958), outros clássicos de Hitchcock, este filme ficou inacessível do grande público por algumas décadas. Isso porque os direitos autorais deles foram dados como herança para uma das filhas do diretor. O problema foi resolvido na década de 1980 e, dessa forma, eles voltaram a ser exibidos.

Em "O Homem que Sabia de Mais", a família McKenna está de férias no Marrocos. Ben McKenna (James Stewart) é um médico norte-americano casado com uma ex-estrela da música, Josephine Conway (Doris Day). O casal tem um filho de oito anos, Hank (Christopher Olsen), que os acompanha na viagem. Durante o trajeto de ônibus entre Casablanca e Marrakesh, a família faz amizade com Louis Bernard, um francês muito suspeito (Daniel Gélin).

O francês acaba assassinado no dia seguinte no centro de Marrakesh. Quando tentava ajudá-lo, Ben acaba ouvindo as últimas palavras do homem: "Um importante político iria ser assassinado em Londres em alguns dias". Neste momento, Ben e Josephine descobrem que seu filho havia sido sequestrado por um casal de turistas ingleses. A ameaça é clara: se eles contarem para a polícia o que Bernard falou, a criança será morta.

Iniciam-se aí as dúvidas morais dos protagonistas: eles devem deixar um homem ser assassinado para salvar a vida do filho? Eles podem confiar nas polícias inglesa e marroquina? O que pais zelosos devem fazer nesta situação? Pode-se acreditar nas palavras de criminosos internacionais?

"O Homem que Sabia de Mais" é um belo filme. A trilha sonora é realmente excelente. Ouvir Doris Day cantando é um privilégio. Assim que o longa-metragem acaba, é impossível não cantarolar o refrão de "Whatever Will Be, Will Be".

A famosa cena do teatro Albert Hall em Londres também é magnífica. Durante doze minutos, não há um único diálogo nesta sequência que marca o clímax do filme. Apenas vemos os acontecimentos e ouvimos a música tocada pela orquestra no centro do palco. A música dá o tom do suspense e influencia o desfecho da trama. Trata-se de uma sequência de cenas maravilhosa, típica de um mestre como Alfred Hitchcock.

A fotografia do filme também é muito boa. Na parte inicial gravada no Marrocos, o diretor de fotografia soube aproveitar muito bem o sol do país africano e os cenários utilizados por lá. Na Inglaterra, os takes são mais sombrios e cinzentos, propícios para os momentos de maior suspense da história. O efeito do Technicolor, tecnologia utilizada na década de 1970 para colorir os filmes em preto e branco, também dá um efeito bem interessante a esta produção.

Conferir James Stewart e Doris Day no auge profissional também é bem legal. Eles oferecem uma interpretação madura e comovente, além de embelezarem a tela. Até o ator mirim Christopher Olsen se destaca, encantando o público com sua graça e seus diálogos divertidos. Ele chega a cantar com Day em uma ótima cena no quarto de hotel em Marrakesh.

Com duas horas de duração, "O Homem que Sabia de Mais" é um excelente exemplo da competência técnica de Hitchcock na arte de fazer filmes de suspense. Apesar de o diretor inglês ter filmes mais famosos do que este, "O Homem que Sabia de Mais" pode ser colocado na lista das suas dez melhores produções. Sua história é empolgante e o suspense intriga o público do início ao final

Veja o trailer de "O Homem que Sabia de Mais":

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Ricardo Bonacorci

Nascido na cidade de São Paulo, Ricardo Bonacorci tem 39 anos e trabalha como publicitário, produtor de conteúdo, crítico literário e cultural, editor, escritor e pesquisador acadêmico. Ricardo é especialista em Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão da Inovação, bacharel em Comunicação Social, licenciando em Letras-Português e pós-graduando em Formação de Escritores.  

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